quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

A CRIAÇÃO É UM PROJECTO DO AMOR DE DEUS-I


I-VÓS SOIS ANTERIOR A TODAS AS COISAS

Ainda as estrelas não existiam. Muito antes de os seres vivos habitarem a terra Deus já nos conhecia pelo nosso nome.

O Universo não tinha iniciado a sua génese evolutiva quando Deus, comunidade familiar de três pessoas, decidiu criar-nos e fazer de nós membros da sua própria família.

Foi esta a razão pela qual Deus decidiu iniciar a génese criadora do Universo cuja marcha conduziria ao limiar da vida pessoal-espiritual.

Aqui, a génese criadora daria um salto de qualidade e teria início a marcha da humanização cujo dinamismo fundamental é o amor.

Criador e Criação já podiam comungar, pois, como dizem as Escrituras, Deus é amor. Eis as suas palavras:
“Nós conhecemos o amor que Deus nos tem, pois acreditamos que ele é amor.

Por isso, quem permanece no amor permanece em Deus e Deus nele” (Jo 4, 16).

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

A CRIAÇÃO É UM PROJECTO DO AMOR DE DEUS-II


II-O AMOR É A MATRIZ DA ACÇÃO CRIADORA

Se Deus é amor, então as galáxias, as estrelas e os planetas foram criados por decisão do amor.

Deus é também o princípio que faz o amor emergir no nosso coração, conduzindo a Humanidade para a comunhão com a Divindade.

Na verdade, as pessoas divinas, apesar de serem três, são uma só divindade, isto é, uma só comunhão de amor e diálogo.

Eis a maneira como a bíblia descreve a Criação dos Céus, da Terra e dos seres vivos que habitam sobre a face da Terra:

No primeiro dia, Deus disse: “Que haja luz”. E a luz apareceu.

Deus chamou dia ao período em que o sol ilumina a terra e noite ao período em que sobre a terra habitam as trevas.

No segundo dia Deus criou os Céus, separando a terra das águas.

No terceiro dia, Deus criou as flores, as árvores e a erva verde. Criou o Sol, a Lua e as estrelas no quarto dia.

No quinto dia, Deus criou as aves do Céu e os peixes do mar.

No sexto dia da Criação, Deus decidiu-se pela criação dos animais e do Homem:

Criou os animais que habitam na terra e deu-lhes ordem para se reproduzirem, a fim de se multiplicarem e encherem a terra.

Apesar de ter criado tantas coisas, Deus ainda não tinha criado um ser que se parecesse consigo.

Se a Divindade é pessoas em comunhão familiar amorosa, um ser parecido com Deus tinha de ser pessoas que se realizassem em comunhão de amor familiar.

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias




A CRIAÇÃO É UM PROJECTO DO AMOR DE DEUS-III

III-FOI ESPECIAL A CRIAÇÃO DO HOMEM

Após uns momentos de silêncio, o Pai, o Filho e o Espírito Santo olharam-se mutuamente e sorriram, pois estavam a pensar a mesma coisa.

Então Deus Pai disse: vamos moldar uma obra-prima que sirva de cúpula ao projecto grandioso da nossa Criação.

Vamos suscitar seres que se tornem pessoas livres, conscientes, responsáveis e capazes de amar e comungar como nós.

Nessa altura já havia sobre a terra muitos guinchos e grunhidos. Também já havia muitos cacarejos e urros.

Mas não havia ninguém que fosse capaz de amar e fazer uma aliança com Deus.

Foi então que as pessoas divinas disseram: “Façamos o Homem à nossa imagem e semelhança. Façamo-lo varão e mulher” (Gn 1, 26-27).

Ao criar os seres humanos como homens e mulheres, Deus estava a preparar a Humanidade para ser uma multidão de pessoas capazes de viverem em comunhão de amor fecundo.

A Divindade é pessoas em relações de amor. Eis a razão pela qual Deus pensou na Humanidade, a qual seria, como a Divindade, uma comunhão de pessoas chamadas a realizarem-se em relações de amor.

Em seguida, Deus olhou para as coisas que tinha criado e viu que tudo era muito bom.

No final do sexto dia, diz a bíblia, Deus colocou o Homem no Paraíso, a fim deste poder realizar-se em relações de amor e, deste modo, ser feliz.

Como Adão era imagem de Deus, o Senhor colocou-o à frente da Criação como seu chefe.

Mas o Homem tornou-se infiel. Mas Deus pensou que Jesus Cristo corrigiria esta distorção de Adão:

Em vez de a Encarnação ser apenas para divinizar o Homem, seria igualmente um acto redentor, corrigindo as distorções realizadas pelo pecado humano.

E Jesus Cristo torna-se a Cabeça da Nova Criação reconciliada com Deus que decidiu não levar mais em conta os pecados dos homens (2 Cor 5, 17-19).

E Jesus Cristo torna-se, deste modo, a Fonte da Vida Eterna para nós.

Ele revela-se como a Árvore da Vida que estava no centro do Paraíso, isto é, o contexto familiar de Deus com o Homem.

Quem comer o fruto desta Árvore viverá para sempre, diz Jesus no evangelho de São João.

Deste modo, Jesus Cristo se torna o Novo Adão. A morte veio por Adão, diz São Paulo, mas Jesus converte-se na fonte da Vida Eterna (Rm 5, 17-19).

A água que brota desta fonte, diz o evangelho de São João, é o Espírito Santo, a Água Viva que, no nosso interior, faz jorrar em nós um manancial de Vida Eterna (Jo 4, 14; Jo 7, 37-39).

E a Criação, apesar do fracasso do pecado de Adão, torna-se um sucesso em Jesus Cristo, o qual se tornou a cabeça da Nova Criação (2 Cor 5, 17).

Deste modo, Deus demonstrou que nos ama de modo incondicional, enviando-nos Jesus Cristo como salvador.
Através de Jesus ressuscitado, Deus deu-nos a vitória sobre a morte gerada pelo primeiro Adão.

A força que nos dá a vida eterna é o Espírito Santo, o Sangue da Nova Aliança que circula nas veias do nosso coração e nos introduz na Família de Deus (Rm 8, 14-17).

Por ser uma obra de amor, a criação está chamada à comunhão com o Deus amor.

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

O AMOR E A VITÓRIA SOBRE A SOLIDÃO-I

I-QUANDO O CORAÇÃO ESTÁ VAZIO

Sem amor o coração humano sente-se vazio, acabando por ficar árido como um deserto ou seco como um ramo ressequido.

No coração vazio não germina a alegria que dá vigor à existência e que possibilita uma estruturação sólida da pessoa humana.

Sem amor, a pessoa não consegue construir-se como pessoa livre, consciente, responsável e capaz de comunhão.

Sem amor, o nosso coração deixa de ser ponto de encontro e comunhão com os irmãos.
No sentido espiritual, o coração é o núcleo profundo a partir do qual emerge e se configura a nossa interioridade espiritual.

É a raiz da qual brota a seiva que alimenta as relações que conduzem à plenitude da vida.
No coração vazio só habita a solidão, isto é, o tormento de não poder comungar.

Sem amor no coração, a pessoa não consegue encontrar-se nem possuir-se de modo pleno.
Na verdade, a pessoa só se possui na medida em que comunga com os outros.

Quando o coração não está habitado pelo amor, a pessoa não tem capacidade para se encontrar com os outros de modo construtivo.

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

O AMOR E A VITÓRIA SOBRE A SOLIDÃO-II

II-A DOR DA SOLIDÃO

Sem amor no coração da pessoa afunda-se num abismo insondável de silêncio.
Mesmo que grite não consegue fazer-se ouvir.

Com efeito, só encontramos eco nas pessoas com as quais nos sentimos em comunhão.
Sem amor, o coração é um espaço onde apenas habita a angústia e a solidão.

Quando o coração está vazio de amor a pessoa experimenta a morte!
Sem água, as plantas secam e os animais não podem viver. O mesmo acontece às pessoas cujo coração não habitado pela dinâmica do amor.

O amor é uma dinâmica de bem-querer que tem como origem a pessoa e como meta a comunhão.

Com um coração vazio de amor, a pessoa está privada da força necessária para construir a sua vida de maneira satisfatória e feliz.

Só o amor preenche o coração humano. Amar é eleger o outro como alvo de bem-querer, aceitá-lo como é, apesar de ser diferente de nós.

Amar é agir de modo a facilitar a realização e a felicidade dos outros.
É através do amor que a pessoa se encontra e possui. Na verdade, a pessoa só se encontra e possui plenamente na interacção amorosa com os irmãos.

Por outras palavras, a pessoa só se encontra e possui na medida em que se dá.


Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

O AMOR E A VITÓRIA SOBRE A SOLIDÃO-III

III-COMO SUPERAR A SOLIDÃO

É importante que as pessoas cujo coração está vazio procurem cultivar gestos atitudes, a fim de recuperar o vigor para o seu sem vitalidade amorosa.

Eis algumas dessas atitudes e gestos eficazes para ajudar as pessoas no sentido de recuperar o vigor e a vitalidade do coração:

Dar ânimo às pessoas que encontram abatidas ou tristes.
Ver nos outros pessoas queridas de Deus, membros da grande Família de Deus, a fim de melhor as amar e ajudar a ser felizes.

A pessoa que quer recuperar a alegria e o equilíbrio afectivo não se pode deixar dominar pelo desejo de ter sempre mais, sem pensar nos outros.

É importante resistir à tentação de querer ser sempre o maior, pretendendo sobrepor-se e dominar os demais.

É importante não se deixar conduzir apenas pelas coisas que nos são agradáveis.
É muito importante saber renunciar ao prazer de uma coisa quando isso é importante para o nosso crescimento e maturidade.

É fundamental que a pessoa mostre o seu amor e solidariedade, facilitando a vida das pessoas.
Pensar em pequenos gestos que fortaleçam as relações de amor com os conhecidos ou membros da família com quem se vive.

Evitar atitudes que possam mostrar indiferença em relação às pessoas com quem vivo, tanto em casa como na escola ou no lugar de trabalho.

É fundamental estar atento à presença do Espírito Santo que habita no nosso coração como num templo, escutando os seus apelos e sugestões.

Quando uma pessoa começa a viver com grande atenção a presença de Deus, a solidão começa a ter menos peso.

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias





domingo, 27 de janeiro de 2008

ALEGORIA DA PÁSCOA LIBERTADORA-I


I-TODAS AS TIRANIAS TÊM UM FIM

Era uma noite escura, embora calma. Deus tinha feito entender a Moisés que naquela noite iria acontecer o milagre da libertação do povo de Deus.

Os acontecimentos desta noite vão ser o sinal claro de que Deus não é indiferente face à opressão dos pobres e marginalizados.

As tiranias acabam todas por ser destruídas, mesmo que os pilares que as sustentam sejam muito fortes.

Durante várias as gerações os filhos de Abraão sofreram o tormento da escravidão no Egipto.

Por fim, esta tirania, como todas as outras, iria acabar. Deus fez saber que ia tomar partido pelos hebreus humilhados e explorados.

Moisés foi o medianeiro escolhido por Deus para liderar este processo libertador.

Moisés começou por pedir aos egípcios que dispensassem as pessoas dos seus trabalhos, a fim de ficarem livres para realizarem um culto, no deserto, ao Senhor seu Deus.
O povo hebreu estava realmente saturado dos trabalhos duríssimos e dos tormentos infligidos pelos egípcios.

Junto do povo hebreu, Moisés tentou levantar o ânimo abatido dos hebreus, a fim de poderem encontrar a coragem necessária para assumir a marcha da sua libertação.

De facto, ninguém nos pode tornar livres se nós não tomarmos parte no processo da nossa libertação.


Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

ALEGORIA DA PÁSCOA LIBERTADORA-II




II-A NOITE DA PASSAGEM DO SENHOR

Entre outras coisas, Moisés garantiu aos hebreus que a noite que se avizinhava seria uma noite gloriosa para os filhos de Abraão e um noite trágica para os egípcios.

Lembrai-vos, dizia Moisés, de que o Senhor jurou a Abraão que não permitiria que os seus filhos fossem dominados pelos seus inimigos.

Deus fez compreender a Moisés que aquela noite seria a noite da Páscoa, isto é, a noite da passagem libertadora de Deus.

Esta é a noite escolhida por Deus para intervir em vosso favor.

Entrai nas vossas casas e preparai as coisas para partir.
Os egípcios nem suspeitam o que está para lhes acontecer nesta noite.

O Senhor vai chegar como juiz. Esta noite vai julgar e condenar os nossos opressores, acrescentou Moisés.

Como mais tarde diria o profeta Oseias, o povo hebreu é o filho primogénito de Deus. Deus vai chamar o seu filho do Egipto:

“Quando Israel era ainda Menino, escreveu Oseias, eu amei o meu filho e chamei-o para que saísse da opressão do Egipto” (Os 11, 1).

Os egípcios têm esmagado o filho primogénito de Deus, dizia Moisés, tentando dar ânimo aos hebreus abatidos e sem esperança.

Esta noite a peste vai entrar nas casas dos egípcios, causando a morte de todos os seus primogénitos.

É este o sinal de que Deus vai tomar partido pelo seu filho primogénito.

A peste destruirá também os primogénitos dos animais domésticos dos egípcios.

Com estas e outras palavras, Moisés vai mentalizando os hebreus, alimentando neles a fé em Deus e a esperança na possibilidade da sua libertação.

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

ALEGORIA DA PÁSCOA LIBERTADORA-III


III-A MOBILIZAÇÃO DAS PESSOAS

Pouco a pouco, os hebreus começam a mobilizar-se, levando as famílias a preparar a refeição pascal e embalar os seus bens, a fim de poderem partir.

Esta noite, acrescentou Moisés, o Senhor Deus vai passar pelas casas dos egípcios, a fim de os castigar pelo mal que nos têm feito.

Esta é a noite da passagem de Deus, a Páscoa da libertação de todo o seu povo.

O Senhor disse-me que o Faraó vai resistir, mas ele experimentará o sofrimento experimentado pelo seu pecado.

Moisés ordena que cada família prepare um cordeiro, a fim de o sacrificar a Deus ao cair da noite.

As famílias devem cozinhar o cordeiro pascal, fazendo com ele uma refeição sagrada de louvor, dando graças pela sua Páscoa libertadora.

A ceia do cordeiro pascal ficará para sempre um sinal da ternura de Deus pelo seu povo.

Todos os anos, dizia Moisés, os filhos de Israel devem sacrificar o cordeiro pascal e cozinhá-lo, a fim de celebrarem a Ceia da Páscoa do Senhor.

Cada família, depois de ter sacrificado o cordeiro, deve pintar a porta da sua casa com o sangue do cordeiro, a fim de que o anjo da morte, quando vier castigar os egípcios, passe à frente ao ver o sangue do cordeiro nas portas das vossas casas.

Esta noite é a confirmação de que Deus é fiel e cumpre a aliança que outrora fez com Abraão.

As famílias devem comer um cordeiro juntamente com ervas amargas e pão sem fermento.

As ervas amargas recordavam aos israelitas o sofrimento amargo dos anos de escravidão no Egipto.



Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

ALEGORIA DA PÁSCOA LIBERTADORA-IV

IV-A MARCHA DA LIBERTAÇÃO

O pão ázimo, isto é, não fermentado, é o sinal da urgência. Não há tempo para deixar o pão fermentar.

Além disso, acrescentou Moisés, deveis comer de pé, a fim de estardes preparados para partir, a fim de percorrerdes o caminho da libertação.

Tende coragem, pois na terra para onde o Senhor vos vai conduzir, os frutos têm sabor a mel e a requeijão.

Ao entardecer, o povo começou a preparar a refeição. Por volta da meia-noite, quando as famílias já tinham jantado, ouviu-se um grito cheio de angústia e desespero:

Era o grito de uma mãe egípcia que acabava de perder o seu filho primogénito.

Logo a seguir, ouve-se outro grito e outro, e outro e outro e muitos outros.

Em cada família egípcia, a peste espalhada pelo anjo da morte nas casas dos egípcios, matava o primogénito, isto é, o filho mais velho dessa família.

Mas ao ver o sinal do sangue nas portas dos hebreus, o anjo da morte passava à frente.

Algum tempo depois ouve-se uma forte trombeta. Logo a seguir outra e outra. Depois ouvem-se muitas flautas.

Eram os músicos hebreus a avisar que chegara a hora de partir.

Os músicos assinalavam a hora da intervenção de Deus. As trompetes e as flautas eram o sinal da intervenção de Deus em favor dos filhos de Abraão.

Chegou o momento de iniciar a grande viagem da libertação, dizia Moisés.

Temos de ser fortes, pois a liberdade é uma conquista. Deus está connosco, mas não está em nosso lugar.

Temos de enfrentar provas difíceis: temos de atravessar o Mar Vermelho e enfrentar o perigo dos escorpiões e serpentes que abundam no deserto.

Depois acrescentou: temos de sofrer o tormento da sede, pois no deserto há pouca água.

Para termos sucesso na empresa da nossa libertação, temos de ser solidários.

Devemos dar-nos as mãos nos momentos difíceis, a fim de sermos mais fortes.

De facto, a tarefa da libertação só é possível se as pessoas forem amigas, leais e fraternas.

Segue-se depois o sinal da partida, dando início à longa viagem, a qual durou cerca de quarenta anos.

Por fim, os filhos de Abraão chegaram ao seu destino.
Muitos séculos depois, Deus visitou de novo a terra prometida através do seu Filho, o qual veio como Messias, a fim de libertar não apenas os filhos de Abraão mas toda a Humanidade.

Jesus Cristo veio para realizar uma Páscoa mais perfeita.
Na véspera da sua morte e ressurreição, Jesus inaugurou a Páscoa da Nova e Eterna Aliança, a qual é o início de uma libertação plena que Deus oferece a todos os povos, raças e nações da terra.

Ao ressuscitar, Jesus Cristo oferece à Humanidade o grande dom do Espírito Santo, o qual nos proporciona a Vida Eterna.

O Espírito Santo é o grande dom da Nova Páscoa. Através dele a Salvação ficou ao alcance de todos os seres humanos.

É pelo Espírito Santo que os seres humanos passam a fazer parte da Família de Deus.

A Ceia Pascal, agora, deixou de ser o cordeiro imolado, para ser o próprio Jesus Cristo que se dá a todos nós como alimento de vida eterna.

Ao dar-nos o Espírito Santo, Jesus inaugurou a Páscoa da Nova Aliança, fazendo-nos participar com ele da vida eterna.



Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias









sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

FALANDO COM DEUS SOBRE O HOMEM-I



I-A VOSSA IMAGEM É UM PROCESSO DINÂMICO

Deus Santo,
A nossa Fé diz-nos que o Homem é o único ser que Vós criastes à vossa imagem e semelhança.

Como Vós sois uma comunidade amorosa de três pessoas, a vossa imagem, Trindade Santa, não são seres isolados, mas pessoas a construir-se em relações e a caminhar para a comunhão universal da Família de Deus.

Podemos dizer, pois, que a imagem de Deus se está a configurar como uma comunhão orgânica, interactiva e fecunda de pessoas.

Uma pessoa que ao longo da sua vida se feche de modo progressivo ao diálogo e à comunhão com os irmãos acaba por ficar um esboço inacabado e não uma da imagem perfeita de Deus.

O Livro do Génesis diz que o casal humano, por ser uma união orgânica, interactiva e fecunda é uma imagem privilegiada de Deus. Eis as suas palavras:

“Depois, Deus disse: “Façamos o ser humano à nossa imagem e semelhança, para que domine sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu, sobre os animais domésticos e sobre todos os répteis que rastejam pela terra”.
Deus criou o ser humano à sua imagem. Deus os criou como homem e mulher.
Depois, abençoando-os, Deus disse-lhes: “Crescei e multiplicai-vos. Enchei e dominai a terra.
Dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu e sobre todos os animais que se movem na terra” (Gn 1, 26-28).

A comunhão matrimonial com seu agregado familiar são, de facto, uma imagem especial da realidade de Deus que é um comunhão familiar.

Com efeito, Deus não é um conjunto de três indivíduos, mas três pessoas em comunhão orgânica, interactiva e fecunda.

O Antigo Testamento diz que os seres humanos não devem esculpir imagens de Deus.

Na verdade, só Vós, Deus Santo, podeis esculpir uma imagem perfeita de Vós mesmo.

O grande escultor da imagem no interior dos seres humanos é o Espírito Santo, o único que entende a realidade de Deus no seu sentido mais profundo.

Eis a razão pela qual a tarefa de intervir de modo especial na Criação do Homem compete ao Espírito Santo.

Ele é o hálito da vida que, no princípio, passou de Deus para o interior do barro primordial do qual saiu o Homem (Gn 2, 7).

São Paulo, diz que o Espírito Santo é o amor de Deus derramado nos nossos corações (Rm 5, 5).

Com o seu jeito maternal de amar, o Espírito Santo vai-nos conduzindo no dia a dia da nossa vida, ajudando-nos a esculpir de modo fiel a imagem de Deus.


A CAMINHO DA NOSSA DIVINIZAÇÃO

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

FALANDO COM DEUS SOBRE O HOMEM-II



II-A NOSSA HUMANIZAÇÃO CULMINA EM VÓS

A imagem de Deus vai-se esculpindo em nós de modo gradual e progressivo, à medida em que nos vamos construindo como pessoas. Podemos dizer que a dinâmica da humanização é o próprio processo da configuração do homem como imagem de Deus

A Lei da humanização é: emergência pessoal-espiritual mediante relações amorosas e convergência para a comunhão universal.

O Espírito Santo é o grande protagonista nesta tarefa da edificação do Homem como imagem de Deus. No entanto, nunca o faz sem nós. Por outras palavras, o Espírito Santo está connosco, mas não em nosso lugar.

Quando nos opomos ao amor, estamos a bloquear a dinâmica da nossa humanização e a resistir à acção do Espírito Santo em nós.

O Homem será tanto mais imagem de Deus quanto mais se realizar como ser livre, consciente, responsável e capaz de comunhão amorosa.

Tudo isto nos quer dizer que somos seres talhados para uma comunhão universal com os outros seres humanos e com Deus.

Como a pessoa humana é um ser em construção, a imagem de Deus é uma realidade a emergir de modo gradual e progressivo. Somos pessoas a emergir como seres históricos.

Quando contamos aos outros a nossa história pessoal, estamos a desenhar para eles um esboço da imagem de Deus que nós somos. Deus Santo, Obrigado por este privilégio de nos estarmos a construir como imagem de Deus e pelo facto de, pelo mistério da Encarnação, termos sido incorporados na comunhão da Família de Deus

GRAÇAS A CRISTO RESSUSCITADO, ESTAMOS TALHADOS PARA SER DIVINOS!

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias












































quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

COMUNIDADE E VIDA CRISTÃ-I



I-COMUNIDADE E VIVÊNCIA DA FÉ

O Novo Testamento entende a comunidade cristã como uma comunhão orgânica e dinâmica de pessoas animadas pelo Espírito Santo, a Palavra de Deus e o amor fraterno.

As relações na comunidade cristã devem ser relações primárias, isto é, as pessoas conhecem-se pelo seu próprio nome e sentem-se solidárias umas com as outras.

Se tivermos presentes os critérios do Novo Testamenbto para uma evangelização perfeita e completa, nós podemos dizer o seguinte:

Evangelizar é comunicar a alegria da fé e criar condições para que esta fé seja vivida e aprofundada em comunidades fraternas.

A comunidade, animada pelo amor fraterno e o Espírito Santo, é o espaço adequado para os crentes fazerem a experiência do Senhor ressuscitado.

A comunidade cristã, diz São Paulo, é o Corpo de Cristo (1 Cor 10, 17; 12,27).

Isto quer dizer que o mundo não pode encontrar-se com Jesus ressuscitado a não ser pela mediação da comunidade cristã.

A Palavra de Deus e o Espírito Santo são as colunas sobre as quais emerge a vida comunitária e, ao mesmo tempo, faz que os crentes amadureçam na vida teologal

São Paulo diz que a comunidade cristã é uma realidade orgânica como se fosse um Corpo:
“Como sabemos, cada corpo é uno, apesar de ter muitos membros.
Deste modo, os membros do corpo, apesar de serem muitos, constituem um só corpo.
O mesmo acontece com Cristo. Na verdade, fomos todos baptizados num mesmo Espírito Santo, a fim de formarmos um só corpo, pois todos bebemos de um só Espírito Santo” (1 Cor 12, 12-13).

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

COMUNIDADE E VIDA CRISTÃ-II


II-PASSOS PARA O CRESCIMENTO COMUNITÁRIO

Na comunidade amadurecida existe um objectivo comum que é programado, decidido e executado por todos.

Não pode haver uma verdadeira comunidade cristã se as pessoas não são tomadas a sério.

Como a Palavra de Deus é sempre mediatizada pela Palavra humana.

É por esta razão que, na comunidade, todos os crentes encontram espaço para dizerem o que sentem.

A presidência comunitária é um ministério que tem como objectivo coordenar a caminhada comunitária, a fim de a comunidade crescer como corpo de Cristo.

Por outras palavras, a presidência é uma mediação para acontecer a Palavra de Deus, a comunhão orgânica e a acção do Espírito Santo.

O presidente realiza este ministério presidindo e coordenando o diálogo e a partilha, a fim de o Espírito Santo poder revelar a vontade de Deus.

Eis a importância de todas as pessoas se sentirem livres para exprimirem o seu pensamento.

Por outras palavras, apenas em contexto de diálogo fraterno a comunidade pode ter a certeza de estar a ser fiel à Palavra e ao Espírito Santo.

O Espírito Santo não prepara pessoas isoladas para a causa do Evangelho, pois não há telefonemas do Céu para pessoas isoladas.

É sempre pela mediação de alguém que as pessoas recebem a Palavra que gera a fé, pois ninguém chega à fé sozinho.

Os membros da comunidade são mediações da Palavra e do Espírito Santo uns para os outros.

Ninguém deve ser marginalizado na comunidade, pois todos têm alguma aportação para enriquecer a vida comunitária.

A fé sincera em Deus leva os membros da comunidade a acreditarem uns nos outros.

Com efeito, não acredita sinceramente em Deus quem está constantemente a desconfiar dos irmãos.

Eis a razão pela qual na comunidade não existem pessoas que pretendem ser o padrão e as detentoras da verdade.

Ninguém substitui os outros nas tarefas e ministérios que lhes estão atribuídos, mas todos estão dispostos a ajudar-se mutuamente.

Numa comunidade amadurecida não há homens faz-tudo, pois estes minam e destroem a vida comunitária.

Os homens faz-tudo levam os irmãos a demitir-se da vida comunitária, pois sentem-se marginalizados.

É melhor haver muitos a fazer pouco do que poucos a fazer tudo.
Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

COMUNIDADE E VIDA CRISTÃ-III


III-COMUNIDADE E CRESCIMENTO PESSOAL

Na comunidade amadurecida existe uma paixão comum a todos os membros: o amor a Jesus Cristo e a paixão por anunciar o Evangelho.

As capacidades e qualidades das pessoas são diferentes, por isso ninguém está a mais.

As qualidades das pessoas, dinamizadas pelo Espírito Santo, tornando-se carismas, isto é, dons em favor dos irmãos.

Na verdade, a riqueza fundamental da comunidade é constituída pelas pessoas que a compõem.

Por outras palavras, a comunidade é a calda que optimiza e potencia as capacidades das pessoas.

Os que pretendem fazer das normas, preceitos ou regras a principal riqueza da comunidade não entendem o mistério da vida comunitária animada pelo Espírito Santo.

São Lucas, numa alusão ao farisaísmo que vivia fazendo apenas o que mandavam as normas leis e preceitos diz que estes são servos inúteis (Lc 17,10).

No evangelho de São Mateus, Jesus diz que veio para cumprir as leis, normas e preceitos da lei mosaica até à mínima vírgula e ao último ponto (Mt 5, 17).

Mas nós sabemos que uma das principais causas que levaram os judeus a matar Jesus foi o facto de ele não respeitar as normas do sábado, as leis do jejum ou o preceito das lavagens rituais.

Jesus queria dizer que o pleno cumprimento das normas, preceitos e leis do judaísmo, se cumprem se forem substituídas pelo amor.

Os que vivem movidos pelo amor não são servos inúteis, pois têm de criar todos os dias as atitudes adequadas aos apelos e exigências do amor.

Eis as palavras de Jesus no evangelho de São João:
“Dou-vos um mandamento novo: que vos ameis uns aos outros como eu vos amei.
As pessoas saberão que sois meus discípulos se vos amardes uns aos outros” (Jo 13, 34-35).

Como vemos, a nota que distingue o discípulo de Jesus não é limitar-se a fazer o que está mandado nas leis normas e preceitos, mas a ser criativo segundo os apelos do amor.
A comunidade é o espaço adequado para a vivência do baptismo no Espírito, o qual se prolonga por toda a vida do crente.

O baptismo no Espírito é vivido na comunidade na medida em que sejam criadas as oportunidades para que todos possam tomar parte na oração, nas celebrações da fé, e na partilha da Palavra.

Quando há profundidade de vida espiritual, a oração é vivida como encontro com Deus.

Este encontro acontece no coração de cada crente pela mediação dos irmãos.

É certo que a palavra humana não é nunca a Palavra de Deus em estado puro. Mas a palavra de Deus não acontece em nós sem a mediação da palavra humana.

Numa comunidade assim que emergem pessoas adultas na fé, capazes de se realizarem como apóstolos e profetas.

Senhor Deus,
Glória a Vós que sois a fonte da qual emerge toda a vida comunitária, pois sois uma comunhão familiar de três pessoas.
Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

DIÁLOGO COM DEUS SOBRE A SUA CRIAÇÃO-I


I-OBRIGADO PELO VOSSO PLANO CRIADOR

Deus Santo,
Vós sois realmente o Deus único e verdadeiro!

Obrigado pelo vosso plano criador que está a acontecer como um processo lógico e com uma meta que é o encontro definitivo convosco.

Nós conhecemos o vosso plano criador por que Vós, Deus fiel e verdadeifro, no-lo revelastes.

Trindade Divina,
Só Vós podeis compreender e enunciar de modo adequado e correcto o conjunto das realidades criadas. Eis a razão pela qual Vós sois a fonte da verdade.

Podemos dizer que a verdade é a compreensão e enunciação adequada e correcta da realidade de Deus, do Homem, da História e do Universo.

Isto quer dizer que a verdade só pode habitar de modo perfeito e pleno em vós que sois o autor de todas as realidades, inclusive dá vossa própria realidade.

Graças à Palavra que nos comunicaste através de Jesus de Nazaré, nós temos acesso, embora de modo limitado, à vossa Verdade.

Na verdade, crescer na compreensão da vossa Palavra é crescer na verdade.

É esta a razão pela qual Jesus diz no evangelho de São João que ele mesmo é a Verdade (Jo 14, 6).

Com efeito, só com a luz da Palavra que ele nos transmitiu nós podemos compreender o sentido da criação e orientar a nossa vida no caminho da nossa realização, a qual converge para a plenitude da vossa criação.

Quando iluminadas pela Verdade que brota da Vossa Palavra, as nossas decisões, opções e realizações caminham na direcção do vosso plano criador e, portanto, no sentido da nossa plena felicidade.

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

DIÁLOGO COM DEUS SOBRE A SUA CRIAÇÃO-II


II-O UNIVERSO É UM POEMA VIVO E EM GÉNESE

Deus Santo,
Como sois o Criador de todas as coisas, só Vós conheceis as condições adequadas e necessárias para as vossas criaturas atingirem a sua meta e perfeição.

Obrigado por terdes criado este Universo pleno de sentido e cheio de harmonia.

Vós sois, Deus Santo, a fonte de toda a perfeição. Quando criais, vós estais a fazer acontecer beleza e poesia.

Hoje mesmo continuais a escrever o poema magnífico deste Universo em gestação.

São biliões de estrelas cuja luz chega até nós através do céu infinito que prolonga o azul do mar e alarga as fronteiras do horizonte.

Dizer o vosso poema é dar sentido ao Universo que nos envolve como um útero materno.

São estrelas e galáxias. São nebulosas, essas obras-primas que brilham no Universo como aguarelas coloridas de gases e poeiras.

São auroras boreais a enfeitar o Céu com combinações de cores que os pintores não conseguem igualar.

São sistemas solares, planetas, asteróides e cometas. Estas e tantas outras maravilhas são os versos bonitos do poema dinâmico que é o Cosmos.

Deus Santo,
Mas no centro deste poema está o verso fundamental sem o qual o vosso poema ficaria pobre de sentido: Jesus Cristo, a origem e a plenitude da Criação.

É ele o verso central deste poema universal a caminhar para a plenitude do seu plano.

Ele é o Logos, isto é, a Palavra Divina que se exprimiu em grandeza humana, graças ao mistério da Encarnação.

Ele confere sentido pleno, não apenas ao Universo, mas também, e sobretudo, ao Homem em construção.

O Espírito Santo é a presença dinâmica que harmoniza e confere sentido a este poema inacabado.

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

DIÁLOGO COM DEUS SOBRE A SUA CRIAÇÃO-III


III-VÓS SOIS A PLENITUDE DE TODAS AS COISAS

Trindade Santa,
Vós sois uma comunhão de três pessoas cujo coração é o diálogo amoroso do Pai, com o Filho no Espírito Santo.

Vós sois, na verdade, um Deus comunicação. A nossa fé assegura-nos de que sois três pessoas em relações e comunhão amorosa.

É coerente este Universo que medimos em anos-luz. No ponto mais alto da sua emergência está, plano divino da salvação realizado em Jesus.

O Filho Unigénito de Deus e o filho de Maria estão unidos de modo orgânico, fazendo um e o mesmo Cristo.

Por outras palavras, Jesus Cristo é o ponto de encontro do melhor de Deus com o melhor da Humanidade.

Eis a razão pela qual ele é a cúpula deste poema deste vosso poema de amor que é o Universo a emergir de modo gradual e progressivo.

Foi nele que o Divino se enxertou no Humano, a fim deste ser divinizado.

Espírito Santo,
És tu quem prepara as nossas mentes e os nossos corações, a fim de podermos declamar de modo correcto e adequado a história deste amor criador junto dos nossos irmãos.

Anunciar o teu plano de amor criador e salvador é uma obra de amor.

Podemos dizer que quem se furta a esta missão não merece o nome de cristão!

Deus Santo,
O vosso Poema é uma Boa Nova, pois nenhum de nós podia imaginar tamanha sorte.

Graças a Cristo ressuscitado, já não nos sentimos perdidos num Universo sem sentido, nem estamos a caminhar para o vazio da morte.

O epílogo do vosso poema é, Deus Santo, o verso da plenitude.

Fala da plenitude da vida na qual todos os seres humanos são convidados a dançar o ritmo do amor.

Na comunhão universal da vossa Família todos dançam o ritmo do amor, mas cada qual com o jeito que tiver treinado enquanto se construía na história.

Obrigado, Deus Santo, pois na festa definitiva do Vosso Reino todos se compreendem e dão as mãos.

Eis a razão pela qual, na festa do vosso Reino, não há lugar para a morte e a solidão.

Glória a Vós, Trindade Santa, porque sois relações de comunhão familiar.


Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

SER CRISTÃO É SER EVANGELIZADOR-I


I-O CRISTÃO TEM DE SER UM EVANGELIZADOR

Todos os cristãos estão chamados a ser anunciadores de Cristo ressuscitado.

Este chamamento vem do próprio Cristo ressuscitado que nos dá o Espírito Santo, a fim de iluminar a nossa mente e fortalecer o nosso coração para o serviço do Evangelho.

No dia a dia da nossa vida, o Espírito Santo consagra-nos para realizarmos de modo adequado e cada qual com os seus talentos, a evangelização no nosso mundo.

O Espírito Santo ajuda-nos a compreender o sentido das Escrituras, tornando-nos aptos para anunciar a Palavra que nos faz compreender e saborear o projecto de Deus.

A acção evangelizadora do cristão é uma exigência que deriva da sua própria Fé.

Na verdade, sem o dom da Fé, ninguém pode ser evangelizador, pois não tem condições para saborear o sentido do plano salvador de Deus.

A acção evangelizadora é o modo concreto de o cristão viver o baptismo no Espírito, isto é, a dinâmica reveladora do Espírito Santo, a qual nos confere a sabedoria do Evangelho.

Evangelizar é contar a história de um amor incondicional, o qual confere um sentido pleno à nossa existência na História.

Evangelizar é proclamar a divinização do Homem, graças ao dom do Espírito Santo que nos incorpora na Família de Deus (Rm 8, 14-17).
Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

SER CRISTÃO É SER EVANGELIZADOR-II

II-BAPTISMO NO ESPÍRITO E EVANGELIZAÇÃO

Pelo baptismo os cristãos são consagrados, isto é, capacitados e postos ao serviço da evangelização dos irmãos.

Deus conta connosco segundo os talentos que temos. É com o leque de talentos que temos que o Espírito Santo nos consagra para a tarefa da evangelização do mundo.

A Palavra de Deus faz emergir no nosso coração a Sabedoria que vem do alto a qual nos capacita para saborear o plano salvador de Deus.

Como sabemos, a Fé brota da Palavra. Ao dizer no nosso coração o sentido profundo da Palavra de Deus, o Espírito Santo comunica-nos os dons que nos capacitam para a obra do Evangelho.

Eis o que São Paulo diz a este respeito: “Por seu lado são estes os frutos do Espírito Santo: amor, alegria, paz, paciência, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão e auto domínio” (Ga 5, 22-23).

À medida em que o cristão possui uma Fé bem fundamentada na Palavra de Deus, torna-se mediação do Espírito Santo, a fim de o amor salvador de Deus ser anunciado aos homens.

O evangelizador precisa da força que vem do Espírito Santo, a fim de ter a coragem necessária para denunciar os falsos deuses que dominam os homens e os impedem de ser livres e felizes.

Eis alguns desses falsos deuses que se manifestam no nosso mundo:

Fome de poder, apego exagerado ao dinheiro, ânsia de ser famoso, desejo de dominar e explorar os outros.

São Paulo dizia que a sua vocação de evangelizador é uma graça muito especial de Deus.

Na Carta aos Efésios São Paulo fala desta graça especial que torna apto o evangelizador.

Eis as suas palavras: “Foi-nos dada a graça de anunciar aos gentios a maravilhosa salvação de Jesus Cristo” (Ef 3, 8).

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

SER CRISTÃO É SER EVANGELIZADOR-III

III-A URGÊNCIA DA EVANGELIZAÇÃO

No nosso coração, o Espírito Santo repete em cada dia da nossa vida as palavras que Jesus disse aos discípulos:

“A Seara é grande, mas os operários são poucos. Pedi, pois, ao dono da seara que mande operários para a sua seara” (Lc 10, 4-5).

Os cristãos que escutam no seu coração os apelos do Espírito Santo compreendem bem as palavras que o evangelho de São Mateus põe na boca de Jesus quando diz:

“Vós sois o sal da terra. Ora, se o sal se corromper, com que se há-de salgar? Não serve para mais nada, senão para ser lançado fora e ser pisado pelos homens” (Mt 5, 13).

E um pouco mais à frente, Jesus acrescenta: “Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade situada sobre o monte.

Também não se acende a candeia para a colocar debaixo da mesa, mas sim em cima do candelabro, a fim de iluminar as pessoas.

Assim brilhe a vossa luz diante dos homens, a fim de que vendo as vossas boas obras glorifiquem o vosso Pai que está nos céus” (Mt 5, 14-16).

Como ternura maternal de Deus, o Espírito Santo gera no interior do cristão um coração evangelizador semelhante ao de Jesus.

O evangelho de São Mateus pede-nos para modelarmos o nosso coração em harmonia com o coração de Jesus, pois este é o modo de sermos eficazes na obra da evangelização.

Eis as palavras de Jesus: “Tomai sobre vós a minha carga e aprendei de mim que sou manso e humilde de coração.

Deste modo encontrareis alívio para as vossas vidas” (Mt 11, 29).
Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

SER CRISTÃO É SER EVANGELIZADOR-IV

IV-O EVANGELIZADOR E O ESPÍRITO SANTO

Graças ao dom da Fé, os cristãos sabem que não estão sozinhos para realizar a enorme missão da evangelização do mundo.

O Espírito Santo é o primeiro protagonista desta tarefa grandiosa.

É ele que nos capacita, tornando-nos fortes e ousados, conscientes de que não estamos sozinhos na tarefa da evangelização.

O Novo Testamento insiste em que a Fé nos faz participar do próprio poder de Deus, capacitando-nos para fazermos maravilhas.

Eis algumas afirmações dos evangelhos que nos asseguram de que podemos dispor da força de Deus para realizarmos a obra do Evangelho:

“Se acreditas, todas as coisas são possíveis para aquele que acredita” (Mc.9,23).

A fé converte-nos em crentes capazes de realizarmos as maravilhas que Deus realiza pelos seus apóstolos.

Mas temos de estar sempre preparados através da oração e meditação das Escrituras.

Eis o que diz o evangelho de São Lucas: “Jesus abriu-lhes a mente, a fim de entenderem as Escrituras” (Lc.24,45).

No evangelho de São Marcos, Jesus dá-nos a garanti de que, se acreditarmos, e tomarmos Deus a sério teremos pleno sucesso nas nossas vidas:

“Todas as coisas são possíveis para aquele que acredita” (Mc.9,23).

E São Mateus acrescenta: “Se tiveres fé nada será impossível para ti” (Mt.17,21). E ainda: “Faça-se segundo a tua fé” (Mt.9,29).

Na verdade, Deus está em nós e por nós, embora nunca esteja em nosso lugar.

O Espírito Santo optimiza as nossas capacidades e possibilita-nos a realização de maravilhas, embora sem jamais nos substituir.

Quando agimos movidos pela Fé, o nosso pensamento e a nossa acção ficam em sintonia com Deus.

Eis como São Paulo explica isto na Carta aos Romanos:
“Não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos, renovando a vossa mente, a fim de poderdes discernir sobre a vontade de Deus, descobrindo o que é bom, agradável e perfeito” (Rm.12,2).

Mas nada disto acontecerá se não soubermos com quem podemos contar.

O evangelho de São João diz-nos claramente que a nossa vida só dará frutos de vida se estivermos unidos a Cristo.

Ele é a cepa da videira e nós os ramos. A seiva que alimenta esta união orgânica, dinâmica e fecunda é o Espírito Santo, como diz Jesus:

“Permanecei em mim que eu permanecerei em vós. Tal como o ramo não pode dar fruto por si mesmo, mas só permanecendo na videira, assim também acontecerá convosco se não permanecerdes em mim.

Eu sou a videira e vós os ramos. Quem permanece em mim e eu nele, esse dá muito fruto, pois sem mim nada podeis fazer” (Jo 15, 4-5).

É fundamental estarmos unidos a Cristo e deixarmo-nos conduzir pelo Espírito Santo, a fim de a nossa acção evangelizadora ser fecunda.

“Se vivemos pelo Espírito Santo, diz São Paulo, devemos também orientar a nossa vida em harmonia com o mesmo Espírito Santo” (Ga.5, 25).

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias


quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

COMO ANUNCIAR A REALEZA DE JESUS CRISTO-I

I-RESSURREIÇÃO E REALEZA DE CRISTO

São Paulo diz que Jesus foi constituído rei em todo o seu poder no momento da sua ressurreição.

Nesse momento ele foi ungido com a força do Espírito Santo e entronizado como rei do Universo junto de Deus Pai (Rm 1, 3-5).

Podemos dizer que Jesus é rei, mas um rei que não se impõe às pessoas.

Eis como a Carta aos Colossenses descreve a realeza de Jesus:

“Ele é a imagem perfeita do Deus invisível, a Cabeça de toda a Criação e o irmão primeiro de todos os seres humanos.

Na verdade, foi nele que todas as coisas foram criadas, nos céus e na terra, tanto as visíveis como as invisíveis (…). Todas foram criadas por ele e para ele.

Ele é anterior a todas as criaturas e todas permanecem por ele.

Os cristãos são membros do seu corpo e ele é a Cabeça deste corpo.

Ele é o princípio de tudo e o primeiro a ressuscitar dos mortos. Na verdade, ele é o primeiro entre todas as coisas.

Com efeito, foi do agrado de Deus que habitasse nele a medida perfeita de todas as coisas, tanto das criaturas da terra como das criaturas do céu.

Foi fiel até à morte de cruz e por isso a Criação encontrou nele o seu sentido pleno.

Do mesmo modo, foi nele que a Humanidade foi reconciliada com Deus” (Col 1, 15-20).

Jesus é rei no sentido de ser o que nos conduz à comunhão do reino de Deus.

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

COMO ANUNCIAR A REALEZA DE JESUS CRISTO-II

II-A SUA LEI É O MANDAMENTO DO AMOR

Uma vez constituído rei, ele decidiu reinar com todos nós.

Ele é rei porque nos deu a sua lei que, a qual coincide com o que é melhor para nós: o mandamento do amor.

A maneira de oferecermos a Jesus condições para reinar e para reinarmos com ele é obedecermos ao mandamento do amor.

De facto, Jesus é um rei que só reina com a força do amor.

É esta a razão pela qual, após a sua ressurreição, ele vem todos os dias ao nosso encontro com a força do Espírito Santo, a fim de modelar o nosso coração de acordo com o seu.

Eis as suas palavras no evangelho de São João: “O meu mandamento é este: que vos ameis uns aos outros como eu vos amei.

Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida pelos seus amigos” (Jo 15, 12-13).

Quando a força de um reino é o amor, todos reinam, pois o amor cria comunhão orgânica e dinâmica.

Antes da morte e ressurreição de Jesus, o Reino de Deus estava no meio das pessoas, diz Jesus no evangelho de São Lucas (Lc 17, 21).

Enquanto Jesus viveu na terra o Reino de Deus estava apenas a emergir no coração de Jesus, pois era aí que estava a acontecer o mistério da Encarnação, isto é, o enxerto do divino no humano.

De facto, foi no coração de Jesus que interagiam directamente a interioridade espiritual do Filho Eterno de Deus e a interioridade do homem Jesus, o Filho de Maria.

Por outras palavras, foi no coração de Jesus que a Divindade se enxertou na Humanidade, a fim de divinizar os seres humanos.

É esta a razão pela qual o Reino de Deus começou primeiro a desabrochar no coração de Jesus.

No momento da sua ressurreição, o Espírito Santo faz quer o Reino de Deus esteja a crescer no coração de todos os seres humanos.

Por outras palavras, no momento da sua morte e ressurreição, Jesus passou da face exterior das coisas para a face interior que é a face da comunhão profunda e universal com toda a Humanidade.

Jesus ressuscitado, agora, aproxima-se sempre de nós a partir do interior, através do Espírito Santo que ele nos comunica.

Podemos dizer que Jesus ressuscitado está sempre presente. Vem todos os dias para comungar connosco.

Vir significa aproximar-se para interagir e comungar connosco no nosso coração.

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

COMO ANUNCIAR A REALEZA DE JESUS CRISTO-III


III-REALEZA DE CRISTO E REINO DE DEUS

Com a ressurreição de Jesus o Reino de Deus ficou tão perto de nós que está ao alcance de todos nós.

Basta fazer silêncio para podermos entrar no nosso interior.

A Carta aos Colossenses diz que pela ressurreição de Jesus, Deus libertou-nos do reino exterior das trevas e transferiu-nos para o Reino de seu amado Filho, o qual é interior (Col 1, 13).

Era isto que Jesus queria dizer quando afirmou a Pilatos que o seu Reino não é deste mundo.

Na verdade o Reino de Deus é universal, isto é, presente a todos os seres humanos a partir do momento em que Jesus ressuscitou e difundiu para nós o Espírito Santo.

Jesus convida-nos a reinar com ele, pois o seu reino, por ser um reino de amor, é partilhado por todos.

Ninguém se impõe aos outros, pois este reino assenta sobre os pilares da comunhão orgânica.

Dizer que o reino de Deus assenta sobre os pilares da comunhão orgânica significa que a sua força vital, o Espírito Santo, circula por todos.

Eis como Jesus explicou a comunhão orgânica do seu reino: “Permanecei em mim que eu permaneço em vós.

Tal como o ramo da videira não pode dar fruto por si mesmo, mas só permanecendo na videira, assim também acontecerá convosco se não permanecerdes em mim.

Eu sou a videira e vós os ramos. Quem permanece em mim e eu nele, esse dá muito fruto, pois sem mim nada podeis fazer” (Jo 15, 4-5).

Jesus foi muitas vezes a Jerusalém a proclamar a Palavra de Deus.

Mas Jerusalém não aceitou a Palavra de Deus, acabando por matar Jesus.

Após a morte e ressurreição de Jesus, Jerusalém foi destruída pelos romanos.

Deus tomou partido por Jesus, ressuscitando-o e fazendo dele o rei de uma Nova Jerusalém.

A Nova Jerusalém é o Reino de Deus no qual há morada para todos nós e onde todos podemos reinar com Jesus.

Na Nova Jerusalém, diz o livro do Apocalipse, Deus está junto de todos como um Pai bondoso está junto dos seus filhos.

A Nova Jerusalém, portanto, é a morada de Deus com todos os seres humanos que escolheram o amor como seu jeito de viver.

Eis o modo como o Livro do Apocalipse descreve a morada de Deus onde também há moradas para todos nós:

“Vi então um Novo Céu e uma Nova Terra, pois o primeiro céu e a primeira terra tinham desaparecido. E o mar também já não existia!

E vi descer do Céu, de junto de Deus, a cidade santa, a Nova Jerusalém, já preparada como uma noiva adornada para o seu esposo no dia do casamento.

E ouvi uma voz forte que vinha do trono de Deus e gritava: “Esta é a morada de Deus entre os homens”. Ele habitará com as pessoas humanas e estas serão o seu povo.

Deus estará com eles e será o seu Deus. Ele enxugará todas as lágrimas dos olhos dos seres humanos.

Nesse encontro de Deus com as pessoas humanas já não há morte, nem luto, nem pranto, nem medo, nem dor, pois as primeiras coisas passaram!” (Apc 21, 1-4).

Depois acrescenta: “Todo o que vencer vai herdar todas estas coisas. Eu serei o seu Deus e ele será o meu filho” (Apc 21, 7).

Como sabemos, Deus é uma Família de três pessoas. Nesta família todas as pessoas reinam.

A Segunda Carta de São Pedro diz que os cristãos são um povo de reis, sacerdotes e profetas, a fim de anunciarem ao mundo as maravilhas de Deus (1 Pd 2, 9).

Na festa do Reino de Deus, nós formamos a grande família de Deus onde a lei é a mesma para todos: o amor.

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

DIÁLOGO COM O DEUS QUE NOS QUER PARA SI-I

I-VÓS SOIS A ORIGEM DO NOSSO SER

Deus Santo,
Pela Fé nós sabemos que sois um Deus sempre presente e próximo.

Podemos dizer que sois a interioridade máxima de todas as realidades.

No ponto onde termina a nossa interioridade espiritual limitada, começa a vossa interioridade espiritual ilimitada.

Isto quer dizer que sois um Deus sempre presente. O ponto de encontro entre nós e vós, Deus Santo, é o nosso coração.

O Espírito Santo é a pessoa divina que nos põe em Comunhão convosco, Pai, e com o vosso Filho Unigénito, incorporando-nos, assim, na Família de Deus.

Com o seu jeito maternal de amar, o Espírito Santo leva-nos a clamar por vós, Pai, gritando: “Abba”, ó Pai! (cf. Rm 8, 14-15).

Por isso São Paulo diz que o Espírito Santo é o amor de Deus derramado nos nossos corações (Rm 5, 5).

Apesar de estares tão próximo, tu nunca nos invades. Insinuas-te, mas nunca te impões.

Tu ages em nós quando, Espírito Santo, na medida em que nós proporcionamos condições para essa acção.

Deus Santo,
A Primeira Carta de São João diz que Vós sois Amor (1 Jo 4, 7-8).

Eis a razão pela qual nos tomais tão a sério. De facto, nunca nos manipulais nem jogais connosco. Estais connosco, mas nunca estais em nosso lugar.

A vossa presença junto a nós é dinâmica, criativa e amorosa.

Graças à vossa presença e dinamismo no nosso coração a Humanidade está a emergir de modo único, original e irrepetível em cada ser humano.

Trindade Santa, a Vossa presença no nosso íntimo acontece pelo Espírito Santo, a terceira pessoa da Família Divina.

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

DIÁLOGO COM O DEUS QUE NOS QUER PARA SI-II


II-HABITAIS EM NÓS PELO ESPÍRITO SANTO

Espírito Santo,
Quando abrimos o nosso coração ao amor, tu tornas-te em nós uma presença que nos faz renascer, pois o nosso espírito é uma realidade viva a crescer e a fortalecer-se em nós.

Cresce dentro do nosso corpo como o pintainho dentro do ovo.

A Bíblia identifica o Espírito Santo com o hálito da Vida Divina que nos faz emergir como seres espirituais.

Eis as palavras do Livro do Génesis: “Então o Senhor Deus formou o Homem do pó da terra e insuflou-lhe pelas narinas o hálito da vida.

Foi então que o Homem se transformou num ser vivo” (Gn 2, 7).

É deste modo que acontece a vossa intervenção especial na criação do Homem, a qual não aconteceu com nenhum outro ser.

Por nascermos inacabados, levamos connosco a grande tarefa da nossa construção. Nascemos para nos irmos construindo.

Eis como Jesus explica esta verdade a Nicodemos no evangelho de São João:

“Em verdade em verdade te digo: quem não nascer do Alto, não pode ver o Reino de Deus.

Nicodemos perguntou: “Como pode um homem nascer sendo velho? Porventura poderá entrar de novo no ventre de sua mãe e nascer?

Jesus respondeu-lhe: “Em verdade te digo: quem não nascer do Espírito Santo não pode entrar no Reino de Deus.

Aquilo que nasce da carne é carne, e aquilo que nasce do Espírito é Espírito” (Jo 3, 3-6).

Com este ensinamento, Jesus quis dizer que a pessoa humana é um ser em processo de humanização, o qual implica o próprio crescimento espiritual.

Na verdade, os seres humanos não nascem acabados, nem mesmo ao nível espiritual.

Glória a Vós, Deus Santo que sois Pai, Filho e Espírito Santo!
Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

DIÁLOGO COM O DEUS QUE NOS QUER PARA SI-III

III-VÓS SOIS O NOSSO PRINCÍPIO E A NOSSA META

Deus Santo
A realização de uma pessoa é um processo histórico. De facto, para nos dizermos, temos de contar uma história.

É por esta razão que, ao querermos comunicar-nos em profundidade, sentimos uma necessidade enorme de contar a nossa história.

Na verdade, somo seres que se estruturam de modo gradual e progressivo.

A dinâmica que faz avançar esta estruturação pessoal é o amor.

Podemos dizer que o bem amado vai emergindo como pessoa bem estruturada. Só o amor possibilita uma boa estruturação pessoal.

O mal amado, pelo contrário, emerge como pessoa mal estruturada e por isso complicada e condicionada nas suas possibilidades de realização pessoal.

Nascemos com um leque de talentos que são a condição básica da nossa realização pessoal.

Ninguém é herói por ter recebido muitos talentos. Também não somos culpados se o feixe das nossas capacidades é limitado.

A heroicidade está na fidelidade aos talentos que recebemos.

Na sua longa caminhada, a marcha evolutiva acabou por dar o salto para a densidade da vida pessoal.

Isto que dizer que a vida se tornou proporcional a Deus.

Em comunhão Convosco
Calmeiro Matias

DIÁLOGO COM O DEUS QUE NOS QUER PARA SI-IV


IV-ESTAMOS TALHADOS PARA VÓS

Deus Santo,

A nossa fé diz-nos que, tal como a Humanidade, também a divindade é pessoas.

Por isso já pode acontecer intercâmbio e comunhão humano-divina.

Por outras palavras, Com a emergência do Homem, a vida deu o salto para o espiritual, o qual é definitivo, imortal e interior.

Com a vida espiritual nasceu a capacidade de amar. A vida espiritual emerge no interior do provisório.

O nosso ser interior e espiritual emerge de modo gradual e progressivo como o pintainho emerge no interior do ovo.

Com a emergência do Homem surge a vida com sua densidade pessoal, a qual vence o vazio da morte.

Por outras palavras, a emergência da pessoa, por ser espiritual, significa o salto para a imortalidade.

À medida em que se estrutura, a pessoa constitui-se como ser livre, consciente, responsável e capaz de comunhão amorosa.

Além disso, como o leque dos talentos difere de uma pessoa para outra, cada ser humano evolui como ser único, original e irrepetível.

Eis a razão pela qual nenhuma pessoa está a mais nesta caminhada para a comunhão universal.

Com o aparecimento da vida pessoal tornou-se possível acontecer a Encarnação.

Na verdade, o humano e o divino, apesar de não serem iguais, são proporcionais.

Deste modo, pelo mistério da Encarnação o divino enxertou-se no humano, a fim de este ser divinizado.

Portanto, emergir como pessoa é oferecer-vos, Deus Santo, a matéria-prima para acontecer a divinização.
Espírito Santo,

Fortalece-nos para viver o amor ao jeito de Jesus. Na verdade, amar é a opção certa para n os edificarmos para a Comunhão Orgânica Universal que, à luz da nossa fé, é o Reino de Deus.
Ámen!
Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

DEUS NÃO É O CRIADOR DO INFERNO-I


I-O INFERNO NÃO É UM LUGAR

O inferno não é um lugar criado por Deus para martirizar as pessoas que se portam mal.

Segundo a linguagem tradicional as pessoas após a morte ficavam num dos três lugares seguintes: o Céu, o Purgatório ou o Inferno.

Eram como que três moradas para onde iam as pessoas.
As pessoas que tivessem feito o bem na terra iam para uma morada boa, chamada de Céu.

As pessoas que tivessem feito coisas más, mas não muito, iam par outra morada que embora fosse temporária, implicava um sofrimento muito grande.

Esta segunda morada chama-se Purgatório. Era o lugar onde ficavam durante algum tempo para se purificarem.

Havia ainda uma morada terrível cujo nome é o inferno, o qual é um lugar de tormentos e torturas eternas.

Hoje sabemos que após a morte, as pessoas são apenas seres espirituais e, por isso, já não ocupam moradas e não estão dentro do tempo, pois são eternas.

A vida espiritual, após a nossa morte realiza-se e atinge a sua perfeição num convívio de comunhão amorosa.

Se quisermos utilizar a imagem de uma morada para falar da situação das pessoas após a morte teremos de dizer que, após a morte, existe apenas uma morada: a comunhão universal da Família de Deus.

As pessoas que se encontram na festa do Céu e as que se encontram no Purgatório estão na mesma morada.

A diferença está apenas no facto de umas já estarem em felicidade total e as outras não.

Após a morte há pessoas que ainda não estão totalmente felizes na festa do Céu porque se sentem envergonhadas do mal que os seus pecados fizeram a outros que ainda estão a sofrer na terra por causa disso.

Uma vez que na terra desapareça o sofrimento que perdura por causa dos seus pecados, a pessoa encontra a alegria total.

Como sabemos, as pessoas que já morreram não podem fazer nada por elas.

De facto, já não podem vir à terra e fazer coisas boas para apagar o mal que fizeram. Só nós, os que vivemos na terra, os podemos ajudar.

A maneira de nós apagarmos as marcas das suas recusas de amor é realizarmos gestos e acções de amor, a fim de anularmos as forças das suas recusas de amor.

Procedendo assim, estamos a construirmo-nos como pessoas e a ajudar os que viveram antes de nós e se encontram em situação de Purgatório.

Os que se encontram em estado de inferno, pelo contrário, não estão em sala nenhuma.

Estas pessoas estão tão fechados em si que não têm qualquer capacidade para se relacionar nem comungar com os outros.

Essas pessoas não podem encontrar a vida plena, pois a plenitude da vida não está na pessoa isolada, mas na comunhão com os outros.

Por outras palavras, apenas em relações interpessoais e de comunhão amorosa a pessoa pode encontrar a sua plena felicidade.

São Paulo, referindo-se à plenitude da vida após a morte diz uma coisa muito bonita:

“O Reino de Deus não é um questão de comida e bebida, mas de justiça, paz e alegria no Espírito Santo” (Rm 14, 17). O Céu é exactamente isto que São Paulo diz de modo tão bonito.

O Céu é, pois a festa do encontro em que a pessoa comunga com os outros nos laços da paz e alegria no Espírito Santo.

Já não há lonjura no Céu, pois todos encontram as demais pessoas, tanto as humanas como as divinas no seu coração.

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

DEUS NÃO É O CRIADOR DO INFERNO-II




II-O INFERNO É UM ESTADO DE SOLIDÃO TOTAL

Na comunhão do Reino de Deus o nosso coração é o ponto de encontro e comunhão com as pessoas divinas e as humanas.

Mas quando se fecha, o nosso coração é um ponto de solidão e de ausência total de amor.

Por isso, no estado de inferno, a pessoa encontra-se numa situação de solidão total, incapacitada para conviver e comungar com os outros.

Estas pessoas não têm ninguém que lhes diga:”Gosto muito de ti.

Nunca poderão ouvir alguém dizer-lhes: “Tenho muita alegria de estar contigo.”

No estado de inferno a pessoa nunca ouvirá alguém segredar-lhe ao ouvido: “Vou dizer-te uma coisa: “Se não existisses eu seria mais pobre, pois não te tinha para conviver e comungar.”

Os que estão em estado de inferno é como se não existissem para os outros, pois nunca se poderão encontrar com eles.

Por isso não têm ninguém que lhes diga: “Gosto muito de ti, vamos fazer uma festa e alegrar-nos pelo amor que nos une!”

Eis a razão pela qual o estado de inferno se chama estado de morte eterna.

Os que durante a vida foram dizendo não ao amor e à fraternidade ao ponto de fecharem totalmente o coração ficaram incapazes de encontro, diálogo e amor.

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

DEUS NÃO É O CRIADOR DO INFERNO-III

III-O CORAÇÃO COMO PONTO DE ENCONTRO

Deus é Amor. Como sabemos, o amor propõe-se, mas nunca se impõe. Eis a razão pela qual o os seres humanos podem rejeitar Deus.

Na verdade, após a nossa morte vemos as pessoas divinas e as humanas com o coração, pois os olhos da cara já não existem.

No ensinamento das bem-aventuranças, Jesus disse que os puros de coração, no Céu, vêem Deus com uma nitidez maior (cf. Mt 5, 8).

Puros de coração são as pessoas que não têm um coração cheio de más intenções, projectos para fazer mal aos outros ou manhas disfarçadas.

Jesus tinha um coração bondoso e transparente. Por isso ele disse aos discípulos para aprenderem dele que é manso e humilde de coração (Mt 11, 29).

O nosso coração pode ser uma nascente de coisas boas ou uma nascente de coisas más.

Jesus diz no evangelho de São Mateus que é do coração que procedem as más intenções (Mt 15, 19).

No evangelho de São Mateus, Jesus diz o seguinte: “Este povo honra-me com os lábios, mas o seu coração está longe de mim” (Mt 15, 8).

Segundo este ensinamento de Jesus, é no interior do nosso coração que estamos longe ou perto de Deus e dos irmãos.

São Paulo, na Carta aos Efésios, pede a Deus que ilumine os olhos dos nossos corações, a fim de podermos compreender bem o mistério da salvação (Ef 1, 18).

A Carta aos Gálatas diz que Deus enviou aos nossos corações o espírito Santo que, no nosso íntimo clama: “Abba”, isto é, Papá (Ga 4, 6).

Como vemos, o estado de Inferno é a situação da pessoa cujo coração está totalmente fechado em si mesmo e, portanto, incapaz de se encontrar e comungar com Deus e os irmãos.

Isto quer dizer que o Inferno não é um lugar criado por um Deus mau, a fim de nos meter na fogueira de um fogo eterno.

Deus, diz a primeira Carta de São João, é amor (1 Jo 4, 7-8).

Isto significa que Deus só pode fazer aquilo que o amor pode fazer, isto é, querer a felicidade das pessoas.

Os que ficam em estado de morte eterna condenaram-se por sua própria decisão.

O estado de inferno é o resultado de uma história pessoal que consistiu em dizer não de modo gradual e progressivo ao amor.


Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

EVANGELIZAR É CONTAR UMA HISTÓRIA DE AMOR-I

I-JESUS COMO NARRADOR DO AMOR DE DEUS

Evangelizar é contar uma história de amor cheia de sentido para os seres humanos.

Esta história é fecunda, pois assenta na verdade de Deus e do Homem.

Por outras palavras, a acção evangelizadora tem uma enorme força libertadora por ser a narração da verdade de Deus e do Homem:

Podemos dizer que Jesus Cristo é o ponto de encontro da verdade de Deus com a verdade do Homem.

É esta a razão pela qual Jesus disse aos discípulos que ele é o Caminho, a Verdade e a Vida (Jo 14, 6).

Ao ressuscitar, Jesus enviou-nos o Espírito Santo o qual, como diz Jesus no evangelho de São João, nos conduz de modo gradual e progressivo para a verdade total (Jo 16,
13).

Através das suas palavras e do seu jeito de actuar, Jesus foi o grande contador da história do amor incondicional de Deus por nós.

Depois, ao ressuscitar, comunicou-nos a força e a sabedoria do Espírito Santo, a fim de nos capacitar para evangelizarmos o nosso mundo.

Segundo o evangelho de São João, Jesus vivia de tal modo unido ao Pai que um dia afirmou: “Quem me vê, vê o Pai” (Jo 14, 9).

O evangelho de São Lucas diz que o conhecimento de Jesus sobre a verdade de Deus e do Homem era perfeito.

Um dia, Jesus exultou de alegria pela força do Espírito Santo, pois deu-se conta de que alguns dos seus ouvintes estavam a acolher a verdade de Deus no seu coração.

Este relato de São Lucas é um excelente exemplo da alegria que invade o coração do evangelizador, ao verificar que a sua palavra está a ser acolhida. Eis as palavras de Jesus:

“Naquele momento, Jesus estremeceu de alegria sob a acção do Espírito Santo e disse: “Bendigo-te ó Pai, Senhor do Céu e da Terra, porque escondestes estas coisas aos sábios e aos inteligentes e as revelastes aos pequeninos. Sim, Pai, porque assim foi do teu agrado.

Tudo me foi entregue por meu Pai e ninguém conhece quem é o Filho, a não ser o Pai, como ninguém conhece quem é o Pai senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar.

Depois, voltando-se para os discípulos, disse-lhes em particular:

“Felizes os olhos que vêem o que estais a ver. Porque eu vos digo que muitos profetas e reis quiseram ver o que vedes e o não o viram, ouvir o que ouvis e não o ouviram!” (Lc 10, 21.24).

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

EVANGELIZAR É CONTAR UMA HISTÓRIA DE AMOR-II

II-JESUS EXPRIMIU O JEITO DE DEUS NOS AMAR

Jesus ensinou-nos que Deus Pai, nos ama de modo incondicional.

Na verdade não Deus não estive à espera de que fôssemos bons para gostar de nós.

Na parábola do Filho Pródigo, Jesus ensina-nos que Deus Pai tem um coração cheio de bondade para connosco.

Todas as tardes dizia Jesus, o Pai vinha ao alto da colina, a fim de ver se o filho que tinha fugido estava de regresso.

Num dia de sol, mesmo à tardinha, o Pai avista ao longe o filho que regressa. Com os braços abertos corre ao encontro do filho.

Cheio de ternura beija-o e leva-o para casa, vestindo-lhe o fato da festa (cf. Lc 15, 25-32).

Com esta parábola, Jesus quis ensinar-nos que o Pai nos ama sempre, apesar de sermos pecadores.

O Espírito Santo, no nosso íntimo, ajuda-nos a fazer a experiência deste teu amor por nós.

É também o Espírito Santo que nos dá a sabedoria necessária para anunciarmos aos nossos irmãos este teu amor infinito por todas as pessoas.

Na verdade, evangelizar é anunciar uma história de amor incondicional que diz respeito a todos os homens.

Com efeito, a Palavra Deus projecta uma luz sobre os acontecimentos, ao ponto de mesmo alguns acontecimentos que parecem tirar sentido à vida acabam por ter sentido quando olhados à luz da Vossa Palavra.

Podemos dizer que a Palavra potencia o sentido daquilo que já o tem e confere sentido àquilo que, à simples luz da razão, parece não o ter.

É a revelação que faz emergir no coração e na mente dos crentes a vida teologal, distinguindo-o dos demais crentes pelo modo novo de ver e ajuizar acerca dos acontecimentos.

À medida em que o crente vai cresce nesta vida teologal, torna-se sal, luz e fermento no mundo.

A vida teologal é a sabedoria que emerge no coração dos crentes à medida em que o Espírito Santo nos vai confidenciando os mistérios de Deus.

Pouco a pouco, a revelação de Deus vai respondendo a questões deste tipo: Quem somos? Qual o nosso lugar no plano salvador de Deus? Como é o Deus que nos está criando e salvando em Cristo?

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

EVANGELIZAR É CONTAR UMA HISTÓRIA DE AMOR-III

III-CRISTO É O PONTO DE ENCONTRO DO HOMEM COM DEUS

No coração da revelação está, pois, o mistério da Encarnação e o sentido que ele tem para a salvação da Humanidade.

Pela revelação nós compreendemos que o divino se enxertou no humano para que este seja divinizado.

Se assim não fosse, a Encarnação seria apenas uma visita que Deus nos fez através da segunda pessoa da Santíssima Trindade.

À luz da fé, a nossa meta para a qual caminhamos é incorporação na Família Divina como filhos em relação a Deus Pai e como irmãos em relação a Deus Filho.

O sentido máximo da vida humana é, naturalmente, Jesus de Nazaré, um homem em tudo igual a nós excepto no pecado.

Se é homem perfeito quer dizer que faz um todo orgânico connosco.

Um homem só é perfeito na medida em que está interligado com toda a Humanidade.

Se além de ser um homem perfeito, Jesus é ainda o ponto de união do humano com o divino, então a Humanidade está organicamente unida à Divindade.

A plenitude do humano, portanto, é a divinização mediante a assunção e incorporação orgânica na comunhão familiar da Santíssima Trindade.

É este o sentido profundo que a revelação confere à vida humana.

No entanto, não devemos pensar que Deus nos substitui, fazendo aquilo que nos compete a nós fazer.

Na verdade, Deus apenas diviniza aquilo que o homem humaniza.

A humanização é uma tarefa que compete a cada ser humano e que ninguém pode realizar por nós.

É verdade que começámos por ser aquilo que os outros fizeram de nós.

Dos outros recebemos as possibilidades de humanização ou os talentos.

Mas o mais importante não são os talentos que recebemos, mas a maneira como os fazemos render.

A lei da humanização é: Emergência pessoal mediante relações de amor e convergência para a Comunhão Universal.

A pessoa é, portanto, um ser em construção. Quanto mais emerge em densidade espiritual e capacidade de interagir amorosamente com os outros, mais converge para o todo orgânico que é a Humanidade.

Esta constitui-se como um entretecido orgânico universal onde a riqueza de cada pessoa circula pela totalidade humana.

Entramos de modo activo na Comunhão Universal na medida em que emergimos mediante atitudes, escolhas e opções de amor.

Quem não teve oportunidade de fazer tais opções faz parte desta orgânica mas de modo passivo, isto é, atingindo a sua plenitude humano-divina recebendo mais que dando.

Jesus ensinou aos seus discípulos que é melhor dar que receber (Act 20, 35)

Estas pessoas encontram-se plenamente realizadas na plenitude da comunhão humano-divina, mas recebendo mais do que dando.

A grande tarefa da pessoa, portanto, é a sua humanização, respondendo fielmente aos apelos do Amor.

O poder de Deus é, afinal, o poder do Amor. Se Deus é Amor, então os atributos divinos são apenas os atributos do Amor.

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

EVANGELIZAR É CONTAR UMA HISTÓRIA DE AMOR-IV


IV-A CAMINHO DA COMUNHÃO UNIVERSAL

A Humanidade, apesar de não ser ainda uma comunhão perfeita, está em processo de amorização.

Ainda não é uma plenitude amorosa, mas está a caminhar para lá.

Eis a razão pela qual o Amor é a dinâmica que está a fazer avançar o processo da humanização.

As pessoas vão emergindo como seres livres, conscientes, responsáveis e capazes de comunhão amorosa.

É por este motivo que podes dizer que a plenitude da pessoa é a comunhão universal do Reino de Deus.

Nesta comunhão universal ninguém está a mais, pois cada pessoa emerge de modo único, original, e irrepetível.

Quanto mais emergirmos como pessoas na História, mais capazes seremos de participar na plenitude da Comunhão Universal, cujo coração é a Santíssima Trindade.

Com efeito, será eternamente mais divino quem mais se humanizar agora.

Eis a grande síntese da história de amor que o evangelizador tem para contar.

Trata-se de uma história que confere sentido pleno à vida do Homem.

Trata-se de umas história que temos de contar, a fim de ajudar os seres humanos a encontrar razão para viver, gastando a vida pelas causas do amor.

À medida em que o cristão evangeliza está a possibilitar aos seres humanos o conhecimento e a experiência da ternura de Deus por eles.

Ao contar às pessoas esta história do amor de Deus, o evangelizador procura motivar as pessoas a acolher a salvação, permitindo ao Espírito Santo que as conduza para a Comunhão da Família Divina.

Mas devemos saber que a salvação é um dom que a pessoa pode aceitar ou não.

O evangelizador deve motivar as pessoas no sentido de as levar a aceitar com alegria e gratidão a salvação que Deus nos oferece em Cristo.
Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

sábado, 5 de janeiro de 2008

CHAMADOS A RENASCER-I



I-RENASCIMENTO E VIDA ESPIRITUAL

Nascemos inacabados, a fim de termos a possibilidade de renascer.

Na verdade, fomos criados para que nos criemos. O ser humano não age de modo consciente no parto através do qual nasce para a sociedade.

Por outras palavras não somos os protagonistas do nosso primeiro nascimento.

O segundo nascimento acontece como emergência pessoal-espiritual e tem como meta a comunhão universal da Família de Deus.

Este segundo nascimento não pode acontecer sem nós. Ninguém nos pode substituir nesta tarefa de renascer espiritualmente.

O Criador não nos fez de modo acabado, a fim de podermos renascer como seres livres, conscientes e responsáveis.

É verdade que começamos por ser o que os outros fizeram de nós.

Foi dos demais que recebemos os talentos, isto é, a matéria-prima de que dispomos para nos realizar.

Renascer é crescer na nossa identidade espiritual. Dos outros recebemos a nossa identidade genética, isto é, o nosso ADN.

Com efeito, recebemos a nossa identidade genética no momento da concepção e perdemo-la no cemitério.

A identidade espiritual é fruto das nossas decisões, escolhas e opções.

À medida em que renascemos tornamo-nos pessoas únicas, originais e irrepetíveis.

Na verdade, fomos feitos para nos fazermos, a partir do que recebemos dos demais.

Só assim podemos ter algo de nosso para partilhar na festa da Comunhão Universal, pois nós não nos estamos a fazer para acabarmos no vazio da morte.

Podemos dizer que a nossa vocação fundamental consiste em renascer como pessoas para atingirmos a nossa plenitude na comunhão.

Com efeito, a plenitude da pessoa não está em si, mas na comunhão com os outros.

A lei da humanização é assim: emergência pessoal mediante relações de amor e convergência para a comunhão universal.

Nascemos com a possibilidade de amar. Recorrendo à imagem bíblica do barro primordial, diríamos que nascemos como um barro modelado, tendo no nosso íntimo um coração capaz de eleger o outro com alvo de bem-querer.

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

CHAMADOS A RENASCER-II

II-ESPÍRITO SANTO E RENASCIMENTO

Nascemos talhados para amar. Deus deu-nos a possibilidade de realizarmos esta tarefa quando insuflou o hálito da vida no nosso interior, a fim de realizarmos a tarefa da nossa humanização.

Graças à nossa união orgânica com Cristo o processo da nossa humanização culmina na divinização ao sermos incorporados na comunhão da Santíssima Trindade.

A essência da vida pessoal é de ordem espiritual. Por isso podemos dizer com toda a segurança que ser pessoa é ser para sempre.

Renascendo mediante o amor a pessoa humana está a caminhar de modo seguro para a plenitude da Família de Deus: Filhos em relação a Deus Pai e irmãos em relação ao Filho de Deus.

O Espírito Santo é o amor de Deus derramado nos nossos corações (Rm 5,5).

Ele é o vínculo maternal de comunhão orgânica e o princípio pessoal que dinamiza as relações de amor e comunhão. É por ele que entramos na Família de Deus (Rm 8, 14-16).

O evangelho de São João, falando da necessidade que temos de renascer diz que o que nasce da carne é carne e o que nasce do Espírito Santo é espiritual (Jo 3, 6).

É verdade que o Espírito Santo não nos substitui no processo do nosso renascimento.

O Espírito Santo está connosco mas não em nosso lugar. Mas ele optimiza as nossas possibilidades de renascer se lhe permitirmos que actue nos nossos corações.

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias