
IV-DEUS E O BEIJO DA VIDA
A incorporação dos seres humanos na Família da Santíssima Trindade acontece porque estamos moldados de modo a encontrar a plenitude em Deus.
Enquanto fazia os preparativos para criar o Homem, Deus deu um beijo no barro primordial do qual ia sair o Homem.
Nesse momento, diz o Livro do Génesis, o hálito da vida divina, isto é, o Espírito Santo, passou para o interior do barro e o Homem torna-se barro com coração (Gn 2, 7).
Animado pela força interior do Espírito Santo, o barro foi-se humanizando de modo gradual e progressivo.
Com o acontecimento de Cristo, a marcha da humanização deu um salto de qualidade, pois atingiu o limiar da divinização.
Com efeito, diz São Paulo, a plenitude dos tempos, isto é, a fase dos acabamentos do Homem é iniciada com Cristo e nós somos incorporados na Família de Deus.
Eis as palavras de São Paulo: “Mas quando chegou a plenitude dos tempos, Deus enviou o seu Filho nascido de uma mulher, nascido sob o domínio da Lei de Moisés.
Deste modo, Deus resgatou os que se encontravam sob o domínio da Lei, a fim de estes receberem a adopção de filhos.
E porque somos filhos, Deus enviou aos nossos corações o Espírito de seu Filho que, no nosso interior, clama: “Abba, Papá”.
Deste modo, já não somos escravos mas filhos. Ora, se somos filhos também somos herdeiros pela graça de Deus” (Gal 4, 4-7).
Com o acontecimento da Encarnação, Deus deu um segundo beijo ao Homem, possibilitando a sua divinização.
Na verdade, o divino enxertou-se no humano pelo acontecimento da Encarnação, dando-nos o poder de nos tornarmos filhos de Deus (Jo 1, 12-14).
Estes dois beijos ao Homem representam os dois momentos decisivos do plano de Deus para o Homem: a criação e a salvação humana.
O beijo de Deus Pai, no princípio da criação, inicia a dinâmica da nossa humanização. O beijo de Deus Filho, na plenitude dos tempos, inicia o processo da nossa divinização (Jo 6, 57-58).
O primeiro beijo significa a intervenção especial de Deus na criação do Homem. O segundo, significa a plenitude do Homem assumido e incorporado na comunhão familiar da Santíssima Trindade.
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