segunda-feira, 31 de dezembro de 2007

A TAREFA DA HUMANIZAÇÃO DO HOMEM-I


I-A HUMANIZAÇÃO COMO TAREFA

Como pessoas em construção, os seres humanos foram criados para se criarem.

Nascemos como seres hominizados, isto é, estruturados e capacitados para nos construirmos como pessoas.

Mas a grande tarefa que nos é proposta é a nossa humanização, a qual não pode acontecer sem a nossa participação no processo.

A lei da humanização é: “Emergência pessoal mediante relações de amor e convergência para a comunhão universal”.

A humanização do ser humano é a sua vocação fundamental, isto é, a primeira de todas as vocações.

Falhar neste projecto é malograr a sua razão de ser na História.

Os ensinamentos de Jesus orientavam-se no sentido de interpelar as pessoas a realizar os seus talentos, isto é, a ser fiel às suas possibilidades de humanização (Mt 25, 14-30: cf. Lc 19, 12-27).

Na verdade, a base da divinização do homem é a sua própria humanização.

Por outras palavras, as pessoas humanas terão uma interacção orgânica tanto mais profunda com as pessoas divinas quanto mais se humanizarem na sua marcha histórica.

O processo da humanização capacita o coração da pessoa para acolher os outros como irmãos, condição essencial para comungar na Família Divina.
Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

A TAREFA DA HUMANIZAÇÃO DO HOMEM-II

II-CRISTO COMO CABEÇA DO HOMEM NOVO

Jesus é o alicerce da Nova Humanidade reconciliada e a caminhar para a comunhão da Família de Deus.

A Carta aos Efésios, diz que Jesus destruiu os muros dos moralismos e dogmatismos, a fim de poder acontecer a verdadeira humanização do Homem.

Esta não podia acontecer sem serem criadas condições para acontecer a comunhão entre os homens de todas as raças, línguas, povos e nações.

É este o caminho para construir o Homem Novo (Ef 2, 14-16).

São Paulo diz que Jesus é a Cabeça de uma Nova criação, a qual é constituída por homens reconciliados com Deus, onde o pecado é totalmente perdoado (2 Cor 5, 17-19).

O processo da humanização do Homem não pode acontecer sem a intervenção sempre presente do Espírito Santo na vida das pessoas.

Mas isto não é problema, pois o Espírito Santo faz do coração das pessoas que se abrem ao amor um templo onde habita de modo permanente (1 Cor 3, 16-17).

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

A TAREFA DA HUMANIZAÇÃO DO HOMEM-III

III-PASSOS PARA A HUMANIZAÇÃO

Eis alguns passos fundamentais para acontecer a humanização do ser humano:

À medida em que se humaniza, a pessoa torna-se humilde.

A humildade é a capacidade de a pessoa se relacionar com os outros numa linha de verdade, sabendo situar-se no convívio com os outros de modo correcto e adequado.

Na verdade, ser humilde é ser verdadeiro em relação a si e aos outros.

Ser humilde é aceitar que a pessoa humana, para se realizar, precisa dos outros.

Na verdade, a plenitude da pessoa não está em si, mas na reciprocidade da comunhão.

Não há humanização sem capacidade de diálogo e comunhão com os outros.

As pessoas demasiado enredadas em si só conseguem escutar-se a si e, por isso, não são capazes de sintonizar e comungar com os outros.

O homem humanizado reconhece os próprios erros e sabe que só o amor cura as feridas que o pecado abriu no seu coração e no coração dos irmãos.

O homem de coração humanizado não está sempre a culpar os outros das suas culpas, insatisfações e fracassos.

A pessoa que se empenha na tarefa da humanização não está sempre a julgar os outros e muito menos a culpá-los pelos nossos fracassos.

A pessoa que está sempre a criticar em geral anda a fugir de si e, muitas vezes, a projectar os próprios defeitos na pessoa dos irmãos.

À medida em que se humaniza, a pessoa procura ser amável e serena nas relações com os irmãos.

Procedendo assim está a preparar-se para receber a bênção prometida aos mansos, os quais, disse Jesus, possuirão a terra (Mt 5, 5).

A pessoa humanizada sabe que a amabilidade é a grande arma para desmontar as setas da agressividade com que os outros pretendem destruí-la.

Ter a gentileza de dar a primazia ao outro é uma atitude que gera comunhão.

A pessoa humanizada tem a sabedoria para discernir sobre os momentos oportunos para falar e as melhores ocasiões para saber calar e escutar.

É um excelente sinal de maturidade saber evitar discussões inúteis que só servem para exaltar os ânimos.

Este procedimento não ajuda o processo da humanização das pessoas.

É um excelente sinal de sabedoria e humanização saber reconhecer quando o outro tem razão.

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

A TAREFA DA HUMANIZAÇÃO DO HOMEM-IV


IV-HUMANIZAÇÃO E COMUNHÃO COM DEUS

Devemos ter sempre presente que, ao romper com o amor estamos a romper com Deus, pois Deus é amor.

É verdade que, ao romper com Deus, não estamos a impedir que ele continue a amar-nos.

Na verdade, o seu amor de Deus por nós é incondicional.
No entanto, não nos devemos esquecer de que apesar de não conseguirmos impedir que Deus nos ame, podemos impedir a comunhão ele.

De facto, a comunhão assenta na reciprocidade e no amor e não num amor unidireccional.

Por outras palavras, o amor pode ter uma só direcção, mas a comunhão só pode acontecer na reciprocidade amorosa.

O processo da humanização só pode acontecer na medida que a pessoa faça do amor a rocha firme para edificar a sua casa.

A humanização não acontece quando a pessoa falseia a realidade do amor, pretendendo, por exemplo, amar a Deus, mas ignorar o amor aos irmãos.

A bíblia une sempre o amor a Deus com o amor aos irmãos.

A pessoa que está em processo de humanização Treina-se na arte de facilitar a realização dos outros, procurando aceitá-los por eles serem o que são e não por fazerem o que ela gostaria que eles fizessem.

A pessoa humanizada procura comunicar sempre numa linha de verdade e autenticidade.

No trato com os irmãos não está sempre a olhar apenas para os seus interesses pessoais.

A pessoa humanizada não descuida a arte da partilha, ajudando os irmãos a ser mais felizes, não apenas com o seu ter, mas também com o seu ser e o seu saber.
Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

A TAREFA DA HUMANIZAÇÃO DO HOMEM-V


V-HUMANIZAÇÃO E FÉ

A pessoa humanizada tem sempre presente de que os outros são um dom de Deus.

Com efeito, os demais são mediações que Deus nos concede para nos realizarmos como pessoas livres, conscientes, responsáveis e capazes de comunhão amorosa.

A pessoa humanizada tem consciência de que a sua realização e felicidade, depende do modo como vive as relações com os outros.

Graças à sabedoria que nos vem da Palavra de Deus, nós sabemos que a nossa plenitude nem sequer pode acontecer sem os outros.

Na verdade, é com os outros que nós faremos parte da Família de Deus, a qual não assenta nos laços do sangue mas sim no vínculo maternal do Espírito Santo.

Lembremo-nos de que não somos bons em tudo. Na verdade, há coisas em que os outros são muito melhores do que nós.

A pessoa humanizada não tem nunca a pretensão de ser a medida dos outros.

Além disso, sente-se agradecida quando sente que os outros estão a ser atentos e respeitadores da sua originalidade e diferença.

A pessoa que tenta controlar e manipular os outros nunca conseguirá ser um ser profundamente humanizado.

Na verdade está a impedir que a Humanidade possa emergir com a sua novidade e diferença no outro.

Na verdade a marcha da humanização assenta no princípio fundamental de que cada pessoa é única, original e irrepetível.

As pessoas que põem o amor e a fraternidade em primeiro plano são uma mediação privilegiada de humanização para nós.

A pessoa que aceita o outro, apesar dos seus defeitos, está a dar passos largos na tarefa da sua humanização.

A pessoa humanizada entende os ensinamentos de Jesus segundo os quais a pessoa tem de lutar contra as forças negativas do pecado, o grande obstáculo ao processo da humanização.

À medida em que se humaniza, a pessoa deixa de alimentar ressentimentos ou planos de vingança em relação aos outros.

A pessoa humanizada não dá coisas para amarrar os outros.

A marcha da humanização conduz ao dom e à comunhão.
Como ternura maternal de Deus a actuar no nosso coração, o Espírito Santo é quem nos incorpora na Família de Deus (Rm 8. 14-17).

São Paulo diz que o Espírito Santo é o amor de Deus derramado nos nossos corações (Rm 5,5).

É ele quem nos ajuda a caminhar de modo seguro nesta arte delicada da nossa humanização, condição essencial para sermos divinizados com Cristo.
Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias




sábado, 29 de dezembro de 2007

A ARTE DE SE TORNAR LIVRE-I

I-A LIBERDADE COMO PROJECTO

A liberdade é uma conquista e uma tarefa a realizar. A liberdade é a capacidade de a pessoa se relacionar amorosamente com os outros e interagir criativamente com os acontecimentos e as coisas.

A liberdade não acontece sem decisões na linha do amor e sem atitudes criativas face aos acontecimentos e às coisas.

Com efeito, ser livre é sempre o resultado de uma cadeia de opções, escolhas e decisões na linha do amor.

O ser humano não nasce livre. Mas tem a possibilidade de se realizar como pessoa livre, consciente e responsável.

As pessoas não são peças de artesanato feitas em série. Isto significa que os seres humanos são diferentes na sua identidade e no grau da sua liberdade conquistada.

Esta situação deriva do facto de o ser humano estar em construção histórica. Faz-se, fazendo. Eis a razão pela qual cada pessoa se realiza de modo único, original e irrepetível.

Por outras palavras, a liberdade, tal como a realização pessoal, é fruto de uma vida comprometida.

A pessoa não é igual aos sonhos que tem, pois a pessoa faz-se fazendo.

Podemos dizer que a pessoa é igual aos sonhos e projectos que realiza.

Alguns sonhos não passam de fugas da realidade. A pessoa que se deixa embalar por tais sonhos não se realiza.

E por esta mesma razão não atinge um nível profundo de liberdade.

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

A ARTE DE SE TORNAR LIVRE-II


II-LIBERDADE E LIVRE ARBÍTRIO

Não devemos confundir liberdade com livre arbítrio.
Este é a capacidade psíquica de optar. Mas não basta decidir e optar para sermos livres.

De facto, podemos optar pelo amor ou pelo egoísmo.
Apenas as opções na linha do amor e da criatividade tornam a pessoa livre.

Como capacidade psíquica de optar, o livre arbítrio é a possibilidade de a pessoa humana ser livre.

Mas tudo depende do estilo das nossas opções. Ninguém é capaz de matar a liberdade da pessoa que se tornou livre.

Mas também é verdade que ninguém é capaz de dar a liberdade a uma pessoa.

A sociedade pode prender pessoas livres. Neste caso está a limitar as possibilidades de esta pessoa exercitar a sua liberdade.

Também está a pessoa a impedir de exercitar o seu livre arbítrio e, portanto, condicionar o seu crescimento como ser livre.
Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

A ARTE DE SE TORNAR LIVRE-III


III-A DIMENSÃO ESPIRITUAL DA LIBERDADE

Mas ninguém é capaz de roubar a liberdade de uma pessoa, pois esta é uma dimensão espiritual.

A liberdade pertence à interioridade máxima da esfera espiritual da pessoa.

Jesus disse que quem comete o pecado é escravo do pecado (Jo 8, 34).

O pecado é exactamente o contrário do amor. É a recusa da pessoa humana a realizar-se mediante relações de amor.

Cristo libertou-nos das amarras do medo e deu-nos duas asas fundamentais para voarmos em direcção à liberdade: o Espírito Santo e a Palavra de Deus.

As asas não se nos impõem, mas capacitam-nos para voar.
Os seres humanos voam mais alto se entrarem em sintonia com a força de voar que vem da Palavra de Deus e do Espírito Santo.

Eis o que diz o evangelho de São João: “Se permanecerdes na minha Palavra sereis meus discípulos, tornar-vos-eis conhecedores da verdade e a verdade vos libertará” (Jo 8, 31-32).

A Palavra de Deus, por ser a verdade, dá-nos os critérios certos para optarmos e decidirmos na linha do amor, condição fundamental para sermos livres.

A verdade é a compreensão e a enunciação correcta e adequada da realidade de Deus, do Homem, da História e do Universo.

No nosso íntimo, Deus é um grito que nos convida a agir de acordo com o amor, a fim de sermos livres.

A liberdade não é uma coisa que possamos dar aos outros, mas podemos facilitar o processo de libertação de uma pessoa.

A afirmação segundo a qual Deus nos dá a liberdade precisa de ser explicada:

Em primeiro lugar é preciso saber que todos os dons de Deus nos são feitos em forma de talentos, isto é, possibilidades de realização.

Esta é uma condição essencial para as dádivas divinas serem dons. Se assim não fosse não seriam dons mas imposições.
Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

A ARTE DE SE TORNAR LIVRE-IV


IV-LIBERDADE E AMOR

Quando decidimos optar na linha do amor emergimos e robustecemo-nos como pessoas livres, conscientes, responsáveis e capazes de comunhão amorosa.

São Paulo diz uma coisa muito importante em relação à liberdade:

“Foi para a liberdade que Cristo nos libertou. Portanto permanecei e não vos deixeis prender de novo ao jugo da escravidão (…).
Que a liberdade não sirva de pretexto para vos deixardes subjugar pelo o homem velho.
Pelo contrário, mediante o amor, ponde-vos ao serviço uns dos outros” (Ga 5, 1-13).

É verdade que nem todas as pessoas têm a mesma densidade no que se refere à liberdade.

Eis a razão pela qual São Paulo aconselha as pessoas que têm um nível maior de liberdade a não escandalizarem ou ferirem os mais fracos:

“Mas tende cuidado que a vossa liberdade não venha a ser ocasião de queda para os mais fracos.
Se alguém te vê, a ti que tens a ciência e a liberdade, comer alimentos que foram consagrados aos ídolos, é capaz de se voltar para os ídolos.
Deste modo, pela tua ciência vai perder-se quem é fraco?” (1 Cor 8, 9-10).

A capacidade pessoal de amar é a expressão da liberdade já realizada e o caminho para crescermos mais como pessoas livres.

Não é difícil verificar que em muitas afirmações que ouvimos no dia a dia sobre a liberdade, na realidade as pessoas não estão a falar sobre liberdade mas sobre livre arbítrio, o que não é a mesma coisa.

Na verdade, como vimos, o livre arbítrio não é a liberdade, mas a possibilidade de a pessoa chegar a ser livre.

O livre arbítrio é a capacidade psíquica de a pessoa optar pelo bem ou pelo mal.

Deus é infinitamente livre e, no entanto, não tem livre arbítrio, pois não pode escolher pelo mal.

Como sabemos, a pessoa humana não nasce livre, mas sim com a possibilidade de se tornar livre.

Para se tornar livre, a pessoa tem de realizar opções no sentido do amor.

Ninguém chega a ser livre sem fazer opções. Mas não basta fazer opções para uma pessoa ser livre.

Na verdade, para ser livre, a pessoa tem de optar na linha do amor.

Como sabemos, o pecado é a recusa da pessoa humana a optar no sentido do amor.

Nesta perspectiva podemos compreender como o pecado não só não impede o crescimento da pessoa como ser livre, como também a sua humanização.

Eis as palavras de Jesus a este respeito: "o que comete o pecado é escravo" (Jo 8, 34).

São Lucas afirma no seu evangelho que o Espírito Santo consagrou Jesus, a fim de ele ser agente de libertação do Homem:

"O Espírito do Senhor está sobre mim porque me ungiu para anunciar a Boa Nova aos Pobres e a libertação aos cativos" (Lc 4, 18).

A acção do Espírito Santo no coração da pessoa humana optimiza as suas possibilidades de amar e, portanto, de crescer como pessoa livre.

Na medida em que a pessoa deixa o Espírito Santo actuar no seu coração mais as suas opções se tornam semelhantes às de Jesus.

Isto quer dizer que a pessoa que se deixa conduzir pelo Espírito Santo vai-se tornando cada vez mais livre e mais agente de libertação de libertação se torna.
Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

AS PERFEIÇÕES INFINITAS DE DEUS - I

I-A PERFEIÇÃO DAS PESSOAS DIVINAS

Deus imprimiu os sinais das suas perfeições na Criação, dando-nos a possibilidade de nos elevarmos do nível da Criação para a contemplação do Criador.

Além da natureza, Deus revelou-nos expressamente, através da sua Palavra as perfeições da sua natureza divina.

Jesus foi a expressão mais plena da perfeição e da profundidade do amor de Deus na História.

Um dia, o próprio Jesus convidou os discípulos a amar, ao jeito do próprio Deus.

É verdade que a perfeição de Deus é um ideal inatingível, no entanto é um ponto de referência a convidar-nos a caminhar constantemente em direcção a essa meta.

Deus é infinitamente perfeito nos que se refere às perfeições das três pessoas divinas.

Na verdade, podemos falar separadamente da perfeição infinita do Pai, do Filho e do Espírito Santo.

Além disso, ainda podemos falar da perfeição infinita da natureza divina, a qual é comum às três pessoas.

A nossa fé diz-nos que existe um só Deus, o qual é uma comunhão de três pessoas de perfeição infinita.

Na verdade, o Uno, em Deus, é a comunhão da Santíssima Trindade. As três pessoas são o plural.

Apesar de ser um só Deus, a Divindade não é um sujeito, mas uma comunhão de três pessoas.

É esta a razão pela qual, ao falarmos das perfeições divinas, tanto podemos falar das perfeições próprias de cada uma das pessoas da Santíssima Trindade, como das perfeições da Divindade enquanto comunhão de amor e Deus único.

A nossa fé diz-nos que a maior parte das perfeições em Deus são comuns às três pessoas divinas, como, por exemplo:

A Grandeza infinita, a eternidade, o conhecimento perfeito de todas as coisas, a presença a todo o Universo e a capacidade infinita de amar.

As pessoas divinas não têm limitações ou imperfeições.

As humanas, pelo contrário, têm limitações, tanto a nível corporal, como psíquico ou moral.

Uma das perfeições de Deus que mais se nos impõem é a sua condição eterna. Nunca houve um tempo em que Deus não existisse.

É verdade que os seres humanos, pelo facto de serem pessoas com dimensão espiritual, são imortais, mas ao contrário das pessoas divinas não existem desde sempre.

As pessoas divinas são infinitamente perfeitas. Não podem mudar para melhor, pois são sempre o melhor possível.

As pessoas humanas, pelo contrário, são seres em construção e por isso estão em processo histórico de aperfeiçoamento.
Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

AS PERFEIÇÕES INFINITAS DE DEUS-II

II-A PERFEIÇÃO DO DEUS ÚNICO

A natureza divina é profundamente dinâmica e geradora de novidade permanente.

Na verdade, Deus é emergência permanente de três pessoas de perfeição infinita em total convergência de comunhão Trinitária.

Isto quer dizer que Deus é criador desde toda a eternidade, pois a natureza divina é criatividade permanente.

Podemos dizer que as relações entre o Pai, o Filho e o Espírito Santo nunca se repetem.

Quando dizemos que Deus é imutável, queremos dizer que não muda neste seu jeito de ser sempre novo.

Com efeito, Deus emerge como amor paternal na primeira Pessoa da Santíssima Trindade e como amor filial na segunda.

Deus emerge como amor maternal na terceira pessoa da Santíssima Trindade. Na verdade, o Espírito Santo é a ternura maternal de Deus.

O conhecimento de Deus é total e perfeito, pois todas as coisas foram criadas a partir do diálogo amoroso da Santíssima Trindade.

Outra qualidade que a fé reconhece a Deus é o seu modo de estar presente a todos os lugares, apesar de não caber em nenhum.

Seja qual for o lugar em que nos encontremos podemos dizer com toda a verdade: “Deus está aqui”.

De facto, Deus é a realidade que está mais perto de nós, pois encontra-se connosco no nosso coração.

Quando subimos a uma montanha muito alta, não estamos mais perto de Deus do que quando descemos a um vale muito profundo.

Nenhum ponto do Universo está mais perto de Deus do que outro. Por isso não precisamos de gritar para nos fazermos ouvir de Deus, pois ele está onde cada um de nós se encontra.

Os Actos dos Apóstolos dizem que Deus não está longe de cada um de nós, pois nele estamos e nos movemos (cf. Act 17, 24-28).

A nossa fé proclama a santidade de Deus como uma qualidade fundamental.

A santidade é igual a comunhão de amor. Se Deus é uma comunhão de amor infinito, então Deus é santidade infinita.

Os seres humanos serão tanto mais santos quanto mais profunda for a densidade do seu amor.

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

AS PERFEIÇÕES INFINITAS DE DEUS-III

III-A LENTE PRÓPRIA PARA CONHECER A DEUS

As pessoas humanas, diz a Primeira Carta de São João, conhecerão tanto melhor a realidade de Deus quanto maior for a sua capacidade de amar:

“Quem não ama não conhece a Deus, pois Deus é amor” (1 Jo 4, 8). E depois acrescenta: “Quem ama permanece em Deus e Deus nele, pois Deus é amor” (1 Jo 4,16).

As Sagradas Escrituras são unânimes em reconhecer que Deus é a Verdade. Aquilo que Deus conhece das coisas, corresponde exactamente àquilo que as coisas são.

Por ser a verdade, Deus nunca se engana nem nos pode enganar.

Com efeito Deus é a verdade plena. Este atributo não pode ser aplicado a mais ninguém.

A verdade é a compreensão e enunciação adequada da realidade: de Deus, do Homem, da História e do Universo.

Por outras palavras, o que Deus conhece de Deus, do Homem, da História e do Universo corresponde exactamente àquilo que elas são.

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

AS PERFEIÇÕES INFINITAS DE DEUS-IV

IV-DEUS É RELAÇÕES

A pessoa só é verdadeiramente grande quando é assumida e incorporada na dinâmica da comunhão.

É este o jeito de Deus ser e também a nossa vocação a realizarmo-nos como imagem e semelhança de Deus.

A comunhão nunca anula a pessoa. Pelo contrário, optimiza tudo aquilo que ela é e possibilita a emergência de todas as possibilidades de felicidade que possam existir no seu ser.

Deus é amor e a pessoa humana realiza-se na medida em que se constrói à imagem e semelhança de Deus.

Por outras palavras, tornamo-nos imagens perfeitas de Deus na medida em que morremos ao egoísmo e emergimos em dinâmica de amor.

Não há amor sem relações. Quando dizemos que Deus é amor estamos a dizer que Deus é relações de comunhão amorosa.

O amor é a qualidade máxima das relações interpessoais e comunitárias.

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

segunda-feira, 24 de dezembro de 2007

DEUS REVELOU-NOS O SEU AMOR EM CRISTO-I

I-JESUS REVELOU-NOS O AMOR DE DEUS

Jesus de Nazaré veio revelar aos homens o amor incondicional de Deus.

O seu amor sem limites manifestou-se de modo muito claro nas atitudes de Jesus para com os doentes, os pobres, as crianças, os mais fracos e desprotegidos.

Na verdade, através das suas palavras e actos, Jesus fazia perceber às pessoas o jeito de Deus as amar.

As atitudes de Jesus eram a prova de que Deus Pai elegia os seres humanos como filhos sem estar à espera de que nós o amássemos primeiro.

Podemos dizer a mesma coisa do amor de Deus Filho que não estava à espera que fôssemos bons para nos eleger como irmãos.

Jesus exprimiu de modo especial o amor de Deus por nós, decidindo amar-nos de modo incondicional, ao ponto de dar a vida por nós.

Ao ressuscitar envia-nos o Espírito Santo que, com seu jeito maternal de amar, nos introduz na Comunhão da Família Divina como filhos em relação ao Pai e como irmãos em relação ao Filho.

Através de contos e parábolas, Jesus ensinou-nos que mesmo nas alturas em que nós, pelo pecado, fechamos a porta do nosso coração à comunhão com Deus, Deus Pai não se esquece de nós.

Pelo contrário vem todos os dias ao alto da colina para ver se o filho pródigo já está de regresso a casa.

Com esta parábola do Filho Pródigo, o Filho diz-nos Deus Pai, com um coração cheio de misericórdia, está sempre disposto a acolher de braços abertos o filho pecador.

Depois de o acolher, veste-lhe um fato novo e manda-o entrar para a sala dessa festa.

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

DEUS REVELOU-NOS O SEU AMOR EM CRISTO-II


II-EXPERIÊNCIA E ANÚNCIO DO AMOR DE DEUS

O conhecimento do amor e da ternura de Deus por nós é um dom que o Espírito Santo nos concede de modo gradual e progressivo.

À medida em que nos faz experimentar o amor incondicional de Deus por nós, o Espírito Santo convida-nos a anunciar aos homens a força libertadora do amor de Deus.

Por outras palavras, o Espírito Santo que consagrou Jesus para anunciar o Evangelho aos pobres e libertar os cativos consagra-nos também a nós para continuarmos a mesma missão.

Quando o Espírito Santo nos faz saborear a ternura de Deus por nós, desperta imediatamente no nosso coração o desejo de anunciar a Boa Nova do amor de Deus aos irmãos.

A conversão de São Paulo é o testemunho mais claro de como o Espírito Santo não separou a experiência do amor de Deus por si e o renascer de uma paixão enorme pela evangelização dos irmãos:

“Mas quando chegou a plenitude dos tempos, Deus enviou o seu Filho, nascido de uma mulher nascida sob o domínio da Lei de Moisés, a fim de resgatar todos os que se encontravam sob o domínio desta Lei.
E foi assim que nós, libertos da Lei de Moisés recebemos a adopção de filhos de Deus.
E porque somos filhos, Deus enviou aos nossos corações o Espírito Santo que o seu Filho nos enviou, o qual clama em nós:”Abba” ó Pai.
Deste modo já não és servo de Deus mas filho. E se és filho também és herdeiro, pela graça de Deus” (Ga 4, 4-7).

Podemos dizer com toda a verdade que a grande paixão de Jesus foi anunciar aos seres humanos a grandeza do amor de Deus por nós.

Quando saboreamos o amor de Deus pelos seres humanos, compreendemos que evangelizar é um acto de amor pela Humanidade.

Deus chama-nos a anunciar o Evangelho da bondade de Deus aos homens de todas as raças, línguas, culturas e nações.

Quando o fazemos, somos nós os primeiros a ser evangelizados e configurados com Cristo.
Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

sábado, 22 de dezembro de 2007

QUANDO A ETERNIDADE ILUMINA O TEMPO-I


I-É NO TEMPO QUE EMERGE A VIDA ESPIRITUAL
À luz da eternidade, o tempo ganha um sentido e uma importância verdadeiramente fundamentais.

Quando olhado à luz da eternidade, o tempo surge como o ventre em cujo interior os seres pessoais emergem e atingem a densidade da Vida Eterna.

De facto, a vida pessoal, por ser espiritual, tem consistência eterna.

Olhada sob o prisma da eternidade, a vocação fundamental do ser humano é realizar-se como pessoa mediante o amor.

Se o tempo nos é dado para construirmos a nossa vida eterna, então o tempo deve ser tomado a sério, a fim de melhos o aproveitarmos.

Vistas a esta luz, as manhãs surgem como um convite a aproveitar o novo dia como mais uma oportunidade para realizarmos no tempo o que seremos eternamente.

Quando olhamos o tempo com os horizontes da eternidade, o amor ganha sabor a vocação fundamental, pois é pelo amor que dificamos que nos podemos construir neste dia único e irrepetível.

Se vivermos o tempo de modo empenhado, vamos emergindo em cada dia com uma novidade, a que fará parte do património da comunhão universal do Reino de Deus.

Por outras palavras, é hoje o tempo de configurarmos a identidade pessoal que desejamos ser para sempre.

Na verdade, a nossa identidade espiritual coincide com o nosso jeito de amar.

Comparando a dinâmica da vida eterna à festa de umas bodas, podemos dizer que a pessoa humana “dançará” eternamente o ritmo do amor com o jeito que tiver treinado na história.

É agora, portanto, o tempo de moldarmos a nossa capacidade de comungar com os outros no Reino de Deus.

Hoje mesmo podemos reorientar o nosso jeito de conviver na festa da vida eterna, mudando o modo de nos relacionarmos com os demais.

Hoje é o dia em que podemos burilar e aperfeiçoar o nosso modo de nos relacionarmos e comungarmos com as pessoas divinas, as humanas e todas as outras que possam fazer parte da Comunhão Eterna da Família de Deus.

Por outras palavras, é agora o tempo de edificarmos a plenitude da vida que ultrapassa a morte.

Na verdade, o dia de hoje é importante, pois é um tempo que Deus nos dá para edificarmos o que havemos de ser para sempre.
Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

QUANDO A ETERNIDADE ILUMINA O TEMPO-II

II-OS SÁBIOS ESCUTAM A VOZ DE DEUS NO TEMPO

Deus criou-nos inacabados, a fim de nos irmos realizando no tempo, estruturando assim a nossa história pessoal.

Com efeito, nós somos os gestores do nosso tempo, condição indispensável para decidirmos no dia a dia da nossa vida o que seremos ser eternamente.

Visto à luz da eternidade, o tempo para os seres humanos não é uma mera sucessão de instantes que se juntam para dar consistência e configuração aos segundos, aos minutos, às horas, aos dias, anos, séculos ou milénios.

Como vemos, o tempo é muito mais do que aquilo que os relógios e os calendários contabilizam.

À luz da Palavra de Deus cada dia é para o Homem um “kairós”, isto é, a hora de Deus e a oportunidade de o Homem, orientado pelo Espírito Santo, realizar a pessoa que deseja ser eternamente.

Hoje é o dia em que o Espírito Santo nos interpela e ilumina, a fim de completarmos, em nós e no mundo, a criação de Deus.

O maior perigo do dia de hoje é a decisão de matar o tempo, pois isto significa decidir não emergir nem crescer como capacidade de comungar mais com Deus e os irmãos.

Compete-nos a nós dar a última palavra sobre a fecundidade do dia de hoje.

Na verdade, neste dia temos a possibilidade de dar um salto qualitativo, conferindo à vida uma densidade nova e, deste modo, enriquecer a nossa plenitude definitiva.

As pessoas que a longo da sua vida tomaram o tempo a sério, atingiram uma maior realização pessoal e fizeram a Humanidade avançar.

Estamos a tocar o mistério do ser humano cuja realização é um processo histórico.

Deus criou-nos inacabados, a fim de completarmos a sua obra, realizando-nos de modo livre, consciente e responsável.

Surgimos na vida com um leque de talentos ou possibilidades que podemos realizar ou não.

Realizando-os fazemos emergir a pessoa que vai brotando no nosso íntimo como capacidade de comunhão fraterna.

Hoje é o dia em que podemos realizar as nossas possibilidades ou talentos fazendo emergir o nosso ser pessoal.

Em comunhão Convosco
Calmeiro Matias

QUANDO A ETERNIDADE ILUMINA O TEMPO-III


III-DO TEMPO À PLENITUDE DA VIDA ETERNA

À medida em que vamos construindo a pessoa que temos como tarefa realizar, o Espírito Santo vai-nos configurado com Jesus e incorporando na Família Divina.

Deste modo Jesus Cristo se torna o primogénito entre muitos irmãos. Eis o que diz São Paulo a este respeito:

“Porque àqueles que Deus conheceu desde os tempos primordiais, também os predestinou para serem uma imagem idêntica à do seu Filho, de tal modo que ele é o primogénito de muitos irmãos” (Rm 8, 29).

Se, mediante o amor, nos humanizarmos mais neste dia, é hoje que o Espírito Santo nos configura com Jesus Cristo e nos leva a chamar a Deus “Abba”, isto é, papá (Ga 4, 4-7).

No coração do homem configurado com Cristo o amor tem um lugar especial, capacitando-nos para vencermos o egoísmo que é a lei da selva.

O tempo é, pois, o alfobre onde as nossas possibilidades atingem o nível de realizações definitivas.

É em génese temporal que emerge a pessoa livre através de decisões, escolhas e opções na linha do amor.

Como sabemos, a pessoa não nasce livre, mas vai-se tornando livre à medida em que se humaniza.

A liberdade é a capacidade de se relacionar amorosamente com os outros e de interagir de modo criativo com os acontecimentos sociais e as coisas.

A possibilidade de sermos livres é o nosso livre arbítrio, isto é, a capacidade de optarmos pelo bem ou pelo mal.

A liberdade emerge como fruto da das opções na linha do amor.

De facto, ninguém pode ser livre sem exercitar o seu livre arbítrio. Mas não baste exercitar o livre arbítrio para se tornar livre.

Por outras palavras, a liberdade é um processo de libertação, realizado a partir do livre arbítrio.

Ao contrário das pessoas humanas, as pessoas divinas são infinitamente livres.

Eis a razão pela qual não têm livre arbítrio ou seja a possibilidade de se tornarem livre.

De facto as pessoas divinas não têm a possibilidade de optarem pelo mal.

O amor é uma dinâmica de bem-querer que tem como origem a pessoa e como meta a comunhão universal do Reino de Deus.

Deus é amor pleno e total diz a Bíblia (1 Jo 4, 7-8). Eis a razão pela qual é o próprio Deus que assume as nossas realizações de amor na comunhão familiar de Deus (Rm 8, 14-17).

Esta dinâmica leva a pessoa a eleger o outro como alvo de bem-querer, aceitá-lo assim como é e agir de modo a facilitar a sua realização e felicidade.

Por ser o resultado de um processo de libertação que se concretiza em decisões, e opções de amor, a liberdade é a capacidade de a pessoa se relacionar amorosamente e interagir de modo criativo com os acontecimentos e as coisas.

Dizer que a liberdade é um processo de libertação significa que se vai tornando realidade o que em nós começa por ser apenas uma possibilidade.

Glória a Vós Trindade Santa que nos estais a criar no tempo, assumindo-nos em seguida na Eternidade.
Em comunhão Convosco
Calmeiro Matias

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

A FORÇA PROFÉTICA DE JESUS DE NAZARÉ-I

I-FOI LEAL PARA COM DEUS E O HOMEM

Tomava Deus e o Homem a sério. A sua grande paixão era fazer a vontade de Deus, libertando as pessoas das amarras do sofrimento e do pecado.

Eis algumas das suas afirmações que confirmam esta verdade:

“O meu alimento é fazer a vontade daquele que me enviou e realizar a sua obra” (Jo 4, 34).

Na oração do Pai-Nosso, ensinou os discípulos a pedirem para que a vontade de Deus se realize de modo perfeito na Terra, tal como se realiza no Céu” (Mt 6, 10).

O Espírito Santo habitava nele com a plenitude dos seus dons, como diz o evangelho de São João:

“Aquele que Deus enviou transmite a Palavra de Deus, pois Deus não lhe deu o Espírito por medida” (Jo 3, 34).

Podemos dizer que Jesus era profeta em plenitude, pois tinha a plenitude do Espírito Santo.

Na verdade, a revelação de Deus atingiu o limiar da plenitude com a sua mensagem.

Jesus Cristo é o profeta de Nazaré que anunciava o plano salvador de Deus com uma compreensão e profundidade à qual não chegaram os demais profetas.

É por esta mesma razão que tinha uma autoridade plena para denunciar tudo o que se opõe ao plano salvador de Deus.

Jesus Tomou sempre a defesa dos que não eram capazes de se defender.

As pessoas que tinham a sorte de o encontrar ficavam mais felizes, pois o seu jeito de se relacionar era libertador.

Como acontece com os profetas, Jesus nunca teve a pretensão de ser rico ou poderoso.

Defendia a partilha dos bens como caminho para chegar à abundância.

Se tiverem a coragem de partilhar, sugeria ele com o seu jeito de falar e agir, os bens da terra chegarão para todos e ainda vai sobrar.

Amava sem fingimento, pois era manso e humilde de coração.

Preferia conviver e acompanhar com os pobres e a gente simples.

Como tinha a plenitude do Espírito, nunca foi cobarde, e levou a sua missão até ao fim, apesar de se aperceber do perigo em que estava a incorrer.

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

A FORÇA PROFÉTICA DE JESUS DE NAZARÉ-II


II-FOI A REVELAÇÃO DA MISERICÓRDIA DE DEUS

Jamais defendeu a morte dos pecadores, apesar de sonhar com a com a destruição do pecado, essa dinâmica negativa que impede a humanização das pessoas.

Foi esta a razão pela qual inaugurou o baptismo no Espírito, pois ele sabia que só o Espírito Santo é capaz de renovar o coração das pessoas.

Costumava dizer que os seres humanos têm de nascer de novo pelo Espírito Santo, a fim de atingirem a densidade da vida nova (Jo 3,6).

Denunciava os que oprimiam em nome da política, do dinheiro ou da religião.

Passou a vida a fazer o bem. Eis a razão pela qual nunca deixou ninguém mais pobre ou com falta de sentidos para viver.

Nunca deixou ninguém mais pobre ou com falta de sentidos para viver.

Não fazia alarde dos seus gestos de doação ou generosidade.

A sua mensagem e as atitudes que tomava punham em causa as forças opressoras que dominavam a sociedade do seu tempo.

Eis a razão pela qual os poderosos não queriam que ele vivesse.
Apesar de passar a vida a fazer bem a toda a gente, eram muitos os que desejavam a sua morte.

Os que o odiavam mataram-no, pensando que, deste modo, faziam calar de uma vez por todas a sua voz profética.

Apesar de se aperceber disto, Jesus não desistiu da sua missão, pois vivia e agia como um profeta de modo total e incondicionalmente fiel.

No íntimo do seu coração, o Espírito Santo dizia-lhe que Deus toma partido pelos que gastam a vida pelas causas do amor.

Tinha a certeza de que Deus é fiel e de que a sua missão vinha dele.

Eis a razão pela qual ele estava seguro de que Deus não o deixaria ficar no vazio da morte, apesar das intenções assassinas dos seus inimigos.

Como se deu totalmente, a sua vida deixou de ser apenas sua. Ao partilhar-se totalmente, a sua vida passou a ser também nossa.

De facto, Deus confiou-lhe uma missão em favor de todos os homens.

Por isso, ao ressuscitar, a sua vida passou a ser uma vida partilhada e difundida pelo coração de todas as pessoas.

O Espírito Santo que o habitava em plenitude tornou-se o Sangue da Nova Aliança a circular nas veias do Nosso coração, comunicando-nos a vida divina (Rm 8, 14-17).

Levou o amor até à sua profundidade máxima, isto é, dar a vida por aqueles a quem se ama, como ele mesmo ensinou (Jo 15, 13.

Tornou-se a cepa da videira cujos ramos são todos os seres humanos.

À medida em que nos vai comunicando o Espírito Santo, o nosso coração é recriado e configurado com o seu coração.

Os que acolhem a sua Palavra começam a compreender e a entrar na Comunhão Universal da Família de Deus.

Os que o odiavam destruíram a sua tenda, deixando-a vazia.

Mas Deus restaurou a sua vida, fazendo dele o alicerce da Nova Humanidade.

Como pão que se reparte para alimentar os outros, partilhou os bens, a vida e a Palavra de Deus.

Só atacava o que desumaniza o homem e o impede de se realizar e ser feliz.

Nunca confundia o pecado com o pecador. Ao pecador desejava libertá-lo, curando o seu coração das feridas do seu pecado.

A vitória sobre o pecado acontece no coração das pessoas pela acção do Espírito Santo que nos vai fazendo passar do egoísmo para o amor e a comunhão fraterna.
Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

REINO DE DEUS E REALEZA DE CRISTO-I

I-CRISTO REI E O REINO DE DEUS

São Paulo diz que Jesus foi constituído rei em todo o seu poder no momento da sua ressurreição.

Nesse momento Jesus foi ungido com a força do Espírito Santo e foi entronizado como rei do Universo junto de Deus Pai (Rm 1, 3-5).

Podemos dizer que Jesus é rei, mas um rei que não se impõe às pessoas.

Eis como a Carta aos Colossenses descreve a realeza de Jesus: “Ele é a imagem perfeita do Deus invisível, a Cabeça de toda a Criação e o irmão primeiro de todos os seres humanos.
Na verdade, foi nele que todas as coisas foram criadas, nos céus e na terra, tanto as visíveis como as invisíveis (…). Todas foram criadas por ele e para ele. Ele é anterior a todas as criaturas e todas permanecem por ele.
Os cristãos são membros do seu corpo e ele é a Cabeça deste corpo.
Ele é o princípio de tudo e o primeiro a ressuscitar dos mortos. Na verdade, ele é o primeiro entre todas as coisas.
Foi do agrado de Deus que habitasse nele a medida perfeita de todas as coisas, tanto das criaturas da terra como das criaturas do céu.
Foi fiel até à morte de cruz e por isso a Criação encontrou nele o seu sentido pleno. Do mesmo modo, foi nele que a Humanidade foi reconciliada com Deus” (Col 1, 15-20).

Jesus é rei no sentido de ser o que nos conduz à comunhão do reino de Deus.

Mas não é um rei que se impõe pela força. Ele decidiu viver a sua realeza reinando com todos nós.

Ele é rei porque nos deu a sua lei que, a qual coincide com o que é melhor para nós: o mandamento do amor.

A maneira de oferecermos a Jesus condições para reinar é começarmos a viver a sério o mandamento do amor, pois Jesus Cristo só aceita reinar com a força do amor.

É esta a razão pela qual, após a sua ressurreição, ele vem todos os dias ao nosso encontro com a força do Espírito Santo, a fim de modelar o nosso coração de acordo com o seu.

Eis as suas palavras no evangelho de São João: “O meu mandamento é este: que vos ameis uns aos outros como eu vos amei.

Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida pelos seus amigos” (Jo 15, 12-13).

Quando a força de um reino é o amor, todos reinam, pois o amor cria comunhão orgânica e dinâmica.

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

REINO DE DEUS E REALEZA DE CRISTO-II

II-RESSURREIÇÃO E PRIMAZIA DE CRISTO

Antes da morte e ressurreição de Jesus, o Reino de Deus estava no meio das pessoas, diz Jesus no evangelho de São Lucas (Lc 17, 21).

Enquanto Jesus viveu na terra o Reino de Deus estava apenas a emergir no coração de Jesus, pois era aí que estava a acontecer o mistério da Encarnação, isto é, o enxerto do divino no humano.

De facto, foi no coração de Jesus que interagiam directamente a interioridade espiritual do Filho Eterno de Deus e a interioridade do homem Jesus, o Filho de Maria.

Por outras palavras, foi no coração de Jesus que a Divindade se enxertou na Humanidade, a fim de divinizar os seres humanos.

É esta a razão pela qual o Reino de Deus começou primeiro a desabrochar no coração de Jesus.

No momento da sua ressurreição, o Espírito Santo faz que o Reino de Deus esteja a crescer no coração de todos os seres humanos.

Por outras palavras, no momento da sua morte e ressurreição, Jesus passou da face exterior das coisas para a face interior que é a face da comunhão profunda e universal com toda a Humanidade.

Jesus ressuscitado, agora, aproxima-se sempre de nós a partir do interior, através do Espírito Santo que ele nos comunica.

Podemos dizer que Jesus ressuscitado está sempre presente. Vem todos os dias para comungar connosco.

Vir significa aproximar-se para interagir e comungar connosco no nosso coração.

Com a ressurreição de Jesus o Reino de Deus ficou tão perto de nós que está ao alcance de todos nós.

Basta fazer silêncio para podermos entrar no nosso interior.

São Paulo diz que Deus, pela ressurreição de Jesus, nos libertou do reino exterior das trevas e transferiu-nos para o Reino de seu amado Filho, o qual é interior (Col 1, 13).

Era isto que Jesus queria dizer quando afirmou a Pilatos que o seu Reino não é deste mundo.

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

REINO DE DEUS E REALEZA DE CRISTO-III

III-O REINO COMO COMUNHÃO UNIVERSAL

Na verdade o Reino de Deus é universal, isto é, presente a todos os seres humanos a partir do momento em que Jesus ressuscitou e difundiu para nós o Espírito Santo.

Jesus convida-nos a reinar com ele, pois o seu reino, por ser um reino de amor, é partilhado por todos.

Ninguém se impõe aos outros, pois este reino assenta sobre os pilares da comunhão orgânica.

Dizer que o reino de Deus assenta sobre os pilares da comunhão orgânica significa que a sua força vital, o Espírito Santo, circula por todos.

Eis como Jesus explicou a comunhão orgânica que constitui a essência das nossas relações com ele no Reino de Deus:

“Permanecei em mim que eu permaneço em vós. Tal como o ramo da videira não pode dar fruto por si mesmo, mas só permanecendo na videira, assim também acontecerá convosco se não permanecerdes em mim.
Eu sou a videira e vós os ramos. Quem permanece em mim e eu nele, esse dá muito fruto, pois sem mim nada podeis fazer” (Jo 15, 4-5).

Jesus foi muitas vezes a Jerusalém a proclamar a Palavra de Deus.

Mas Jerusalém não aceitou a Palavra de Deus, acabando por matar Jesus. Após a ressurreição de Jesus, Jerusalém foi destruída pelos romanos.

Como Jesus foi totalmente fiel, Deus tomou partido por ele, ressuscitando-o e fazendo dele o rei de uma Nova Jerusalém.

Nova Jerusalém é o Reino de Deus no qual há morada para todos os seres humanos e onde podemos reinar com Jesus.

Na Nova Jerusalém, diz o livro do Apocalipse, Deus está junto das pessoas humanas como um Pai bondoso está junto dos seus filhos.

Podemos dizer que a Nova Jerusalém é a morada de Deus com os seres humanos que têm um coração capaz de amar.
Eis o modo como o Livro do Apocalipse descreve a morada de Deus com as pessoas humanas:

“Vi então um Novo Céu e uma Nova Terra, pois o primeiro céu e a primeira terra tinham desaparecido. E o mar também já não existia!
E vi descer do Céu, de junto de Deus, a cidade santa, a Nova Jerusalém, já preparada como uma noiva adornada para o seu esposo no dia do casamento.
E ouvi uma voz forte que vinha do trono de Deus e gritava: “Esta é a morada de Deus entre os homens”. Ele habitará com as pessoas humanas e estas serão o seu povo.
Deus estará com eles e será o seu Deus. Ele enxugará todas as lágrimas dos olhos dos seres humanos.
Nesse encontro definitivo já não há morte, nem luto, nem pranto, nem medo, nem dor, pois as primeiras coisas passaram!” (Apc 21, 1-4).

Depois acrescenta: “Todo o que vencer vai herdar todas estas coisas. Eu serei o seu Deus e ele será o meu filho” (Apc 21, 7).

A segunda Carta de São Pedro diz que, no presente, nós somos um povo de reis, sacerdotes e profetas, com a missão de anunciarmos ao mundo as maravilhas de Deus (1 Pd 2, 9).

Na festa do Reino de Deus, nós formaremos a grande família de Deus onde o amor é a lei que une todos numa comunhão universal.


Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

sábado, 15 de dezembro de 2007

OS CONTEÚDOS DA FÉ CRISTÃ-I

I-A PALAVRA É O FUNDAMENTO DA FÉ

A Fé Cristã tem como fundamento a Palavra de Deus. Isto que dizer que a nossa fé nos capacita para vermos os acontecimentos e a vida com o olhar do próprio Deus.

É por esta razão que nós dizemos que a fé é um dom de Deus.

Na verdade, a nossa fé não é um simples resultado da reflexão humana.

Por terem como fundamento a Palavra de Deus fé, a esperança e o amor caridade são chamadas virtudes teologais, isto é, dons que brotam de Deus.

Os cristãos distinguem as virtudes teologais das virtudes morais que são o resultado do esforço humano.

Para melhor conhecermos o dom da fé, é importante conhecermos alguns dos seus aspectos Mais Importantes:

Em primeiro lugar, nós acreditamos em um só Deus, o qual é uma comunhão de três pessoas.
Acreditamos que o nosso Deus é o Criador de todo o Universo, incluindo o próprio Homem.

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

OS CONTEÚDOS DA FÉ CRISTÃ-II


II-A FÉ NA ENCARNAÇÃO

Acreditamos que, pelo mistério da Encarnação, o divino se enxertou no humano, a fim de a Humanidade ser divinizada.

Acreditamos que, em Jesus de Nazaré, se exprimia, em grandeza humana, o próprio Filho Eterno de Deus.

Acreditamos que, em Cristo, o humano e o divino fazem uma união orgânica e dinâmica, tal como a cepa da videira e os seus ramos, como o próprio Jesus nos ensinou (Jo 15, 1-8).

Acreditamos que, nesta união humano-divina, o Filho Eterno de Deus e Jesus de Nazaré, o filho de Maria, fazem um, mas sem se confundirem nem fundirem.

Acreditamos que a pessoa divina do Espírito Santo é o princípio animador das relações que se processam entre as pessoas de Deus Pai e do seu Filho.

Acreditamos igualmente que o Espírito Santo é o princípio animador da interacção directa que existe entre o Filho Eterno de Deus e Jesus de Nazaré.

É isto que queremos dizer quando afirmamos que o Filho de Deus encarnou pelo Espírito Santo.

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

OS CONTEÚDOS DA FÉ CRISTÃ-III

III-A MISSÃO DO POVO DE DEUS

Como o ser humano, só por si, não podia conhecer o mistério de Deus, nós acreditamos que Deus se revelou escolhendo, para isso, um povo para anunciar aos homens a Palavra de Deus.

Acreditamos que até Jesus Cristo o medianeiro da Revelação de Deus foi o povo hebreu.

Do mesmo modo acreditamos que, com a ressurreição de Jesus Cristo, o povo de Deus passou a ser formado pelas Igrejas cristãs.

Acreditamos que o Novo Povo de Deus, ao contrário do Antigo, não é constituído por uma raça, uma língua, uma nação ou uma nacionalidade.

Acreditamos que o Novo Povo de Deus se edifica no interior de todas as raças, línguas, povos e nações, a fim de poder anunciar a Palavra de Deus a toda a Humanidade.

Põe estar no interior de todas as raças, línguas, povos e nações, o Novo Povo de Deus é sinal de que o plano salvador de Deus é para todos os seres humanos.

Acreditamos que Deus é Amor omnipotente, mas que apenas pode aquilo que é possível ao amor realizar. Aquilo que o amor não pode fazer, Deus não o pode realizar.

Acreditamos que, por ser amor, Deus não condena ninguém. As pessoas que ficam privadas da comunhão da Família de Deus condenam-se por sua própria decisão.

Acreditamos que Deus, ao criar o Homem, interveio de modo especial através da comunicação do Espírito Santo a que o Livro do Génesis chama o hálito da vida (Gn 2, 7).

Acreditamos que o Homem é um ser em construção, tanto no aspecto físico, como psíquico, social e espiritual.

Acreditamos que a pessoa humana não se esgota na dimensão biológica e que, portanto, ao morrer, a nossa interioridade espiritual é incorporada na Família de Deus.

Acreditamos que o núcleo da Boa Nova do Evangelho não é a simples imortalidade, mas a ressurreição das pessoas com Jesus Cristo.

Acreditamos que a humanização dos seres humanos é uma tarefa ética que só pode acontecer se dissermos sim ao amor e não ao egoísmo.

Acreditamos que o anúncio do Evangelho é um serviço fundamental para o bem da Humanidade.

Na verdade, a Palavra de Deus ajuda-nos a compreender o sentido da vida e a meta para a qual estamos a caminhar.

Acreditamos que a opção de viver e agir ao jeito de Jesus é a melhor escolha para nos realizarmos e sermos felizes.

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

OS CONTEÚDOS DA FÉ CRISTÃ-IV

IV-O PLANO SALVADOR DE DEUS

A creditamos que Deus Pai é pai de Cristo e também nosso pai, pois já estamos incorporados na Família de Deus pelo Espírito Santo que nos leva a clara “Abba”, ó Papá. (cf. Rm 8, 14-16).

Acreditamos que o Filho de Deus encarnou para nos salvar.

Acreditamos que Deus perdoou os nossos pecados e nos reconciliou consigo em Jesus Cristo.

É por esta razão que nós somos Nova Criação, como diz São Paulo (2 Cor 5, 17-19).

Acreditamos que Jesus ressuscitou no próprio acto de morrer e que, no momento da sua morte conduziu todos os que o precederam na festa da Vida Eterna, como ele diz ao Bom Ladrão (Lc 23, 43).

Acreditamos que o Espírito Santo é o amor de Deus derramado nos nossos corações, comunicando-nos a vida divina (Rm 5,5).

Acreditamos que, pelo baptismo, passámos a formar a Igreja, povo escolhido para conhecer, celebrar e anunciar o amor salvador de Deus a todos os povos.

Acreditamos que a Igreja é o conjunto dos baptizados cujo coração é o Espírito Santo, tal como Cristo é a sua Cabeça.

Acreditamos que Cristo veio para destruir o pecado, a fim de nos libertar de tudo o que nos impede de sermos felizes.

Acreditamos que a destruição do pecado acontece no nosso coração pela acção do Espírito Santo que nos faz passar do egoísmo para o amor fraterno, como aconteceu com Zaqueu (Lc 19, 1-8).

Acreditamos que a Vida Eterna consiste em fazer parte da Família de Deus: filhos em relação a Deus Pai e irmãos em relação ao Filho de Deus (Rm 8, 14-16).

Acreditamos que Deus quer que todos os seres humanos se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade (1 Tm 2, 4).

Acreditamos que pelo facto de Jesus Cristo ser um homem perfeito, nós fazemos uma comunhão orgânica com ele e, com ele, somos assumidos na comunhão da Santíssima Trindade.

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

O HOMEM A QUEM CHAMAVAM LOUCO-I


I-A SUA LOUCURA ERA UM SONHO SUBLIME

Era conhecido como o louco de Vila Grande. Em geral, as pessoas referiam-se a ele em tom de quem faz troça.

Se uma pessoa começasse a falar mais a sério sobre problemas sociais ou sobre os valores, aqueles que não gostavam de aprofundar o sentido da vida diziam: “Pareces o Louco da Vila Grande!”

Certo dia, ao passar na praça principal, deparei com este homem e depressa me dei conta de que era um apaixonado pelas grandes causas que dizem respeito à vida e à dignidade humana.

Em geral, estas causas só costumam apaixonar os profetas e as pessoas que tomam Deus e o Homem a sério.

Em geral, os que enriquecem explorando e oprimindo os mais pobres e fracos detestam reflectir sobre questões deste teor.

Por seu lado, a gente mais simples e menos preparada não tinha uma consciência formada sobre estas questões e por isso não valorizava as tomadas de posição deste homem.

Eis a razão pela qual eram tão poucas as pessoas que paravam para ouvir o Louco da Vila Grande.

Parei um pouco para escutar as palavras. O seu aspecto não era vulgar, mas não me pareceu de modo algum um louco.

Eis algumas das palavras que fixei do diálogo deste homem com um pequeno grupo de pessoas que se tinham juntado à volta do Louco da Vila Grande:

“Os seres humanos, por serem livres, têm a possibilidade de criar um mundo melhor.
A liberdade é a capacidade de se relacionar fraternalmente com os outros e de interagir de modo criativo com os acontecimentos e as coisas.
Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

O HOMEM A QUEM CHAMAVAM LOUCO-II


II-A SUA FÉ NÃO ERA ALIENAÇÃO

Ao criar-nos à sua imagem e semelhança, Deus deu-nos a capacidade de amar e criar sociedades justas e fraternas.

É preciso sonhar e programar um novo tipo de sociedades onde o critério não seja apenas o lucro ou o domínio de uns homens sobre os outros.

As sociedades opressivas impedem a emergência de homens livres, capazes de criar um novo jeito de pessoas, capazes de conviver em paz e comunhão fraterna.

As sociedades onde domina a opressão e a injustiça, ao gerar homens oprimidos estão a impedir que o processo de humanização avance.

A lei da humanização é: emergência pessoal mediante relações de amor e convergência para a comunhão universal.

A emergência pessoal acontece como crescimento de pessoas capazes de se exprimirem de modo livre, consciente, responsável e de se relacionar com os outros em dinâmica de amor.

As pessoas que oprimem os outros nunca serão pessoas livres, pois a liberdade é a capacidade de se relacionar amorosamente.

Como fomos criados à imagem e semelhança de Deus, estamos talhados para construir sociedades onde o convívio e as relações assentam sobre a dinâmica do amor.

O amor é uma dinâmica de bem-querer que tem como origem a pessoa e como meta a comunhão fraterna.

Amar é eleger o outro como alvo de bem-querer, aceitando-o tal como é, apesar de ser diferente de nós, e agir de modo a facilitar a sua realização e felicidade.

Deus deu-nos a capacidade de fazermos opções, escolhas e programas em que o princípio básico seja tornar possível a realização de todas pessoas.

A cidade regida pelos princípios do amor, dizia o Louco da Vila Grande, merece receber o nome de Cidade Nova.

A edificação desta cidade, dizia ele, é obra de todos, pois só é fraterna a cidade onde todos tomam parte naquilo que a todos diz respeito.

Todas pessoas, portanto, são válidas para colaborar na tarefa da realização da Cidade Nova. Cada qual, porém, colabora com as capacidades que tem.

Eis a razão pela qual, na Cidade Nova, as pessoas sentem-se felizes, pois ninguém é obrigado a fazer aquilo para o qual não tem vocação ou aptidões.

Na Cidade Nova ninguém pensa em criar necessidades artificiais, a fim de levar as pessoas a comprar o que não necessitam.

Por outras palavras, na Cidade Nova ninguém explora os outros, nem engana as pessoas só para amontoar dinheiro.

As pessoas da Cidade Nova são educadas segundo o princípio da partilha e da ajuda mútua.

Os habitantes da Cidade Nova sabem que a partilha é o único princípio capaz de gerar abundância.

Nunca ninguém ficou mais pobre por partilhar com os outros.

Os evangelhos ensinam este princípio com os relatos das multiplicações dos pães e dos peixes, as quais resultaram do facto de as pessoas se porem a partilhar.

Na Cidade Nova todos fazem render o melhor dos seus talentos e capacidades.

As pessoas vivem felizes e tranquilas, pois sentem que as suas necessidades estão satisfeitas e têm tempo para se alegrarem em convívios fraternos.

A pessoa humana e os seus direitos fundamentais são o valor que os habitantes da Cidade Nova aprender a respeitar desde os primeiros anos da sua existência.

Eis a razão pela qual ninguém vive com medo ou ansiedade, pois ninguém procura o mal ou o prejuízo do seu irmão.
Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

O HOMEM A QUEM CHAMAVAM LOUCO-III

III-A FELICIDADE IMPLICA COMPROMISSO E FIDELIDADE

Na Cidade Nova, as pessoas não sabem o que é não encontrar sentidos para viver, pois todas se sentem amadas chamadas a amar.

O amor é considerado uma razão que vale tanto para viver como para morrer. Na verdade, quando uma pessoa morre para salvar outra, ninguém vê nisso uma falta de sentido.

Jesus disse que o amor atinge a sua realização máxima quando uma pessoa dá a vida pelos outros. Eis as suas palavras:

“É este o meu mandamento: que vos ameis uns aos outros como eu vos amei.
Ninguém tem maior amor do que a pessoa que dá a vida pelos seus amigos” (Jo 15, 12-13).

Nas cidades velhas, as pessoas definham por falta de sentidos para viver.

Na verdade, a vida sem sentidos é uma das principais causas de perturbações psíquicas e doenças mentais graves.

É por esta razão que nas cidades velhas há tantas pessoas doentes e sem gosto de viver.

Na Cidade Nova todas as pessoas se sentem aceites pelos talentos que têm, sejam muitos ou sejam poucos.

Eis a razão pela qual todos crescem, pois o homem faz-se, fazendo.

Por outras palavras, na Cidade Nova as pessoas não se sentem marginalizadas ou bloqueadas nas possibilidades de se realizarem tal como são.

Nesta cidade as pessoas sabem que cada ser humano é único, original e irrepetível.

É admirável ver como os habitantes da Cidade Nova são pessoas humildes.

A humildade é a capacidade de se relacionar com os outros numa linha de verdade e de se situar no convívio do dia a dia de modo correcto e adequado.

Desde pequeninos que os habitantes da Cidade Nova aprendem a escutar e compreender os outros.

As crianças são estimuladas a dizerem o que sentem, sem medos nem angústias.

Não há pessoa com carências na Cidade Nova. Também não acontece a desumanização devido ao excesso de riquezas.

As aspirações mais profundas das pessoas concretizam-se em projectos de vida e instituições de encontro, convívio e diálogo fraterno.

As famílias são a calda fundamental onde o amor faz acontecer a humanização das pessoas.

Nesta cidade, todas as pessoas encontram possibilidades de realização pessoal, condição essencial para serem felizes.

Os habitantes Cidade Nova são capazes de partilhar de modo espontâneo.

Todos gostam de dar o melhor de si e receber o melhor dos outros. Por isso não há pessoas machucadas.

Aprender, não é tarefa aborrecida, pois é sobretudo um empenhamento criativo.

Por isso se observa nas pessoas uma série enorme de atitudes e comportamentos que exprimem criatividade, partilha, diálogo e apreço pelos demais.

Devido aos princípios de fraternidade que modelam a consciência social da Cidade Nova, a saúde para todos é um direito plenamente adquirido.

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

O HOMEM A QUEM CHAMAVAM LOUCO-IV


IV-QUANDO AS PESSOAS SÃO ACEITES E RESPEITADAS

Nesta cidade não existem cobardes nem heróis. Não há tarefas nobres e tarefas humildes e desconsideradas. A corrupção é uma prática desconhecida, pois não é preciso mentir ou defraudar para ter o necessário.

As relações entre as pessoas assentam sobre a lealdade e o bem-querer.

Dar as mãos, na Cidade Nova, é um gesto espontâneo e cheio de verdade, pois é o sinal da amizade que alimenta os corações dos habitantes daquela cidade.

Depois de ouvir as palavras deste homem, comecei a observar as reacções das pessoas que passavam.

Em geral via-se um total desinteresse, pois ninguém estava para perder tempo a escutar as palavras de um louco.

Havia pessoas que ao passar, olhavam sorrindo-se como quem faz troça.

Eram poucas as pessoas que admiravam a paixão que dominava o coração do Louco da Vila Grande.

Os ricos e os que detinham o poder detestavam as palavras daquele louco.

Ao acabar de falar, o Louco disse ainda: “Esta noite sonhei que este é o plano de Deus para toda a Humanidade!”

Depois, desapareceu, caminhando por entre as árvores e arbustos dos jardins da Vila Grande.

Retirei-me pensativo e compreendi que os homens chamam loucura à Sabedoria que os podia libertar e ajudar a ser felizes.

Passados uns momento dei comigo a pensar que a loucura, afinal, está no coração e na cabeça dos que edificam as cidades velhas.

Nestas cidades há os que oprimem e machucam, bem como os que são oprimidos e machucados.

As cidades velhas mutilam e distorcem os homens que Deus criou à sua imagem e semelhança.

Pouco tempo depois ouviu-se dizer que o Louco da Vila grande aparecera morto junto aos esgotos da povoação.
Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias





terça-feira, 11 de dezembro de 2007

HOJE É UM DIA DE SALVAÇÃO PARA NÓS-I

I-JESUS É O NOVO ADÃO

O evangelho de São João diz-nos que Cristo Ressuscitado nos dá a Água Viva que faz jorrar no nosso íntimo a Vida Eterna (Jo. 4, 14).

Esta Água viva, acrescenta o mesmo evangelho, é o Espírito Santo que Cristo, ao ressuscitar, nos comunica de maneira nova (Jo 3, 37-39).

Deste modo, ao ressuscitar, Jesus tornou-se o Novo Adão que, através do Espírito Santo, vai corrigindo em nós as distorções operadas pelo pecado do primeiro Adão.

O Livro do Génesis diz que o primeiro Adão, devido ao seu pecado, nos fechou as portas do Paraíso (Gn 3, 23-24).

O Novo Adão abriu-nos de novo as portas do Paraíso, como Jesus diz ao Bom Ladrão no momento da sua morte e ressurreição.

Eis as palavras de Jesus: “Em verdade te digo que, hoje mesmo, estarás comigo no Paraíso (Lc 23, 42-43).

Segundo o evangelho de São Mateus, no momento em que Jesus morre e ressuscita, os justos começam a ressuscitar com Cristo (Mt. 27, 52).

Portanto, ao vencer a morte, Jesus comunicou-nos o Espírito Santo que é o sangue de Cristo ressuscitado a circular no nosso coração.

De facto, o Espírito Santo é o Sangue da Nova e Eterna Aliança que anima e fortalece a Vida Divina a circular em nós.

Por outras palavras, o Espírito Santo é o vínculo maternal que nos incorpora na comunhão da Família de Deus como filhos de Deus Pai e irmãos de Cristo (Rm 8, 14-16).

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

HOJE É UM DIA DE SALVAÇÃO PARA NÓS-II

II-ENCARNAÇÃO E SALVAÇÃO HUMANA

É também pelo Espírito Santo que Jesus de Nazaré, o Filho de Maria e o Filho Eterno de Deus, sem se confundirem, fazem um e o mesmo Cristo.

Por outras palavras, o Espírito Santo é o vínculo maternal que une e dinamiza a interioridade humana de Jesus com a interioridade divina do Filho Eterno de Deus.

Por ser homem connosco Jesus está organicamente unido a todos os seres humanos a partir do coração de cada ser humano.

Isto quer dizer que a Humanidade, organicamente unida a Jesus, forma o Cristo total.

A Humanidade, portanto, forma um todo orgânico com Jesus ressuscitado.

O evangelho de São João diz que nós somos os ramos da videira cuja cepa á Jesus Cristo (Jo 15, 1-8).

Apesar de ser um homem como nós, Jesus Cristo também pertence à esfera de Deus

Na verdade, a sua interioridade espiritual humana interage directamente com a interioridade divina do Filho de Deus, graças ao Espírito Santo, que é o animador desta reciprocidade amorosa humano-divina.

Por estar organicamente unido a nós, Cristo comunica-nos o Espírito Santo de modo intrínseco, isto é, como sangue do Senhor Ressuscitado, graças à interacção orgânica e dinâmica que nos une.

Associando a ressurreição de Jesus à comunicação do Espírito Santo, o evangelho de São João diz que a carne que Cristo nos dá na Eucaristia é uma realidade espiritual, não biológica (Jo 6, 62-63).

Por outras palavras a carne e o sangue que Jesus nos dá a comer é a comunicação do Espírito Santo que nos vivifica e diviniza.

Eis as palavras do evangelho de São João: “E se virdes o Filho do Homem ressuscitar e voltar para onde estava antes. A carne não serve para nada. As palavras que vos disse são Espírito e Vida” (Jo 6, 62- 63).

Isto quer dizer que a Eucaristia é um sacramento que proclama, visibiliza e corporiza a acção salvadora de Jesus ressuscitado a actuar em nós pelo Espírito Santo.

É esta a dinâmica do Novo Adão o qual é a cabeça da Nova Criação, como diz São Paulo (2 Cor 5, 17-19).

Com Cristo ressuscitado, a Humanidade atingiu a plenitude dos tempos, isto é, o limiar da ressurreição e integração na comunhão da Família divina.

Se Cristo não fosse homem, nós não éramos divinos, pois somos divinizados pelo facto de formarmos uma união orgânica e dinâmica com ele.

Por outras palavras, ao comunicar-nos o dom do Espírito Santo, Jesus Cristo torna-se a fonte da vida eterna para nós.

Podemos dizer que Jesus Cristo, ao ressuscitar, colocou a Vida Eterna ao nosso alcance!

Querendo afirmar que Deus não criou a Humanidade para a morte, o Livro do Génesis diz que no centro do Paraíso estava a Árvore da Vida cujo fruto dava a Vida Eterna aos que o comessem (Gn 3, 23).

Isto quer dizer que a Vida Eterna não é inerente à condição natural do ser humano, mas sim uma graça que nos vem da Árvore da Vida.

Depois o Génesis acrescenta que, devido ao seu pecado, Adão ficou impedido de comer o fruto da Árvore da Vida (Gn 3, 24).

Ao ressuscitar, Jesus Cristo abre de novo as portas do Paraíso.

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

HOJE É UM DIA DE SALVAÇÃO PARA NÓS-III

III-TALHADOS PARA SER DIVINOS

Segundo a linguagem da Eucaristia a Carne e o Sangue de Jesus, isto é, o Espírito Santo, é o fruto da Árvore da Vida:

“Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna e eu hei-de ressuscitá-lo no último dia.

Na verdade, a minha carne é uma verdadeira comida e o meu sangue uma verdadeira bebida.

Quem come a minha carne e bebe o meu sangue fica a morar em mim e eu nele.

Assim como o Pai que me enviou vive e eu vivo pelo Pai, assim também, quem me come viverá por mim” (Jo 6, 54-57).

Deste modo, a Árvore da Vida renova-nos e liberta-nos do pecado do velho Adão.

É hoje que Cristo Ressuscitado, o Novo Adão, está a fazer emergir em nós o Homem Novo.

A Primeira Carta aos Coríntios, diz que o primeiro Adão era apenas um ser vivente, enquanto Cristo Ressuscitado é um espírito vivificante, isto é, a fonte da Vida Eterna (1 Cor 15, 45).

Recorrendo à simbologia da Eucaristia, São Paulo diz que estamos organicamente unidos a Cristo, o Novo Adão, pois somos membros do seu corpo (1 Cor 12, 27).

Nós só podemos dar frutos de vida na medida em que estivermos organicamente unidos a Cristo, tal como os ramos da videira estão unidos à cepa (Jo 15, 4-5).

A seiva que vem da cepa para os ramos e os torna fecundos é o Espírito Santo.

Mediante a presença recriadora do Espírito Santo em nós, somos assumidos e incorporados na Família da Santíssima Trindade.

Isto quer dizer que a plenitude do Homem não é o humano mas o divino.

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

domingo, 9 de dezembro de 2007

PALAVRA DE DEUS E ESPERANÇA CRISTÃ-I

I-ESPERANÇA E VIDA CRISTÃ

A Vida Cristã assenta sobre os pilares fé, da esperança e do amor ao jeito de Cristo, isto é, a caridade.

A esperança tem um papel importante na nossa vida espiritual, pois é por ela que temos a certeza de conseguirmos algo que será para nós a fonte de uma felicidade plena e definitiva.

A esperança antecipa, isto é, torna presente já agora, a certeza do que havemos de possuir quando a promessa de Deus se realizar.

O horizonte da nossa esperança assenta na promessa de Deus e dá sentido à nossa fome de realização.

Eis a razão pela qual ele é fonte de esperança e garantia de uma felicidade futura.

Na verdade, é pela porta da esperança que nós podemos entrar e saborear, já hoje, o futuro que Deus preparou para nós.

É esta a razão pela qual nós, os cristãos, celebramos no presente o que havemos de ser na festa universal da Família de Deus.

A Palavra de Deus revela-nos o que havemos de ser com Deus na festa da salvação.

Ao mesmo tempo, o Espírito Santo vai realizando de modo progressivo aquilo que a Palavra nos assegura que havemos de ser.

Podemos dizer que a Palavra de Deus revela-nos aquilo que seremos em Cristo e o Espírito Santo realiza em nós isso mesmo que a Palavra nos revela.

A Esperança cristã é como uns binóculos que nos ajudam a ver o nosso futuro com os olhos da Palavra de Deus e não apenas com os olhos da inteligência humana.

Quanto mais aprofundamos a Palavra de Deus, mais começamos a olhar as pessoas e as coisas com os critérios de Deus.

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

PALAVRA DE DEUS E ESPERANÇA CRISTÃ-II


II-FIDELIDADE DE DEUS E ESPERANÇA

A Esperança dá-nos a certeza de que Deus sonhou um plano de amor onde os seres humanos têm um lugar muito especial.

Como Deus é fiel e verdadeiro, nós vamos ficando cada vez mais certos de que ele realizará aquilo que nos foi prometendo pela sua Palavra.

A esperança cristã é um dom do Espírito Santo, o qual nos ilumina e desperta no nosso coração o desejo da plenitude que Deus nos promete.

Os dons que Deus no promete não se referem apenas aos bens do corpo, mas também aos bens do espírito.

Isto quer dizer que a nossa Esperança ultrapassa os limites estreitos da vida que morre e acaba no cemitério.

A Esperança cristã abre os olhos dos crentes para vermos, não apenas os bens da Terra, mas também a Vida Eterna que viveremos com Cristo ressuscitado.

Graças à nossa esperança, nós temos a certeza de que havemos de viver para sempre na comunhão da Família Divina.

Nessa comunhão familiar seremos filhos em relação a Deus Pai e irmãos em relação a Deus Filho.

O Espírito Santo é o amor maternal de Deus que anima esta nossa comunhão com as pessoas divinas.

A Fé, a Esperança e a Caridade crescem ao mesmo ritmo.

O que distingue os cristãos dos não cristãos é que os cristãos, graças à Palavra de Deus, estão capacitados para verem as coisas ao jeito de Deus.

Isto quer dizer que uma pessoa que não tenha a Fé, a Esperança e o amor ao jeito de Cristo não é cristão.

A Esperança cristã é uma fonte de alegria, pois dá aos crentes a luz para descobrir e a força para realizar a vontade de Deus, a qual coincide exactamente com o que é melhor para nós.
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Calmeiro Matias

PALAVRA DE DEUS E ESPERANÇA CRISTÃ-III

III-A MORTE VISTA À LUZ DA ESPERANÇA

Graças à Esperança, os sofrimentos e a morte surgem para nós como acontecimentos com sentido.

Tenho a certeza, diz São Paulo, de que os sofrimentos do tempo presente nada são em comparação com a alegria e a felicidade que teremos no futuro junto de Deus (Rm 8, 18).

Graças à Esperança já podemos celebrar e saborear o que havemos de ser no futuro.

A nossa Esperança dá-nos a certeza de que a História da Humanidade faz parte de um plano de amor.

Eis as palavras que Deus disse ao povo judeu através do profeta Jeremias:

“Conheço muito bem os planos que fiz para vós, diz o Senhor.

Fiz planos para crescerdes e terdes sucesso, e não para fracassardes ou serdes destruídos.

O meu plano é fazer que tenhais um futuro bom. Tende confiança em mim, diz o Senhor.

Quando eu vos der as coisas boas que penso dar-vos, vós chamareis por mim, far-me-eis a vossa oração e eu escutar-vos-ei” (Jer 29, 11-12).

A esperança cristã é uma certeza que assenta na Palavra e na fidelidade de Deus, a qual não pode ser destruída por ninguém.

Mesmo nos momentos de dificuldade, a nossa esperança dá-nos a certeza de que não estamos sós, pois temos um Deus fiel que está connosco.

Na verdade, quando confiamos em Deus, sentimo-nos mais tranquilos, pois ele faz maravilhas em nosso favor.

Eis o que o Espírito Santo disse a São Paulo, uma vez em que ele estava desanimado por causa da sua fragilidade:

“Basta-te a minha graça, pois o meu poder libertador é perfeito quando se trata de ajudar a fraqueza de alguém” (2 Cor 12, 9).

Jesus, na última Ceia, fortalece a confiança dos Apóstolos, pois eles estavam com medo de ficar sós após a sua morte. Eis as palavras de Jesus:

“Agora estais abatidos, mas ver-vos-ei de novo e haveis de vos alegrar e já ninguém poderá tirar-vos a vossa alegria” (Jo 16, 22).

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Calmeiro Matias

PALAVRA DE DEUS E ESPERANÇA CRISTÃ-IV

IV-A VIDA ETERNA À LUZ DA ESPERANÇA

A Carta aos Colossenses dá-nos uma norma sábia para nós fortalecermos a nossa esperança. Eis o que ela diz:

“Colocai a vossa mente nas coisas do alto e não nas terrenas” (Col 3, 2).

Quanto mais a nossa mente e o nosso coração se deixam possuir pela Palavra de Deus, mais o Espírito Santo nos transforma e torna semelhantes a Jesus.

Deste modo nos tornamos membros do Corpo de Cristo, pois ele é a Cabeça da Humanidade restaurada e reconciliada com Deus, diz São Paulo (2 Cor 5, 17-18).

A nossa Esperança dá-nos a certeza de que um dia havemos de nos encontrar totalmente felizes com Cristo ressuscitado na festa da Família de Deus.

A nossa Esperança convida-nos a amar os irmãos, pois estaremos com eles para sempre como membros da Família de Deus.

A nossa Esperança assenta na Palavra de Deus.
São Paulo diz que tudo o que foi escrito nas Sagrada Escritura, foi escrito para alimentar a nossa esperança (Rm 15, 4).

Glória ao Deus Vivo que é Pai, Filho e Espírito Santo!

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Calmeiro Matias

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

A ORAÇÃO NA VIDA DE JESUS-I

I- JESUS BUSCAVA FORÇA NA ORAÇÃO

Jesus orava sempre antes dos acontecimentos mais significativos da sua vida.
Depois de ter sido baptizado, diz São Lucas, Jesus começou a orar e eis que os Céus se abriram e o Espírito Santo desceu sobre Ele em forma de pomba.

No mesmo instante ouviu-se a voz de Deus Pai dizendo: “Tu és o meu Filho muito amado no qual ponho o meu enlevo” (Lc 3, 21-22).

Jesus fez o mesmo no momento de escolher os doze Apóstolos: retirou-se para uma montanha, diz São Lucas e passou a noite em oração (Lc 6, 12-13).

Antes de perguntar aos discípulos qual o significado do Messias para eles, Jesus esteve em oração (Lc9, 18).

Jesus é apresentado nos evangelhos como um verdadeiro modelo de oração.
No momento em que se transfigurou sobre o monte Tabor, Jesus estava em oração, acrescenta São Lucas (Lc 9, 28-29).

Na última noite da sua vida, ao aperceber-se de que os soldados do sumo-sacerdote o vinham prender para o matarem, Jesus entrou em pânico.

Isto passou-se no Jardim das Oliveiras. Nesse momento, começou a orar, falando com Deus Pai sobre o medo que estava a sentir.

Depois pediu aos discípulos para orarem também, a fim de não caírem na tentação da fuga e da traição (Lc 22, 39-42).

Finalmente, quando já estava pregado na cruz, Jesus ainda orou, pedindo a Deus Pai que perdoasse o pecado daqueles que projectaram a suas morte (Lc 23, 34).

Os evangelhos apresentam Jesus como um homem que orava sempre, mas de modo particular quando tinha de tomar decisões ou enfrentar dificuldades.

Jesus nunca entendeu a oração como um conjunto de Palavras carregadas de uma força mágica capaz de modificar Deus. Pelo contrário, procurava na oração a força necessária para ser fiel à vontade do seu Pai do Céu.

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias




A ORAÇÃO NA VIDA DE JESUS-II


II-A ORAÇÃO AJUDAVA JESUS A SER FIEL

Ele costumava dizer que a sua felicidade estava em fazer a vontade do Pai que está nos Céus:
“O meu alimento, dizia ele, é fazer a vontade daquele que me enviou e realizar a sua obra” (Jo 4, 34).

Ou então: “Eu não procuro a minha vontade, mas a vontade de quem me enviou” (Jo 5, 30).
Certo dia, enquanto falava às pessoas, Jesus disse: “Se alguém é temente a Deus e faz a sua vontade, a esse, Deus o ouve” (Jo 9, 312).

Ao ensinar os discípulos a orar, Jesus disse-lhes entre outras coisas para dizerem ao Pai:
“Venha a nós o vosso Reino, faça-se a vossa vontade assim na terra como no Céu” (Mt 6, 10).
A vontade de Deus em relação a nós é a nossa realização e felicidade.

A oração, portanto, não é para modificar este querer de Deus em relação a nós, mas modifica a nossa maneira de ser, a fim de melhor podermos sintonizar com o querer de Deus.

Mediante a oração, nós vamos descobrindo a vontade de Deus e ganhamos força para agir de acordo com o que é melhor para nós.

Jesus não orava apenas por si, mas também pelos discípulos e pela humanidade.
Isto quer dizer que a comunhão com Deus não nos afasta nunca da comunhão com os irmãos.
Certo dia, Jesus disse a Pedro: “ Eu rezei por ti, Pedro, a fim de que a tua fé não vacile (Lc 22, 32).

No Evangelho de São João aparece Jesus a orar pelos Apóstolos e por todas as pessoas que um dia, haviam de acreditar através da sua pregação (Jo 17, 9-16).

Eis algumas palavras desta oração: “Pai, não peço apenas por eles (os discípulos), mas também por todos aqueles que irão acreditar em mim através da sua Palavra” (Jo 17, 20).

Uma vez ressuscitado, Jesus ficou no Céu junto ao Pai. A Carta aos Hebreus diz que Jesus, agora, no Céu, continua a pedir por nós ao Pai e a enviar-nos o Espírito Santo (Heb 7, 25).
Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias