terça-feira, 30 de junho de 2009

EIS COMO DEUS NOS REVELOU O SEU ROSTO-I

I-A REVELAÇÃO COMO RELATO DO AMOR DE DEUS

Só pelos seus próprios meios o Homem não podia conhecer o rosto de Deus. Foi esta a razão pela qual o Senhor tomou a iniciativa de se revelar ao Homem, a fim de este descobrir a sua razão de existir e o sentido da sua vida no plano de Deus.

A revelação é um processo gradual e progressivo. Falar da revelação é falar sobre uma história na qual o Espírito Santo nos foi falando da epopeia do Amor de Deus.

Apesar de ser o grande protagonista da história da revelação, o Espírito Santo foi escolhendo mediações para realizar a sua missão reveladora.

Por outras palavras, para chegar ao Homem em grandeza humana, a Palavra de Deus precisa de ser mediatizada pela palavra humana.

O principal medianeiro da acção reveladora do Espírito Santo foi Jesus Cristo. Eis o que diz o evangelho de São Lucas:

“Veio a Nazaré onde se tinha criado. Segundo o seu costume, entrou na sinagoga em dia de sábado e levantou-se para ler.

Entregaram-lhe o livro do profeta Isaías e, desenrolando-o deparou com a seguinte mensagem em que está escrito:

“O Espírito do Senhor está sobre mim porque me ungiu, a fim de anunciar a Boa Nova aos pobres.

Enviou-me a proclamar a libertação dos cativos e, aos cegos a recuperação da vista. Enviou-me a mandar em liberdade os oprimidos e a proclamar um ano favorável da parte do Senhor”.

Depois enrolou o livro, entregou-o ao empregado e sentou-se.
Todos os que estavam na sinagoga tinham os olhos fixos nele. Começou então a dizer-lhes: “Cumpriu-se hoje esta Palavra da Escritura que acabais de ouvir” (Lc 4, 18-21).

Em Jesus de Nazaré, homem igual a nós, o Espírito Santo exprimiu a Palavra de Deus em grandeza humana.

Ninguém como Jesus Cristo revelou de modo tão claro ao Homem o rosto de Deus e o amor salvador a toda a Humanidade.

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

EIS COMO DEUS NOS REVELOU O SEU ROSTO-II

II-REVELAÇÃO E CONHECIMENTO DE DEUS

A revelação de Deus não é um conjunto de telefonemas do Céu. As Escrituras e a tradição são a grande mediação para a revelação acontecer no coração dos crentes.

A Palavra de Deus não é letra que mata, mas Espírito que dá vida, diz São Paulo: “É Deus quem nos capacita para sermos, a fim de sermos ministros de uma Nova Aliança, não da letra, mas do Espírito.

Na verdade, a letra mata, mas o Espírito dá vida (2 Cor 3, 6). Isto quer dizer que o conhecimento de Deus não é como uma questão teórica como a tabuada que se aprende para depois ser repetida de cor.

O conhecimento, no pensamento bíblico, é resultado de uma comunhão orgânica, interactiva e fecunda.

A Primeira Carta de São João afirma que a lente adequada para conhecermos Deus é o amor:
“Caríssimos, amemo-nos uns aos outros, pois o amor vem de Deus.

Todo aquele que ama nasceu de Deus e chega ao conhecimento de Deus. Aquele que não ama não chegou a conhecer a Deus, pois Deus é amor.” (1 Jo 4, 7-8).

Jesus Cristo não separa o amor de Deus do amor aos irmãos. Pelo contrário, o amor aos irmãos é o caminho seguro para chegarmos ao conhecimento de Deus:

“A Deus nunca ninguém o viu. Mas se nos amarmos uns aos outros, Deus permanece em nós” (1 Jo 4, 12).

E depois acrescenta: “Se alguém disser: “Eu amo a Deus”, mas tiver ódio ao seu irmão, esse é um mentiroso, pois aquele que não ama o seu irmão, a quem vê, não pode amar a Deus a quem não vê.

Nós recebemos de Jesus este mandamento: quem ama a Deus, ame também o seu irmão” (1 Jo 4, 20-21).

São Paulo diz que todo o que ama a Deus é conhecido por Deus. São Paulo era um judeu profundamente enraizado no pensamento bíblico.

Isto quer dizer que ele utiliza a expressão “ser conhecido por Deus”, no sentido de acontecer uma verdadeira interacção amorosa entre Deus e o Homem (1 Cor 8, 3).

O conhecimento de Deus, portanto, não é uma questão de ciência, mas de amor. Eis o que diz São Paulo: “A ciência incha, mas o amor edifica” (1 Cor 8, 1).

O princípio animador da comunhão com Deus e os irmãos é o Espírito Santo, diz a Primeira Carta de São João:

“Nós apercebemo-nos de que estamos em Deus e ele em nós, pois nós participamos da Vida no Espírito Santo” (1 Jo 4, 13).

São Paulo diz que ninguém pode saborear o mistério de Cristo ressuscitado a não ser pelo Espírito Santo:

“Ninguém é capaz de Dizer: “Cristo é o Senhor ressuscitado” a não ser pelo Espírito Santo” (1 Cor 12, 3).

Isto quer dizer que Conhecer Cristo é fazer com ele uma união orgânica, animada pelo Espírito Santo.

Eis a razão pela qual comemos a carne de Cristo (Jo 6, 54-57). O Espírito Santo é a carne e o sangue de Cristo ressuscitado, diz o evangelho de São João (Jo 6, 62-63).

A comunhão, na Eucaristia, exprime de modo sacramental este conhecimento e comunhão do Homem com Deus em Jesus Cristo.

A Primeira Carta aos Coríntios diz que esta união a Cristo faz de nós membros do seu Corpo:
“Comemos um só pão porque formamos um só Corpo (1 Cor 10, 17).

E ainda, “Fomos baptizados no mesmo Espírito Santo, a fim de formarmos o Corpo de Cristo (1 Cor 12, 13).

O evangelho de São João, referindo-se à nossa união com Cristo, diz que Cristo é a cepa da videira e nós os seus ramos:

“Permanecei em mim que eu permaneço em vós. Tal como o ramo não pode dar fruto por si mesmo, mas só permanecendo na videira, assim acontecerá também convosco, se não permanecerdes em mim.

Eu sou a videira e vós sois os ramos. Quem permanece em mim e eu e eu nele, esse dá muito fruto, pois, sem mim, nada podeis fazer.” (Jo 15, 4-5).

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

EIS COMO DEUS NOS REVELOU O SEU ROSTO-III


III-JESUS COMO REVELAÇÃO DO PAI

O grande revelador do Pai, diz o evangelho de São João é Jesus Cristo: Eis as palavras que São João põe na bocade Jesus:

“Há tanto tempo que estou convosco, Filipe, e ainda não me conheces? Quem me vê, vê o Pai.” (Jo 14, 18).

Quando São João diz que Cristo é a Palavra de Deus quer dizer que só ele exprime de modo pleno e eficaz o plano salvador de Deus.

Explicitar de modo eficaz significa realizar aquilo que significa. O conhecimento de Deus é a fonte da Vida Eterna, pois para conhecer Deus é preciso estar em comunhão com ele.

“Nesse dia compreendereis que eu estou no Pai, vós em mim e eu em vós” (Jo J0 14, 20). O sacramento da Eucaristia explicita precisamente este mistério de conhecimento e comunhão com Deus:

“Quem come a minha carne e bebe o meu sangue fica a morar em mim e eu nele. Assim como o Pai que me enviou vive e eu vivo pelo Pai, também aquele que me come viverá por mim” (Jo 6, 56-57).

“Pai, não rogo apenas por eles, mas igualmente por todos os que hão-de acreditar em mim por meio da sua palavra, a fim de que todos sejam um, como tu, Pai, estás em mim e eu em ti.

Que eles permaneçam em nós, a fim de o mundo ver e acreditar que tu me enviaste. Pai, eu dei-lhes a glória que me deste, a fim de que todos sejam um, como nós somos um.

Eu neles e tu em mim, Pai, a fim de atingirmos a perfeição da unidade (…). Pai justo, o mundo não te conheceu, mas eu conheci-te e estes reconheceram que tu me enviaste.

Eu dei-lhes a conhecer quem tu és e continuarei a dar-te a conhecer, a fim de que o amor com que me amaste esteja neles e eu esteja neles também” (Jo 17, 20-26).

O Espírito Santo é o princípio animador desta interacção que nos proporciona o conhecimento e a comunhão plena com Deus:

“Mas o Paráclito, o Espírito Santo que o Pai enviará em meu nome, esse é que vos ensinará tudo, e há-de recordar-vos tudo o que eu vos disse” (Jo 14, 26).

Estamos a penetrar no coração de uma História de Amor sem paralelo. Apesar das nossas infidelidades e recusas de amor, Deus continua a amar-nos de modo incondicional.

São Paulo diz que o Espírito Santo é o Amor de Deus derramado nos nossos corações” (Rm 5, 5).

Falando do seu conhecimento e união orgânica com Cristo, São Paulo afirma: “Já não sou eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim” (Gal 2, 10).

Unir-se a Cristo é formar uma Nova Criação reconciliada com Deus, diz a Segunda Carta aos Coríntios (2 Cor 5, 17-19).

A Carta aos Colossenses diz que a união orgânica com Cristo faz emergir em nós o Homem Novo moldado como perfeita imagem de Deus:

“Não mintais uns aos outros, já que vos despistes do homem velho, com as suas acções, e vos revestistes do Homem Novo.

No Homem Novo já não há grego nem judeu, circunciso ou incircunciso, bárbaro, cita, escravo ou livre, mas apenas Cristo que é tudo em todos e está em todos” (Col 3, 9-11).

Jesus Cristo é a Palavra eficaz de Deus. Realiza aquilo que significa.

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

quinta-feira, 25 de junho de 2009

A HARMONIA HUMANO-DIVINA DE CRISTO-I

I-A UNIÃO HUMANO-DIVINA DE CRISTO

Jesus de Nazaré e o Filho Eterno de Deus estão organicamente unidos, isto é, fazem uma união orgânica.

Podemos dizer que o Filho Eterno de Deus e o Filho de Maria fazem um e o mesmo Cristo, embora sem se fundirem nem confundirem.

Isto quer dizer que entre a grandeza divina e a grandeza humana de Cristo existe uma distância suficiente para podermos distinguir o Jesus, homem pleno e perfeito com a sua autonomia de homem: alma (espírito humano), consciência e vontade humanas.

Do mesmo modo, o Filho Eterno de Deus mantém uma distância suficiente para podermos contemplar a sua grandeza divina sem quaisquer condicionamentos provenientes de Jesus de Nazaré.

Outro aspecto importante é ter presente que o Espírito Santo é o vínculo e o princípio que anima a dinâmica da Encarnação.

Seria um erro pensar que a acção do Espírito Santo se limitou a substituir o pai humano de Jesus.
Com seu jeito maternal de amar, o Espírito Santo optimizou o amor maternal de Maria, a fim de amar Jesus com uma qualidade adequada à realidade do Filho de Deus.

Também o Filho Eterno de Deus faz um com Deus Pai, embora sem se confundirem nem fundirem.

Eis o que Cristo diz no evangelho de São João: “Eu e o Pai somos um” (Jo 10, 30). Duas das razões principais razões pelas quais os judeus decidiram a morte de Jesus foi por ele profanar o dia de sábado e por chamar Pai ao próprio Deus (Jo 5, 18).

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

A HARMONIA HUMANO-DIVINA DE CRISTO-II


II-JESUS É O FUNDAMENTO DA NOVA HUMANIDADE

Jesus Cristo tomava Deus e o Homem a sério. Podemos dizer que Jesus não era um beato.

Beatos eram os fariseus, esses contemporâneos de Jesus que tinham os olhos tão fixos nas normas e leis religiosas que não conseguiam ver os irmãos.

Jesus Cristo não separava a causa de Deus da causa do Homem. Denunciava com coragem tudo o que no seu meio machucava ou oprimia as pessoas.

E fazia isto em nome de Deus. Com efeito, a única imagem que Deus fez de si foi o homem. É esta a imagem que é preciso venerar, pois é esta a maneira concreta de amar a Deus.

Quanto mais um cristão procura conhecer Deus e o seu plano sobre o Homem, mais capacitado está para amar Deus e os irmãos.

Se o Homem é a única imagem que Deus criou de si, então o amor aos irmãos é o único caminho seguro para chegarmos ao conhecimento de Deus.

Eis o que a primeira carta de São João diz a este propósito: “Caríssimos, amemo-nos uns aos outros, porque o amor vem de Deus, e todo aquele que ama nasceu de Deus e chega ao conhecimento de Deus.

Aquele que não ama não chega a conhecer Deus, pois Deus é amor” (1 Jo 4, 7-8).

Em relação a Deus, Jesus vivia uma condição totalmente original, pois a sua interioridade espiritual humana interagia de modo directo com a interioridade do Filho Eterno de Deus.

Como homem igual a nós experimentou plenamente a nossa condição, pois o divino, ao tocar o humano, optimiza-o, mas não o anula.

A Carta aos Hebreus diz que temos um excelente Sumo-sacerdote junto de Deus, pois é um homem como nós e, portanto, experimentou a nossa condição humana:

“De facto, não temos um sacerdote que não possa compadecer-se de nós, pois ele foi provado e experimentado em tudo, excepto no pecado” (Heb 4, 15).

Talvez este pequeno texto poético que se segue nos ajude a compreender a humanidade perfeita de Jesus:

Nasceu na Palestina e a sua paixão era fazer a vontade de Deus. Amava a simplicidade das crianças e defendia corajosamente os que não eram capazes de se defender.

Deixava mais felizes as pessoas que tinham a sorte de se encontrar com ele. Como não tinha pretensões a ser rico ou poderoso, partilhava com os outros a sua vida e os bens.

Amava a todos, mas preferia acompanhar com os mais pobres. Nunca foi cobarde, pois estava cheio da força do Espírito Santo.

Foi por esta razão que Deus lhe confiou a missão de inaugurar a dinâmica histórica do baptismo no Espírito.

Foi com este poder que ele inaugurou uma Nova Humanidade. Por estar habitado pela plenitude do Espírito Santo concedeu aos homens a possibilidade de interagir de maneira nova com este mesmo Espírito.

Inaugurou a dinâmica renovadora do coração das pessoas, fazendo-as passar do egoísmo para o amor fraterno.

Como se deu totalmente, tinha consciência de que a sua vida não era apenas sua. Na verdade, Deus confiou-lhe uma missão em favor de toda a Humanidade.

Era generoso, não tinha um coração rugoso, nem gostava de nadar em águas turvas. O Espírito Santo capacitou-o para ser incondicionalmente fiel à sua missão.

Levou o amor à sua profundidade máxima, ao ponto de dar a vida por aqueles a quem amava.
Como se deu inteiramente, agora a sua vida é também de todos nós!

Tornou-se a cepa da videira cujos ramos são todos os seres humanos. Os que o mataram destruíram a sua tenda, pensando acabar com o alicerce da Nova Humanidade.

Partilhou tudo: Os bens, a vida e a Palavra de Deus. O seu nome era Jesus de Nazaré. Graças à sua fidelidade, conseguiu introduzir as pessoas humanas na Família de Deus.

São Paulo diz que as pessoas que estão unidas de modo orgânico com Cristo são a Nova Criação reconciliada com Deus (2 Cor 5, 17-19.

Eis a razão pela qual, ao longo dos séculos, não desapareceram as vozes que o aclamam com gratidão.

A sua condição de homem não foi anulada pelo facto de fazer uma união orgânica e dinâmica com a segunda Pessoa da Santíssima Trindade.

Ao ressuscitar difundiu para a Humanidade a força ressuscitadora do Espírito Santo, a Água Viva que faz emergir nos nossos corações uma nascente de Vida Eterna (Jo 7, 37-39).

Ele é, na verdade, o fundamento da Nova Humanidade!


Em Comunhão Convosco

Calmeiro Matias

segunda-feira, 22 de junho de 2009

A EPOPEIA DAS ALIANÇAS DE DEUS-I

I-O DEUS DA ALIANÇA E O HOMEM INFIEL

A cultura bíblica entendia o coração como o núcleo espiritual mais nobre de uma pessoa. É o centro das decisões e o ponto de encontro e comunhão com Deus e os outros seres humanos.

Logo no princípio, ao criar o Homem à sua imagem e semelhança, Deus propõe-lhe uma caminhada de aliança:

Segundo a proposta de Deus, Adão ficava à frente da Criação orientando-a de acordo com o plano sonhado por Deus.

Mas Adão não aceitou ser subordinado de Deus. Caiu na tentação de se colocar no lugar do próprio Deus.

Com esta atitude, Adão rompeu com Deus, iniciando uma caminhada de fracasso. Como era a cabeçada Humanidade, Adão acabou por arrastar consigo os seus descendentes.

Apesar da infidelidade de Adão, Deus continua a sonhar com novas propostas de amizade.

Mas a experiência demonstrava que as infidelidades do Homem agravavam cada vez mais a tragédia do fracasso humano.

O relato do Dilúvio é uma maneira alegórica de exprimir a universalidade da tragédia provocada pelo pecado de Adão.

Afastada de Deus, a Humanidade começa afogar-se, isto é, a afundar-se de modo gradual e progressivo na tragédia do fracasso universal.

Perante a magnitude do fracasso humano, Deus decide salvar a Humanidade e com ela todos os seres vivos.

E Deus procura Noé, a fim de este conduzir a Criação de acordo com os planos de Deus: “Contigo vou estabelecer a minha aliança.

Entrarás na Arca com a tua mulher, os teus filhos e as mulheres dos teus filhos” (Gn 6, 18). O arco-íris passa a ser o sinal da aliança restaurada com Noé, a fim de os homens se lembrarem da misericórdia de Deus em favor de todas as criaturas:

“Deus disse: este é o sinal da aliança que coloco entre mim e vós e com todos os seres vivos que estão convosco.

Colocarei o meu arco nas nuvens. Ele será um sinal da minha aliança com toda a terra” (Gn 9, 12-13).

A aliança com Noé, portanto, tem um carácter universal. É uma aliança que tem em vista impedir a destruição de todos os seres vivos:

“Quando o arco-íris estiver nas nuvens eu, ao vê-lo, lembrar-me-ei da minha aliança eterna, aliança com todos os seres vivos que vivem sobre a terra” (Gn 9, 16).

Mas de novo o homem começa a tornar-se infiel. De novo pretende ser igual a Deus. Agora a tentação era construir uma torre muito alta, a fim de os homens atingirem a morada de Deus e, deste modo, ser divinos pelos seus próprios meios.

É verdade que os seres humanos estão talhados para ser divinos, mas isto é um dom de Deus e não uma conquista humana.

Querer ser deus por si, é a velha tentação de querer de se colocar no lugar de Deus (Gn 11, 1-8).

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

A EPOPEIA DAS ALIANÇAS DE DEUS-II

II-A ALIANÇA DE DEUS COM ABRAÃO

E de novo o homem começa a caminhar em direcção ao fracasso. Deus vai intervir de novo, escolhendo um homem fiel e bom, a fim de salvar a humanidade.

Encontrou Abraão e faz-lhe a proposta de uma aliança que possa beneficiar todas as famílias da Terra (Gn 12,3).

O amor de Deus é difusivo. Quando ama alguém que escolhe para uma missão, pensa logo na maneira de fazer que esse amor se difunda por todas as pessoas.

Deus prometeu a Abraão uma terra, a fim de formar um povo que seja, no meio dos outros povos, uma mediação da Sua Palavra e do Seu Amor (Gn 15, 8).

Depois, Deus acrescenta: “Vou fazer uma aliança entre mim e ti. Multiplicarei a tua descendência sem medida” (Gn 17, 2); “Serás pai de muitas nações” (Gn 17, 4).

“Vou estabelecer para sempre a minha aliança entre mim e ti. Será uma aliança eterna. Serei o teu Deus e o Deus dos teus descendentes” (Gn 17, 7).

E ao longo dos séculos, Deus foi dando provas de que a sua promessa era para ser realizada:

“Eu ouvi os gemidos dos filhos de Israel que os egípcios escravizaram e lembrei-me da minha aliança” (Ex 6, 5).

Após a saída do Egipto, Deus reafirma a sua aliança com os filhos de Abraão, agora liberto da escravidão:

“Se observardes a minha aliança sereis minha propriedade especial entre todos os povos” (Ex 19, 5).

Deus renovou a sua aliança com o povo de Israel através de Moisés, entregando-lhe os dez mandamentos escritos em duas tábuas de pedra.

Ao construir o santuário, as tábuas dos mandamentos do Senhor ficaram guardadas dentro de um cofre a que deram o nome de Arca da Aliança:

“Dentro da arca coloca o documento da aliança que te dei” (Ex 25, 16). Deus entregou ao povo o documento da aliança escrito, a fim de permanecer como testemunho:

“Deus disse ainda a Moisés: escreve estes mandamentos, pois é de acordo com eles que eu faço a aliança contigo e com Israel” (Ex 34, 27).

O livro do Deuteronómio insiste na necessidade de o povo permanecer fiel à aliança, cumprindo os preceitos do Senhor, escritos nas tábuas de pedra:

“Deus comunicou-vos a sua aliança, a fim de que cumprísseis as dez palavras que Ele escreveu em duas tábuas de pedra” (Dt 4, 13).

E o Senhor foi dando provas de ser um Deus fiel e verdadeiro: “Reconhece que Yahvé, teu Deus, é o único Deus, o Deus fiel que mantém a aliança e o seu amor por mil gerações em favor dos que o amam e observam os seus mandamentos” (Dt 7, 2).

As tábuas dos mandamentos, a terra prometida e uma descendência numerosa são os principais elementos da aliança de Deus.

Eis as palavras do Deuteronómio: “Inclina-te, Senhor, do Céu, a tua morada santa, e abençoa Israel, teu povo e a terra que nos deste, uma terra onde corre leite e mel como juraste aos nossos antepassados” (Dt 26, 15).

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

A EPOPEIA DAS ALIANÇAS DE DEUS-III


III-DEUS FEZ UMA ALIANÇA COM DAVID

Com a instituição da monarquia, surge a aliança com a casa de David. A promessa messiânica fica ligada à aliança de Deus com David:

“A minha casa está firme junto de Deus, disse David, pois a sua aliança para comigo é para sempre. Esta aliança está assente em alicerces sólidos” (2 Sam 23, 5).

A aliança a que se refere o texto anterior é a profecia que Deus dirigiu a David através do profeta Natã.

Segundo as palavras de Natã, Deus ia suscitar um filho a David o qual seria o alicerce de uma monarquia que duraria para sempre:

“Quando chegares ao fim de teus dias e te fores juntar aos teus antepassados, eu suscitarei, depois de ti, um filho teu.

Eu serei para ele um pai, disse Deus, e ele será para mim um filho. Se cometer algum erro corrigi-lo-ei com vara de homens, mas não lhe retirarei a minha graça como fiz a Saul, a quem expulsei da minha presença.

A tua casa e o teu reino serão firmes para sempre” (2 Sam 7, 12-16). Devido à profecia os filhos de David, a partir do dia em que sobem ao trono passam a chamar-se filhos de Deus:

“Vou anunciar o decreto do Senhor. Ele disse-me: Tu és meu filho, hoje mesmo te gerei” (Sal 2, 7).

Esta profecia está associada à construção de um templo para Deus: “David disse ao profeta Natã:

‘Como podes observar, eu estou a morar numa casa de cedro, ao passo que a Arca da Aliança de Deus está debaixo de uma tenda” (1 Cron 17, 1).

O plano de David, portanto, era construir um templo para introduzir lá a Arca da Aliança.
Mas o profeta Natã fez saber ao rei que os planos de Deus são outros:

Deus não escolheu David mas um filho seu para construir o templo que deus quer. Graças a este filho prometido, Deus vai abençoar para sempre a casa de David.

Eis o que diz o Salmo 89: “Fiz uma aliança com o meu eleito, jurei a David, meu servo:

Estabelecerei a tua descendência para sempre e o teu trono há-de manter-se eternamente” (Sal 89, 4-5).

E depois acrescenta: “Encontrei a David, meu servo, e ungi-o com óleo santo. A minha mão estará sempre com ele e o meu braço há-de torná-lo forte” (Sal 89, 21-22).

“Ele me invocará, dizendo: Tu és meu pai, és o meu Deus e o rochedo da minha salvação.
Eu farei dele o primogénito, o maior entre os reis da terra.

Hei-de assegurar-lhe para sempre o meu favor e a minha aliança com ele há-de manter-se firme.

Estabelecerei para sempre a sua descendência e o seu trono terá a duração dos céus” (Sal 89, 27-30).

E ainda: “Jurei uma vez pela minha santidade. De modo algum enganarei David! A sua descendência permanecerá para sempre e o seu trono será como o sol, na minha presença, estará firme para sempre como a lua, testemunho fiel no firmamento” (Sal 89, 36-38).

Em virtude das infidelidades de Israel à aliança, os profetas têm uma consciência clara da tragédia que espera o povo devido às suas infidelidades. Eis as palavras do profeta Isaías:

“Esta terra está profanada sob os pés dos seus moradores. Transgrediram as leis, violaram os
mandamentos e romperam a minha aliança” (Is 24, 5).

Mas Isaías continua a confiar na misericórdia de Deus. Apesar das infidelidades do povo, Deus continuará a ser fiel ao seu amor:

“Mesmo que os montes se retirem e as colinas vacilem, o meu amor nunca se afastará de ti.
A minha aliança de paz não vacilará, diz o Senhor que se compadece de ti” (Is 54, 10).

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

A EPOPEIA DAS ALIANÇAS DE DEUS-IV

IV-A NOVA E ETERNA ALIANÇA EM JESUS CRISTO

Deus está sempre disposto a recomeçar a sua aliança, mas pede fidelidade ao seu povo. Na verdade, o amor propõe-se, nunca se impõe:

“Dai-me ouvidos. Vinde a mim. Escutai-me e vivereis. Farei convosco uma aliança definitiva. Serei fiel à minha amizade com David” (Is 55, 3).

Devido às muitas infidelidades do povo, Deus começa a falar de uma nova aliança. O Espírito Santo será a garantia de permanência da Nova Aliança.

Mesmo as vidas estéreis como as dos eunucos, diz o profeta Isaías, tornar-se-ão fecundas: “Isto diz o Senhor aos eunucos que observam os meus sábados, que escolhem o que me agrada e ficam firmes na minha aliança:

Dar-lhes-ei no meu templo e dentro das minhas muralhas, um monumento e um nome mais valioso que os filhos e as filhas” (Is 56, 4-5).

Na economia da Nova Aliança, os estrangeiros terão lugar em Jerusalém e entrarão, cheios de alegria, na casa de oração, o templo de Deus, e os seus sacrifícios tornar-se-ão agradáveis a Deus (cf. Is 56, 6-7)

A Nova Aliança será vivida em clima de grande fidelidade à Palavra de Deus, a qual brotará abundante da boca dos jovens e dos anciãos:

“Esta é a minha aliança com eles, diz o Senhor: o meu espírito está sobre ti, e as palavras que coloquei em ti, jamais se afastarão da tua boca e da boca dos teus filhos, desde agora e para sempre” (Is 60, 19-22).

Quando o Senhor estabelecer a Nova Aliança, Jerusalém será totalmente renovada. Já não será iluminada pelo sol durante o dia nem pela lua durante a noite, pois Deus será a sua luz eterna” (Is 60, 19-22).

A Nova Aliança já não será estabelecida sobre as tábuas da Lei, as quais desapareceram quando os caldeus invadiram Jerusalém.

O profeta Jeremias, contemporâneo deste facto, diz claramente que a nova aliança não assenta num coração de pedra mas num coração de carne.

Não na letra, mas no dom do Espírito do Espírito Santo. A Arca da Aliança guardava o coração de pedra, isto é, as pedras da Lei.

A nova aliança, pelo contrário, assentará no interior de um coração novo, não de pedra mas de carne.

A Arca da Aliança não faz parte do plano de Deus para a Nova Aliança, diz o profeta Jeremias:

“Quando crescerdes e vos multiplicardes no país, oráculo do Senhor, já ninguém mais falará na Arca da Aliança do Senhor.

Ninguém mais se lembrará dela, nem sentirão a sua falta, nem voltarão a fazer outra” (Jer 3, 16).

Deus tem em mente um plano para realizar uma Nova Aliança, a qual não assenta nas tábuas da Lei, acrescenta o profeta Jeremias:

“Dias virão em que farei uma Nova Aliança com Israel e Judá. Não será como a aliança que fiz com seus pais quando os tomei pela mão e os tirei da terra do Egipto.

Eles quebraram essa aliança, apesar de eu ser o seu Deus.“A aliança que vou fazer com Israel, oráculo do Senhor, será assim: colocarei as minhas leis no seu peito, gravá-las-ei no seu coração.

Eles serão o meu povo e eu serei o seu Deus” (Jer 31, 31-33). E acrescenta: “Vou fazer com eles uma aliança eterna.

Nunca deixarei de lhes fazer bem. Colocarei no seu coração o meu temor, a fim de que não se afastem de mim” (Jer 32, 40).

O Novo Testamento reconhece que Deus realizou em Jesus Cristo a Nova e Eterna Aliança anunciada pelos profetas.

Jesus tinha consciência de ser o medianeiro da Nova Aliança, como ele mesmo afirmou durante a Última Ceia:

“Isto é o meu sangue, o sangue da Aliança que é derramado em favor de muitos, para remissão dos pecados” (Mt 26, 28).

No cântico do “Benedictus”, Zacarias diz que Deus realizou o seu plano salvador como tinha prometido por meio dos profetas:

“Deus realizou a sua misericórdia para com os nossos pais, recordando a sua Santa Aliança” (Lc 1, 72).

A Nova Aliança assenta sobre o perdão total do pecado: “Essa será a Nova Aliança que farei com eles quando eu perdoar os seus pecados” (Rm 11, 27).

É a Aliança da Vida Nova no Espírito: “Foi Deus quem nos tornou capazes de sermos ministros de uma Nova Aliança, não da letra, mas do Espírito, pois a letra mata, mas o Espírito dá vida” (2 Cor 3, 6).

A Carta aos Hebreus diz Que Jesus Cristo é a garantia de uma aliança melhor do que a aliança do Sinai (Heb 7, 22).

O sacerdócio de Jesus é superior ao sacerdócio dos Levítico, pois a Nova Aliança é muito superior à Antiga:

“Recebeu um sacerdócio superior, pois é mediador de uma Aliança melhor. Se a primeira aliança não fosse deficiente não havia lugar para esta Nova Aliança” (Heb 8, 6-7).

A dinâmica da Nova Aliança É o Espírito Santo, fonte de fecundidade. A antiga aliança não permitia aos eunucos, mesmo que fossem filhos de Aarão, oferecer os sacrifícios do altar (Lv 21, 20-21).

O profeta Isaías, prevendo a dinâmica da Nova Aliança declara que a fecundidade da Nova Aliança é fruto do Espírito Santo:

“Que o eunuco não diga: não passo de uma árvore seca” (Is 56, 3). No seu capítulo oitavo, o Livro dos Actos dos Apóstolos diz que o primeiro pagão a ser baptizado, foi um eunuco etíope (cf. Act 8, 36-37).

A Nova Aliança faz da Humanidade um Homem Novo reconciliado com Deus: “Se alguém está em Cristo é uma Nova Criação.

Passou o que era velho. Eis que tudo se fez novo! Tudo isto vem de Deus que nos reconciliou consigo por meio de Cristo, não levando mais em conta os pecados dos homens” (2 Cor 5, 17-18).

A Nova Aliança é o tempo de plenitude, pois graças ao mistério da Encarnação, a Humanidade já está assumida e incorporada na Família de Deus (Rm 8, 14-17).

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

quarta-feira, 17 de junho de 2009

ALEGORIA SOBRE O JEITO DE DEUS NOS AMAR-I

I-A TERNURA DE DEUS PAI

Vós sois a “Menina dos meus olhos”, pois Criei-vos com toda a ternura à minha imagem e semelhança.

Criei-vos homens e mulheres, a fim de vos abrirdes ao diferente e ao novo. Amei-vos ainda antes de existirdes (Gn.1,26-27). Podeis contar comigo, pois sou fiel e amei-vos com amor eterno (Jer.31, 3).

Enviei-vos o meu Filho, a fim de vos amar como filhos. Adão, com o seu orgulho, colocou-vos numa situação desfavorável.

O meu plano é estar em comunhão convosco como um Pai bondoso, a fim de formar convosco uma união orgânica.

Vós não me conhecíeis, mas o meu Filho falou-vos de mim, a fim de conhecerdes o em amor por vós.

O meu amor é como o Sol: chega para todos e ninguém o esgota. Por isso vos peço que vos ameis uns aos outros e vos perdoeis.

A maneira concreta de acolher o meu perdão é perdoardes aos vossos irmãos (Mt. 6,14).

O modo de o meu Filho vos amar exprime exactamente o meu amor por vós, ao ponto de ele dizer: “Quem me vê, vê o Meu Pai” (Jo.10,30).

Assim como o meu Filho vive por mim, também vos convido a estar unidos ao meu Filho, afim de viverdes por ele.

Tudo o que me pedirdes em comunhão com o meu Filho, podeis estar seguros de que vos será concedido.

É o facto de eu vos amar como filhos que leva o Espírito Santo a clamar nos vossos corações “Abba” como diz o Apóstolo Paulo (Rm 8, 14-15; Gal 4, 6).

Toda a paternidade encontra em mim a sua origem e a sua plenitude. Foi isto que levou o meu Filho a dizer um dia aos seus discípulos:

“A ninguém chameis pai sobre a terra, pois um só é verdadeiramente o vosso Pai: o que está nos Céus” (Mt.23,9).

Quando orardes, não digais muitas palavras, pois eu sei bem do que tendes necessidade ainda antes de mo pedirdes.

Falai comigo como um filho fala com o seu pai bondoso. Lembrai-vos do modo com o meu Filho se dirigia a mim: “Pai-nosso que estais no céu” (Mt.6,9).

Não digais muitas palavras, pois eu sei bem do que tendes necessidade, ainda antes de vós me pedirdes (Mt.6, 8).

Em relação ao amor e ao perdão, sede perfeitos como eu sou perfeito, pois mando o Sol sobre bons e maus (Mt 5, 48).

Em Comun hão Convosco
Calmeiro Matias

ALEGORIA SOBRE O JEITO DE DEUS NOS AMAR-II

II-A ENTREGA TOTAL DE CRISTO

Levei o meu amor por vós até ao extremo. A Encarnação representa a minha maneira de me dar a vós sem reservas.

Amo-vos como um irmão leal, fiel e verdadeiro. Se permanecerdes unidos a mim podeis ter a certeza de que sereis felizes e a vossa vida será fecunda (Jo.15, 9).

Como sabeis, ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida pelo seu amigo (Jo.15,13).

Podeis ter a certeza de que ninguém será capaz de anular o grande amor que tenho por vós. O Apóstolo Paulo tinha toda a razão quando escreveu: “Quem será capaz de nos separar do amor de Cristo?” (Rm.8,35).

O amor do Pai por vós cumpriu-se no meu jeito de vos amar (1 Jo 2,5). Amei-vos quando ainda éreis pecadores. Lembrai-vos do modo como os fariseus me acusaram e perseguiram, dizendo que eu comia pecadores e marginais (Mt 11,19).

A minha relação convosco é de amigo e irmão e não de criado ou escravo (Jo 15, 15). Eis a razão pela qual vos dei a conhecer os segredos que o Pai me revelou (Lc 12,4).

Ao encarnar tornei-me para vós a fonte da vida. É por mim que podeis participar na plenitude da ressurreição (Jo 11, 25).

Eu sou para vós o Caminho, a Verdade e a Vida (Jo.14,6). Por outras palavras, sou eu quem confere sentido pleno à vossa vida.

Pela Encarnação faço convosco uma união orgânica, tornando-me a fonte da vossa Vida Eterna.
Com efeito, eu sou o Pão do Céu que vos dá a vida eterna (Jo 6, 50-57).

Eu sou o Bom Pastor que dá a vida por vós. Fui perseguido, mal tratado e morto para vos conduzir à vida plena (Jo10, 11-14).

A vossa vida será fecunda na medida em que estiverdes unidos a mim, tal como os ramos da videira, para dar fruto, têm de estar unidos à cepa (Jo 15, 1-7).

Deus foi-se revelando de modo gradual e progressivo através dos profetas. Comigo chegou até vós a plenitude da revelação. Isto foi possível porque eu vim de junto do Pai.

Agora, iluminados pela revelação plena e total podeis compreender como já sois membros da Família de Deus.

Com o pecado de Adão, a Humanidade ficou impedida de atingir a plenitude da comunhão com Deus.

Com a minha vinda a Humanidade foi reconciliada e introduzida na comunhão com Deus (2 Cor, 5, 17-21).

O Apóstolo Paulo tem toda a razão quando afirma que a morte veio por Adão e por Cristo veio a vitória sobre a morte (1Cor.15,20-21).

Adão, criado à imagem de Deus, reivindicou ser igual a Deus. Por isso foi humilhado e castigado.
Eu, fui totalmente obediente a Deus e à missão que ele me confiou e por isso fui exaltado (Flp 2, 5-11).

Pela ressurreição tornei-me sumo-sacerdote, isto é, medianeiro de salvação para todos os seres humanos. Com efeito, ninguém pode salvar-se senão por mim.

Eu sou o sacerdote da Nova Aliança, isto é, o medianeiro da plenitude da Salvação (Heb 7, 22-29).

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

ALEGORIA SOBRE O JEITO DE DEUS NOS AMAR-III

III-O CARINHO DO ESPÍRITO SANTO

Eu sou a ternura maternal de Deus. Por outras palavras, eu amo com um jeito maternal.

Tenho um jeito muito especial para animar as relações de amor entre as pessoas. Sou eu quem vos conduz a Deus Pai que vos acolhe como filhos.

Também vos conduzo ao Filho Eterno de Deus, o qual vos acolhe como irmãos. Fui eu quem consagrou Jesus como Messias, pondo o seu interior em total sintonia com o plano de Deus.

Depois ia-lhe dando luz e força para ser plenamente fiel à sua missão (Mc.1,10). Estive presente à génese da Encarnação no seio de Maria, pondo em interacção directa a interioridade espiritual do Filho eterno de Deus com a interioridade espiritual do homem Jesus, o filho de Maria.

De tal modo esta união orgânica é plena e total que o filho e Maria e o Filho de Deus formam um e o mesmo, apesar de um ser plenamente humano e o outro plenamente divino.

O Baptismo no Espírito Santo significa que eu vou dizendo a Palavra de Deus no interior dos cristãos, ajudando-os a viver como filhos de Deus e a anunciar a Boa Nova da Salvação aos irmãos. (Mt 3, 11).

Sou eu que vos introduz no íntimo da Família de Deus, fazendo de vós filhos e herdeiros de Deus Pai e irmãos e co-herdeiros de Deus Filho (Rm.8,14-16).

Fui eu quem deu aquele jeito característico de Jesus realizar a sua missão, anunciando o Evangelho aos pobres, curando os doentes, fazer que os coxos caminhem e os cegos vejam (Lc.4,16-21).

Eu sou a Água viva que Jesus prometeu à Samaritana e aos judeus quando lhes falou à porta do Templo (Jo 4,14; 7, 37-39).

Eu sou a voz interior que se faz ouvir no vosso coração, revelando-vos o plano de Deus Sou o Revelador que, no vosso íntimo, vos ilumina e fortalece.

Eu sou o Consolador que vos conforta e dá força no momento das dificuldades. Também sou o guia que vos conduz para a verdade total, como Jesus disse (Jo 16, 7-15).

Quando os inimigos da Fé vos atacarem estai confiantes, pois eu porei na vossa boca as palavras certas para vos defenderdes e anunciardes o Deus justo e verdadeiro (Mt 10, 20; Mc 13, 11).

Sou eu quem faz cair dos olhos dos que se convertem essas escamas que obscurecem a mente e impedem a pessoa de compreender o mistério do Reino de Deus.

Quando essas escamas caiem dos olhos o crente torna-se um apóstolo como aconteceu como aconteceu com o Apóstolo Paulo (Act 10, 44-47).

No vosso interior sou uma presença salvadora a actuar em vós de modo permanente. Como diz São Paulo, eu sou realmente o amor de Deus derramado nos vossos corações (Rm 5, 5).

Com o meu jeito maternal de animar as relações entre as pessoas divinas e humanas sou eu quem vos inspira o jeito correcto de orar e falar com Deus.

Se orardes em sintonia comigo, a vossa oração deixará de ser um conjunto de rezas inúteis à maneira dos pagãos, como Jesus disse (Mt.6,7-8).

Sou eu quem vos ajuda a compreender o significado profundo do termo “Pai-Nosso”. Se orardes em união comigo, a vossa oração será um diálogo amoroso com Deus (Rm 8, 26-27).

As profecias são todas inspiradas por mim. A pessoa que profere uma profecia verdadeira está comunicando a mensagem que eu lhe inspiro no mais profundo do seu coração.

Nenhuma profecia verdadeira é mera obra da sabedoria humana ou da simples inteligência humana como diz a Segunda Carta de São Pedro (2 Ped 1, 21).

Eu sou a seiva que circula da cepa da videira para os ramos, tornando-os fecundos (Jo 15, 4-5).

Sem a minha presença dinâmica e refrescante no vosso coração, a vossa vida não produz frutos de Vida Eterna!
Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

segunda-feira, 15 de junho de 2009

DIÁLOGO COM A FONTE DO AMOR

Trindade Santa,
Vós sois um Deus vivo e o único Deus verdadeiro.
Todas as coisas encontram a sua origem e a sua finalidade na dinâmica das vossas relações de amor.

Nada existiu antes de Vós, Pai, Filho e Espírito Santo.
Nós vos reconhecemos como único Deus na unicidade da vossa natureza divina e na unidade de das três pessoas.

Na verdade, a vossa unicidade não é unicidade pessoal, mas unicidade de natureza, pois sois três
pessoas.

De facto, a natureza é princípio de acção, estruturação pessoal e reciprocidade comunitária.
Apesar de serdes o autor de todas as coisas não vos confundis com nenhuma criatura, Deus Santo e sublime.

Vós sois o princípio unificador de toda a Criação, Como diz a Carta aos Efésios:

“Há um só Corpo e um só Espírito. Existe apenas uma esperança à qual fostes chamados.
Há um só Senhor, uma só Fé, um só baptismo, um só Deus que é Pai de todos” (Ef 4, 4-6).

O facto de serdes um só Deus e a fonte do universo, dá-nos a certeza de que as coisas são boas, pois têm como origem o amor.

Deus Único e Verdadeiro, ajudai-nos a caminhar para a plenitude que preparaste para nós, isto é, a comunhão de todas as pessoas incorporadas e assumidas na comunhão da Santíssima Trindade.
Louvado sejas, Filho Eterno de Deus pelo mistério da Encarnação.

Tu Encarnaste, a fim de partilhares connosco a tua filiação divina. É muito sugestiva a passagem do evangelho de São João que diz:

“Veio para o que era seu, e os seus não o receberam. Mas aos que o receberam deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus.

Estes não nasceram dos laços do sangue, nem de um impulso da carne, nem da vontade do homem, mas sim de Deus.

E o Verbo fez-se Homem e veio habitar entre nós. Nós vimos a glória que ele possui como Filho Unigénito do Pai cheio de Graça e de Verdade” (Jo 1, 12-14).


Pelo mistério da Encarnação tu tornaste-te, Filho Eterno de Deus, o primogénito de muitos irmãos (Rm 8, 29).


Eis a razão pela qual, após a tua ressurreição, nos deste o Espírito Santo que faz de nós membros da família de Deus.


Eis o que São Paulo diz a este propósito: “De facto, Todos os que são movidos pelo Espírito de Deus são filhos de Deus.


Vós não recebestes um espírito de escravidão, para cairdes no temor, mas recebestes, pelo contrário, um Espírito de adopção graças ao qual clamais “Abba”, Papá!


É este mesmo espírito que, no nosso íntimo, dá testemunho de que realmente somos filhos de Deus” (Rm 8, 14-15).


Deus Santo e Único, Vós sois a fonte do amor. A nossa fé diz-nos que na origem do Universo está um Deus que é amor e é a interioridade máxima de todas as coisas.

Pai Santo, difunde as tuas bênçãos sobre os seres humanos, a fim de ele poderem atingir a plenitude que sonhaste para eles.

Espírito Santo, São Paulo diz que tu és o amor de Deus derramado nos nossos corações (Rm 5, 5).


Inspira-nos o que é recto e bom e dá-nos a força para realizarmos aquilo que nos inspirais.
Espírito Santo, és tu quem coloca os dons de Deus no nosso íntimo.


Por isso fizeste do nosso coração um templo onde habitas permanente. Espírito Santo, tu és a ternura maternal de Deus. És tu quem dinamiza a nossa relação com Deus Pai, o qual nos acolhe como filhos.


És tu também quem nos põe em comunicação com o Filho de Deus, o qual nos acolhe como irmãos.


A tua missão é dinamizar a nossa comunhão com Deus Pai, e também com os seres humanos com os quais estamos a caminhar para a plenitude do Reino.


Espírito Santo, suscita-nos profetas pois os seres humanos estão a perder o sentido de vida e o sentido do bem.


Suscita apóstolos que ajudem os homens a conhecer a Palavra de Deus, pois vivemos num mundo sem esperança.


Precisamos de homens e mulheres apaixonados pela trabalho da evangelização,
A fim de o mundo conhecer a verdade da salvação em Cristo.


Trindade Santa, nós vos louvamos por serdes um Único Deus e por serdes amor omnipotente!Nós te damos graças pelo grande amor com que nos criaste e nos salvaste em Cristo!

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias



sexta-feira, 12 de junho de 2009

A FÉ E OS MISTÉRIOS DE DEUS E DO HOMEM-I

I-MISTÉRIO DE DEUS E REVELAÇÃO

Não pode haver crescimento na fé sem uma caminhada de aprofundamento da Palavra de Deus.

A revelação é um dom que Deus nos oferece e a pessoa vai acolhendo de modo gradual e progressivo.

A caminhada de aprofundamento da fé não é uma questão de mera investigação. O crescimento da Fé pressupõe uma caminhada comunitária alimentada pela Palavra de Deus, pela oração e pela abertura ao Espírito Santo que habita em nós.

Quanto mais o crente aprofunda os conteúdos da revelação, mais o rosto de Deus se vai tornando claro para si.

O padrão para o crente confrontar a sua compreensão do mistério de Deus e do Homem é Jesus Cristo.

À luz da fé cristã, o Universo é um projecto sonhado, dialogado e posto em marcha por um Deus que é uma comunidade familiar.

Graças à luz da revelação, o cristão sabe que o amor está primeiro. A bíblia fornece-nos os pilares fundamentais para compreendermos o mistério de Deus e do Homem.

Por outras palavras, as Sagradas Escrituras são o fundamento e a mediação básica para o Espírito Santo actualizar a revelação no dia-a-dia da nossa vida.

À luz da revelação, a génese do Cosmos é precedida de um diálogo interpessoal de uma família de três pessoas: Pai, Filho e Espírito Santo.

A revelação de Deus não nos permite adoptar uma postura parecida com a dos dualistas gregos para quem havia uma realidade espiritual boa e uma realidade material má.

Eis o que dizem os actos dos Apóstolos a este propósito: “ O Deus que criou o mundo e tudo o que nele existe é o Senhor do Céu e da Terra.

Ele não habita em santuários feitos pela mão dos homens como se precisasse de alguma coisa, ele que a todos dá a vida, a respiração e tudo o mais.

Este Deus criou o género humano a partir de um só homem, a fim de este habitar e encher a face da terra.

Fixou a sequência dos tempos e os limites para a sua habitação, a fim de que os homens procurem a Deus, esforçando-se por encontrá-lo.

Este Deus está perto de todos nós, pois é nele que vivemos, nos movemos e existimos (…).

E nós mesmos já somos da raça de Deus, pelo que não devemos pensar que a Divindade é semelhante às esculturas de ouro, de prata ou de pedra trabalhadas pela arte dos escultores. (Act 17, 24-29).
Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

A FÉ E OS MISTÉRIOS DE DEUS E DO HOMEM-II

II-PLANO SALVADOR DE DEUS E REVELAÇÃO

O Deus que está em nós e no qual nós estamos, ama-nos ternamente e sonhou um plano de salvação para nós.

O plano de assunção e incorporação do Homem na Família Divina representa a cúpula do projecto criador de Deus.

Por outras palavras, a salvação do Homem é a cúpula do projecto criador de Deus. Deus não só criou por amor, como também programou uma aliança de amor com a Criação através do Homem.

Este projecto, Deus o realizou através do mistério da Encarnação: “O Verbo é a luz verdadeira, que, ao vir ao mundo, ilumina todos os seres humanos.

Foi por ele que o mundo foi criado, mas o mundo não o conheceu. Mas àqueles que o receberam, aos que crêem nele, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus.

Estes não nasceram dos laços do sangue, nem de um impulso da carne, nem da vontade do homem, mas sim de Deus.

E o Verbo Encarnou e veio habitar no nosso meio. Nós contemplamos a sua glória, a glória que possui como filho unigénito do Pai, cheio de graça e de verdade” (Jo 1, 12-14).

O evangelho de São João diz que nós temos de nascer de novo, a fim de atingirmos a meta que Deus sonhou para nós:

“Em resposta, Jesus declarou-lhe: “Em verdade, em verdade te digo: quem não nascer do Alto, não pode ver o Reino de Deus”.

Perguntou-lhe Nicodemos: “Como pode um homem nascer, sendo velho? Porventura poderá entrar no ventre de sua mãe outra vez, e nascer?”

Jesus respondeu-lhe: “Em verdade em verdade te digo: “Quem não nascer da água e do Espírito não pode entrar no Reino de Deus.

Aquilo que nasce da carne é carne, e aquilo que nasce do Espírito é espírito.Não te admires por eu te ter dito que tendes de nascer do Alto” (Jo 3, 3-6).

A água é a Água Viva, isto é, o Espírito Santo enquanto nascente de vida eterna no nosso íntimo (Jo 4, 14; 7, 37-39).

A outra vertente da acção do Espírito Santo em nós é o sopro do Espírito Santo a actuar no interior do barro do qual saiu Adão.

Ao tornar-se nosso irmão mediante a Encarnação, o Filho de Deus deu-nos a possibilidade de nos tornarmos membros da Família Divina.

Deste modo, o Filho de Deus passou da condição de Filho único para primogénito de muitos irmãos, como diz São Paulo:

“Porque àqueles que conheceu antecipadamente, também os predestinou para serem uma imagem perfeita de seu Filho, ao ponto deste ser o primogénito de muitos irmãos” (Rm 8, 29).

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

A FÉ E OS MISTÉRIOS DE DEUS E DO HOMEM-III


III-REVELAÇÃO E CRIAÇÃO DO HOMEM

O Livro do Génesis diz que a criação do Homem mereceu uma atenção especial graças à qual, o Homem se tornou um interlocutor de Deus.

“Então o Senhor Deus formou o Homem do pó da Terra e insuflou-lhe o sopro da vida. E o Homem transformou-se um ser vivo” (Gn 2, 7).

Jesus Cristo, depois da sua ressurreição, repete o gesto primordial da comunicação do Espírito:
“Em seguida, soprou sobre ele e disse-lhes: “Recebei o Espírito Santo” (Jo 20, 22).

O primeiro sopro inaugura a marcha da humanização do Homem.O segundo é o sopro da plenitude, o qual inicia a divinização do mesmo Homem.

Estas afirmações querem dizer que Deus faz história com o Homem. Nesta interacção histórica de Deus com o Homem, o Espírito Santo aparece como a pessoa divina que tem a missão de estar presente na marcha da História Humana.

Através desta missão histórica do Espírito Santo, Deus age, não apenas como criador, mas também como presença salvadora.

O Espírito Santo intervém no sentido de ajudar o Homem a optar na linha do amor, condição essencial para acontecer a humanização das pessoas e das sociedades.

A criação é um processo dinâmico e progressivo, no qual existe lógica, ordem e intencionalidade. Isto quer dizer que a Criação não é fruto do acaso.

Com a emergência de seres pessoais, o Universo torna-se irreversível, eterno e capaz de viver uma aliança de amor com Deus.

Por outras palavras, com o aparecimento do Homem, Deus já tem alguém para fazer uma Aliança de amor.

São Paulo diz que o Espírito Santo é o Amor de Deus derramado nos nossos corações (Rm 5, 5).

Somos habitados pelo amor de Deus desde o primeiro momento da nossa existência. Isto é verdade, tanto a nível pessoal como colectivo.

Bem sentimos como somos habitados pelas pessoas que nos marcaram, sobretudo na nossa infância.

O aprofundamento do mistério humano revela-nos que a plenitude da pessoa não está em si, mas na reciprocidade das relações de amor e comunhão.

A Carta aos efésios diz que fomos talhados para formarmos uma família com Deus mediante Jesus Cristo:

“Predestinou-nos para sermos adoptados como seus filhos por meio de Jesus Cristo, de acordo com o plano que, amorosamente, elaborou para nós (…).

Deste modo nos manifestou o mistério da sua vontade e o plano amoroso que tinha estabelecido, a fim de conduzir os tempos à sua plenitude: submeter todas as coisas a Cristo, tanto as do céu como as de terra.

Foi também em Cristo que fomos escolhidos como sua herança, predestinados de acordo com o desígnio que, livremente decidiu para nós” (Ef 1, 5-11).

Para conhecermos em profundidade o mistério do Homem precisamos de conhecer também os mistérios de Jesus Cristo e de Deus.

Na verdade, o conhecimento profundo do Homem não é apenas uma conquista da razão humana, mas também um dom que Deus no concede através da Revelação.

No coração desta revelação de Deus está o facto de a Humanidade formar uma união orgânica com Cristo e, por este facto, os seres humanos são incorporados na comunhão da Família Divina em Cristo (Jo 17, 21-23).

São Paulo diz que todos os que estão unidos a Cristo são uma Nova Criação (2 Cor 5, 17). A assunção da Humanidade na comunhão da Família é o movimento complementar da Encarnação, o enxerto do divino no humano.

À luz da fé cristã a plenitude do Homem acontece mediante a comunhão com Deus.

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

A FÉ E OS MISTÉRIOS DE DEUS E DO HOMEM-IV

IV-TERNURA DE DEUS E REVELAÇÃO

Quando aprofundamos o mistério de Deus estamos a aprofundar, também, a realidade do Homem nos seus aspectos mais profundos.

O autor do salmo oito fica espantado com a ternura de Deus para com o Homem. Admira-se sobretudo por verificar que Deus se ocupa do Homem com um amor infinito.

“ Quando contemplo os céus, obra das tuas mãos, a lua e as estrelas que tu criaste, eu pergunto-me:

O que é o homem para que te ocupes dele e o filho do homem para nele pensares e fazeres dele quase um ser divino? Na verdade, tu o coroaste de honra e glória” (Sal 8, 4-6).

Mas foi principalmente em Jesus Cristo que Deus nos revelou a sua proximidade e ternura pelo Homem. No evangelho de São João, Jesus diz que quem o vê, vê o Pai (Jo 14, 9).

Isto quer dizer que existe uma identidade perfeita entre o seu modo de ser e agir e o modo de ser e agir do Pai.

Eis o modo como a Carta aos Gálatas reconhece a ternura de Deus Pai ao enviar-nos Jesus Cristo:

“E porque sois filhos, Deus Pai introduziu nos vos corações o Espírito de seu Filho, o qual clama “Abba”, ó Pai” (Gal 4, 6).

É pelo Espírito Santo que nós somos introduzidos no diálogo da Santíssima Trindade.
Eis as palavras de São Paulo;

“Do mesmo modo o Espírito vem em ajuda da nossa fraqueza. Nós não sabemos o que dizer ou pedir a Deus nas nossas orações, mas o Espírito Santo intercede por nós com gemidos indizíveis” (Rm 8, 26).

O Espírito Santo é a pessoa divina que actualiza nos nossos corações o mistério da salvação, como Jesus diz no evangelho de São João:

“Eu vou enviar-vos o Espírito Santo, o qual procede do Pai e vos mostrará toda a verdade.
Ele vos dirá todas as coisas acerca de mim, pois virá para testemunhar de mim” (Jo 15, 26).

É o Espírito Santo que nos faz saborear a ternura de Deus para connosco. Com seu jeito maternal de amar, o Espírito Santo conduz-nos a Deus Pai que nos acolhe como filhos e ao Filho de Deus que nos acolhe como irmãos (Rm 8,14-17).

Ele é realmente o amor de Deus derramado nos nossos corações! (Rm 5, 5).

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

segunda-feira, 8 de junho de 2009

A CONFIANÇA EM DEUS COMO FONTE DE PAZ-I

I-A PAZ INTERIOR COMO DOM DO ESPÍRITO SANTO

A paz interior é um dom do Espírito Santo, diz a Carta aos Gálatas:

“Por seu lado, são estes os frutos do Espírito: amor, alegria, paz” (Gal 5, 22).
Mas isto não quer dizer que o Espírito Santo nos substitui nesta tarefa de construir a paz. Deus está connosco, mas não está nunca em nosso lugar.

Uma das primeiras atitudes da pessoa para construir a paz interior é educar a sua mente e o coração no sentido de eliminar ideias e sentimentos negativos no dia-a-dia da sua vida.

Esta meta é uma tarefa, mas sobretudo uma arte que os evangelhos nos aconselham encarecidamente.

Os pensamentos negativos não contribuem para a solução dos nossos problemas e são um obstáculo à nossa felicidade, como diz o evangelho de são Mateus:

“Quem de entre vós, com as suas preocupações, pode prolongar a duração da sua vida?” (Mt.6,25-27).

E o evangelho de Lucas acrescenta: “Tende cuidado para que as vossas vidas não fiquem pesadas devido às preocupações” (Lc.21,34).

Apesar do ritmo acelerado em que o mundo caminha, nós podemos contrariar esta tendência, evitando uma crescente excitação da vida diária.

Além de se sentir sempre cansada, a pessoa em stress sente-se frustrada por não poder produzir.

Cristo deixou-nos a Paz interior como o grande dom do Espírito Santo: “Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou” (Jo.14,27).

Eis o que São Paulo diz aos Colossenses: “Reine em vossos corações a paz de Cristo à qual fostes chamados, formando um só corpo” (Col.3,15).

Estas afirmações não são produto de uma teoria qualquer. São Lucas diz que Deus nos conduz nos caminhos que conduzem à paz:

“O Senhor guia os nossos passos no caminho da paz” (Lc.1,79). A paz e a felicidade não são produtos de um mundo ruidoso.

Pelo contrário, emergem no interior na medida em que sintonizamos interiormente com a presença de Deus.

Traduzindo esta proposta de Jesus para os nossos dias diríamos que quinze ou vinte minutos de meditação diária são fundamentais para realizarmos a “higiene” da mente e do coração.

Nesses momentos, o nosso coração dilata-se ao ponto de nos sentirmos em comunhão com todos os seres humanos, como diz São Paulo:

“Tudo vos pertence (…) a vida, a morte, as coisas presentes e as futuras. Tudo é vosso, mas vós sois de Cristo e Cristo é de Deus” (1Cor 3,21-23).

Quando sentirmos o nervosismo a querer dominar ponhamos um travão dizendo-nos:
“Para quê toda esta agitação? Não posso ter a pretensão de dominar o mundo!

Jesus convida-nos a pôr as nossas dificuldades nas mãos de Deus. Não para sermos substituídos, mas para que o Espírito Santo dinamize e optimize as nossas forças e capacidades.

Eis o que diz o evangelho de Mateus: “Não andeis preocupados, dizendo: “que iremos comer, beber ou vestir? (...).

Procurai em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça e todas estas coisas vos serão acrescentadas.

Não vos preocupeis com o dia de amanhã, pois o dia de amanhã se preocupará consigo. Basta a cada dia a sua dificuldade” (Mt 6, 31-34).

Se nos deixamos dominar pelo frenesim do mundo destruímo-nos e não conseguiremos ser válidos para os outros. Temos de aprender a livrar-nos da sobrecarga nervosa.

Se treinarmos a mente e o coração para acolher a Palavra e o Espírito Santo, depressa começaremos a sentir uma mudança na qualidade da nossa vida pessoal e relacional.

Esta experiência significa o Reino de Deus a acontecer dentro de nós como diz a Carta aos Romanos:

“O Reino de Deus é justiça, paz e alegria no Espírito Santo” (Rm14,17). Quando Paulo escreveu estas palavras não estava a pensar numa realidade distante e fora do mundo.

Pelo contrário, estava a falar de algo que se experimenta, como diz o evangelho de Lucas:
“A vinda do Reino de Deus não é observável no exterior.

Não se poderá dizer: ei-lo aqui, ou ei-lo acolá, pois o Reino de Deus está dentro de vós” (Lc.17,20-21).

É importante tomarmos estas afirmações bíblicas a sério e procurar realizar os objectivos que elas nos propõem.

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

A CONFIANÇA EM DEUS COMO FONTE DE PAZ-II

II-FELIZES OS CONSTRUTORES DA PAZ

As pessoas em cujo coração habita a paz são excelentes construtoras de paz junto dos outros.
Destas pessoas realizam a bem-aventurança dos filhos de Deus, como disse Jesus:

“Bem-aventurados os construtores da paz, pois estes serão chamados filhos de Deus” (Mt 5, 9).

Os evangelhos insistem na necessidade de estarmos atentos e colaborarmos com o Espírito Santo na edificação da paz interior, a fim de sermos agentes de paz no mundo.

Eis o que diz o evangelho de São Mateus: “Quem de entre vós, com as suas preocupações, pode prolongar a duração da sua vida?” (Mt 6,25-27).

No evangelho de São Lucas, Jesus diz-nos para não nos deixarmos dominar pelas preocupações, pois estas roubam-nos a paz:

“Tende cuidado para que as vossas vidas não fiquem pesadas devido às preocupações” (Lc 21,34).

Os pensamentos positivos tais como confiança, segurança, vontade de perdoar e servir os outros são um remédio milagroso para curar esta enfermidade.

Cristo deixou-nos a Paz interior como o grande dom da sua ressurreição: “Deixo-vos a minha paz, a minha paz vos dou” (Jo 14,27).

No canto de Zacarias, São Lucas diz que o “ Senhor guia os nossos passos no caminho da paz” (Lc.1,79).

Jesus gostava de se retirar com os discípulos para lugares silenciosos onde encontrava a paz interior.

Além disso, diz São Marcos, aconselhava os discípulos a fazerem o mesmo: “Retiremo-nos para um lugar deserto e fiquemos por ali algum tempo” (Mc.6,31).

Jesus convida-nos a pôr as nossas preocupações em Deus. É verdade que Deus não nos substitui, mas inspira-nos soluções e saídas adequadas para vencermos as dificuldades.

Eis o que diz o evangelho de Mateus: “Não andeis preocupados, dizendo: “Que iremos comer, beber ou vestir? (...).

Procurai em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça e todas estas coisas vos serão acrescentadas.

Não vos preocupeis com o dia de amanhã, pois este se preocupará consigo. Basta a cada dia a sua dificuldade” (Mt 6, 31-34).

Na verdade, quanto mais nos deixamos dominar pelo frenesim do mundo, menos capazes seremos de para ajudar os outros.

Se pensarmos que Deus está em nós e por nós, mais facilmente desaparecem do nosso coração os medos e mais facilmente surgirá a paz e a harmonia interior.

Jesus aconselha-nos a mantermos sempre uma atitude de vigilância: “Felizes os servos que o Senhor, ao chegar, encontrar vigilantes” (Lc12,37).

A presença libertadora de Deus é uma realidade que podemos experimentar de modo gradual e progressivo.

Esta experiência significa que estamos a saborear a força libertadora do Reino de Deus. Eis o que diz São Paulo:

“O Reino de Deus não é uma questão de comidas e bebidas, mas sim de justiça, paz e alegria no Espírito Santo” (Rm 14,17).

Jesus disse que os construtores da paz são felizes, pois serão chamados filhos de Deus (Mt 5,9).

Podemos dizer que uma pessoa será tanto mais capaz de construir paz no mundo em que vive,
quanto mais tiver o coração cheio de paz interior.

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

quinta-feira, 4 de junho de 2009

A TEOLOGIA DA CRIAÇÃO NA BÍBLIA-I

I-A CRIAÇÃO COMO OBRA DE DEUS

Para o pensamento bíblico, a marcha da Criação leva consigo um sentido e uma finalidade.

Isto não quer dizer que Deus esteja a determinar a marcha criadora do Universo. A fé cristã não aceita o determinismo na marcha do Universo, como não aceita o destino na marcha da História Humana.

Em relação ao Universo devemos reconhecer que na sua marcha criadora tudo acontece dentro de uma sequência de causas e efeitos.

Antes de conhecer o Deus da criação, o Povo Bíblico conheceu o Deus da História. A ideia da acção criadora de Deus surge na Bíblia como cenário necessário para o acontecimento da História.
Devido à intervenção especial de Deus na criação do Homem, a História Humana torna-se, também, uma História de salvação em Jesus Cristo.

Na visão bíblica, a acção criadora de Deus, é o alicerce do projecto de Deus sobre o Homem.

Podemos dizer que o povo bíblico, ao tomar consciência da acção criadora de Deus, não a separou da visão que já tinha da História Humana como história da salvação.

Assim, o Deus que realizou feitos poderosos para libertar Israel do Egipto, fez surgir, com o seu braço poderoso o Universo, a fim de o oferecer ao Homem.

Deus criou todas as coisas em função do Homem. Podemos dizer que o Homem é a menina dos olhos de Deus (cf. Gn 1, 27-30).

Em relação à novidade dos tempos messiânicos, os profetas começam a falar de uma Nova Aliança, a qual consiste na plenitude da Salvação.

A Bíblia tem mais que um relato da criação. O primeiro relato, elaborado pelos sacerdotes, apresenta a acção criadora de Deus em termos cultuais. Tudo é feito em seis dias.

O sétimo dia é o “sabat”, isto é, o dia do repouso e da Aliança. Este relato é elaborado em forma de um hino à glória de Deus cujo refrão se repete depois de cada estrofe: “E Deus viu que tudo era bom”.

Na visão sacerdotal, a Criação é o primeiro passo para Deus realizar a Aliança com o Homem.

O impulso criador de Yahvé atingirá o seu ponto alto na libertação do Egipto e a sua plenitude nos tempos messiânicos.

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

A TEOLOGIA DA CRIAÇÃO NA BÍBLIA-II

II-A CRIAÇÃO NO NOVO TESTAMENTO

O Novo Testamento vê Jesus Cristo como o iniciador de uma Nova Criação (2 Cor 5, 17).

A Nova Criação faz parte do plano de Deus para a Nova Aliança (cf. Lc 22, 20; 1 Cor 11, 25).

São João elabora o prólogo do seu evangelho como se estivesse a elaborar um novo relato da Criação,

Mas neste novo relato da Criação Jesus Cristo está no centro do projecto criador de Deus. Na perspectiva de São tudo foi criado pela Palavra que, agora, encarnou para realizar a plenitude dos tempos, isto é, a divinização do Homem.

Para o Novo Testamento a acção criadora dos primórdios faz parte de um plano mais vasto que é o projecto criador e salvador de Deus.

O Novo Testamento lê o acontecimento de Cristo como a plenitude deste projecto. A criação teve um início, está em génese e orienta-se para uma plenitude que engloba a comunhão do Homem com Deus.

O Novo Testamento reconhece que a plenitude do projecto criador e salvador de Deus está inaugurada em Cristo.

Ele é o Novo Adão que restaura o Homem decaído (Rm 5, 17-19). Todos os que estão unidos ao Senhor ressuscitado formam uma Nova Criação (2 Cor 5, 17).

Do mesmo modo, os que são movidos pelo Espírito que vem de Cristo são incorporados como membros da Família de Deus (Rm 8, 14-16).

Esta possibilidade de nos tornarmos membros da Família de Deus vem-nos pelo mistério da Encarnação (Jo 1, 12-14).

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

A TEOLOGIA DA CRIAÇÃO NA BÍBLIA-III

III-A PLENITUDE DA CRIAÇÃO

O primeiro relato do livro do Génesis (Gn 1, 1-2, 4) é uma afirmação de que o homem foi criado em harmonia com Deus e o seu projecto criador.

Deus interveio de modo especial na criação do Homem mediante esse beijo primordial através do qual o hálito da vida de Deus entrou no interior do barro que deu origem a Adão.

O segundo relato, o Yahvista, é uma introdução ao relato do pecado das origens através do qual o Homem consuma a rotura com a harmonia existente entre Deus e o Homem.

O autor deste relato está a inspirar-se na história da casa de David:
Deus criou o homem do barro e deu-lhe uma terra magnífica, convidando-o a reinar sobre a Criação.

A sua missão, no entanto, deve ser realizada de acordo com os critérios de Deus. As infidelidades da casa de David trazem a desgraça ao povo, tal como a infidelidade de Adão traz a desgraça à Humanidade.

O Novo Testamento vê em Cristo a Sabedoria de Deus. Ele é o modelo e a plenitude da Criação (cf. Col 1, 15-20). São Paulo diz que Jesus Cristo é o Poder e a Sabedoria de Deus (1 Cor 1, 24-25).

No princípio, Deus inicia a criação tendo em vista o grande acontecimento de Cristo ressuscitado.

Ele é o Kyrios, isto é, o rei do universo. Ele é a Palavra eficaz que realiza tudo o que significa (Heb 1, 1-4). O Messias é o herdeiro de toda a criação.

É também o Novo Adão, isto é, a Nova Cabeça da Criação. Imagem perfeita de Deus que não reivindicou ser igual a Deus, como fez o primeiro Adão (Flp 2, 6-11).

Pelo contrário, humilhou-se, assumindo a sua condição de Servo fiel até à morte, tornando-se o servo sofredor anunciado por Isaías (cf. Is 52, 13-53, 12).

A ideia bíblica de criação não surge como um conceito filosófico, mas como uma confissão de fé na existência de um projecto amoroso de Deus.

O primeiro aspecto deste projecto amoroso é a acção criadora de Deus. A origem do universo assenta numa decisão livre e amorosa de Deus. Esta decisão precede a constituição dos elementos que formam o universo.

Confrontando a fé bíblica com os dados da ciência, podemos dizer que a acção criadora de Deus é contínua.

Isto quer dizer que, para a bíblia, a criação não é uma realidade estática. O Deus Criador é também o Deus Salvador, o qual caminhada e acompanha a marcha transformadora da Criação até à sua meta que é a comunhão com o Criador.

Em comunhão Convosco
Calmeiro Matias

terça-feira, 2 de junho de 2009

A ORIGINALIDADE DA ORAÇÃO CRISTÃ-I

I-A ORAÇÃO COMO DIÁLOGO FAMILIAR

É confrangedor verificar como são poucos os cristãos que fazem da oração um encontro dialogado com Deus.

Mais triste ainda é saber que Deus está sempre disponível para comunicar connosco e como há tantos cristãos a pensar que só é possível orar em determinados lugares.

Se as pessoas que amamos estão ao nosso lado podemos falar com elas até quando estamos ocupados. Assim devia ser a prática cristã da oração.

Deus nunca está longe de nós. A morada de Deus é um campo espiritual contínuo de interacções amorosas.

Este campo é a interioridade máxima de todas as coisas. Como sabemos, a respiração é fundamental para podermos manter a nossa vida biológica.

Podemos dizer a mesma coisa da oração em relação à vida espiritual. Por outras palavras, a oração é tão essencial para o crescimento da vida espiritual, como o alimento para a vida corporal.

Na Primeira Carta aos Tessalonicenses, São Paulo aconselha-nos a orar sem cessar, dando constantemente graças a Deus (1 Tes 5, 17-18).

A oração não é um modo de mágico de manipular Deus, levando-o a fazer as coisas como nós queremos.

Não nos esqueçamos de que Deus é amor (1 Jo 4, 7-8). Isto quer dizer que a vontade de Deus a nosso respeito coincide rigorosamente com o que é melhor para nós.

Eis a razão pela qual Jesus, no Pai-Nosso, nos ensinou a pedir ao Pai do Céu que se faça a sua vontade.

Orar assim é o mesmo que pedir a Deus que se faça o que é melhor para nós. Muitas vezes nós insistimos junto de Deus que faça a nossa vontade sem nos apercebermos que a nossa vontade pode estar longe de coincidir com o que é melhor para nós.

Eis as palavras que Jesus dirigiu aos discípulos num ensinamento que lhes fez sobre a oração:

“Nas vossas orações não façais como os pagãos, pois estes gostam de repetir muitas palavras inúteis, pensando que, por falarem muito, serão melhor atendidos.

Não façais como eles porque o vosso Pai do Céu sabe muito bem do que precisais ainda antes de lho pedirdes” (Mt 6, 7-8).

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

A ORIGINALIDADE DA ORAÇÃO CRISTÃ-II

II-ORAÇÃO E COMPROMISSO DE VIDA

No Pai-Nosso, Jesus ensinou os discípulos a pedir o pão de cada dia (Mt 6, 11). Por seu lado, São Paulo insiste em que devemos trabalhar para termos pão para comer (2 Tes 3, 10).

Isto quer dizer que Deus está connosco, mas não está em nosso lugar. Por outras palavras, Deus nunca nos substitui. Está connosco, mas não está em nosso lugar.

Orar, portanto, não é um modo mágico de obrigar Deus a agir de acordo com a nossa vontade.

Pelo contrário, através da oração, o crente dispõe-se a acolher a luz e a força para podermos discernir e agir de acordo com a vontade de Deus.

Na sua carta, São Tiago convida-nos a pedir a Deus o dom da Sabedoria (Tg 1, 5). A sabedoria, na visão cristã, é a capacidade de saborear o sentido da vida e das coisas com os critérios de Deus.

A Sabedoria que vem de Deus é um dom do Espírito Santo que emerge e se fortalece pela Palavra de Deus.

A oração feita com estes critérios prepara o nosso coração, no sentido de nos predispor a acolher os dons de Deus e a agir de acordo com a sua vontade.

O evangelho de São Mateus diz que o Pai do Céu nos ama como um Pai que dá coisas boas a seus filhos.

São Paulo pediu a Deus que o libertasse de um problema difícil que o estava a atormentar.

Segundo o seu modo de falar, ele dizia que o seu problema era como um espinho espetado na carne.

Deus, porém, respondeu-lhe que preferia dar-lhe a força do Espírito Santo, a fim de o capacitar para vencer essa e muitas outras dificuldades (2 Cor 12, 7-10).

Deus deseja dar-nos sempre o que é melhor para nós. Mas isto não significa que se limite aos nossos planos e esquemas, pois nós enganamo-nos e muitas vezes não pedimos o que é melhor para nós.

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

A ORIGINALIDADE DA ORAÇÃO CRISTÃ-III


III-ORAR NO ESPÍRITO SANTO

O evangelho de São João diz-nos que se pedirmos alguma coisa em nome de Jesus isso nos será concedido (Jo 14, 13-14).

O nome, na bíblia, significa a missão. O nome de Jesus, significa, pois a sua missão de medianeiro da salvação.

Pelo facto de estarmos unidos a Cristo de modo orgânico, recebemos por ele a força do Espírito Santo que nos faz sintonizar com o querer de Deus.

Orar em nome de Jesus é o mesmo que orar no Espírito Santo. A Segunda Carta a Timóteo diz que Jesus é o único medianeiro entre Deus e os homens (1 Tim 2, 5).

A Carta aos Hebreus diz que Jesus é o sumo-sacerdote através o qual nós estamos unidos a Deus de modo permanente.

Isto quer dizer que o nosso sumo-sacerdote está permanentemente junto de Deus a interceder por nós (Heb 4, 14-16).

Orar em nome de Jesus significa participar na sua oração, pois somos membros do seu corpo (1 Cor10, 17; 12, 27; 13, 12).

Jesus disse que nós somos os ramos da videira e ele é a cepa dessa mesma videira. Só podemos dar frutos de vida eterna se estivermos unidos à cepa.

O Espírito Santo é o vínculo orgânico e o princípio animador da comunhão que nos liga familiarmente a Deus.

É ele que em nós clama “Abba”, papá, e faz de nós co-herdeiros com Cristo (Rm 8, 14-17).
Orar ao jeito de Jesus é dizer a Deus o que nos vai no coração, seja no sentido de pedir, louvar, falar da Humanidade a sofrer.

Eis o que diz São Paulo a este respeito: “Orai com o espírito e com a inteligência. Pensai nas palavras, a fim de entenderdes o que estais a dizer.

Quando orardes em comunidade, fazei-o de modo a que as pessoas vos entendam, a fim de que os ouros possam dizer “Ámen” à vossa oração” (1 Cor, 14, 15-16).

Não useis palavras vazias de significado como fazem os pagãos, diz o evangelho de São Mateus (Mt 6, 7).

A nossa oração não deve ser como a dos hipócritas que se põe a julgar os outros ou a pensar que são mais que eles.

Estes não tomam Deus a sério e por isso não ficam justificados com as rezas que fazem, diz o evangelho de São Marcos (Mc 12, 40).

Em comunhão convosco
Calmeiro Matias