
Podíamos dizer que a matéria-prima da nossa realização é o nosso futuro é o que nos falta realizar para atingirmos a nossa plena realização.
Esta matéria-prima é o leque de possíveis que ainda temos para realizar. Mas este futuro pode acontecer ou não. Isso depende de nós.
A título de exemplo diríamos que o ovo de galinha, quando está fecundado, está cheio de possíveis para dar um pintainho.
Mas estes possíveis podem realizar-se ou não. Assim, por exemplo, se estrelarmos esse ovo não teremos pintainho.
Isto é para dizer que a nossa humanização não é uma fatalidade, pois depende de nós. A pessoa humana humaniza-se através de um encadeamento de opções, decisões e realizações na linha do amor.
A humanização do ser humano acontece como um processo histórico cuja lei é: “Emergência pessoal mediante relações de amor e convergência para a comunhão universal.
Em perspectivas cristãs esta comunhão universal é humano-divina graças ao acontecimento da Encarnação.
Podíamos dizer que a nossa identidade espiritual é o resultado pessoal da história que construímos com os talentos que recebemos dos outros.
É este o mistério do Homem em construção que se revela na medida em que a pessoa adquire capacidade para saborear a verdade do Homem.
A pessoa humana é um ser histórico. Faz-se, fazendo história. Para nos dizermos temos de contar uma história.
De tal modo esta tarefa é pessoal que ninguém nos pode substituir na tarefa da nossa realização.
Por outras palavras, a história pessoal que vamos construindo é, de facto, a matriz da nossa identidade espiritual e eterna.
Seremos eternamente seres com uma identidade histórica! Não estamos sozinhos nesta tarefa, pois o Espírito Santo está em nós e trabalha connosco.
Podemos ter a certeza de que Deus está tão interessado no sucesso da nossa realização como nós mesmos.
A maneira correcta de aceitar esta presença fecunda e dinâmica do Espírito Santo em nós implica contar com Deus, mas nunca tentar a Deus.
Tentar a Deus significa não fazer o que depende de nós, pretendendo que Deus nos substitua.
Deus está sempre connosco, mas nunca em nosso lugar.
Podíamos dizer que a atitude correcta neste aspecto é o seguinte: “Agir como se tudo dependesse de nós, sabendo que o essencial é obra de Deus”.
Calmeiro Matias
Sem comentários:
Enviar um comentário