
II-AMOR E ESTRUTURAÇÃO PESSOAL
Como vimos, a pessoa é um ser em construção histórica. Podemos dizer que a pessoa humana é uma realidade emergente e progressiva.
Todos nascemos como seres inacabados. A humanização do homem é um processo de espiritualização possibilitado pela dinâmica do amor.
Amar é uma dinâmica de bem-querer que tem como origem a pessoa e como meta a comunhão.
O amor só pode acontecer em contexto de relações livres, conscientes e responsáveis.
Por outras palavras, o amor nunca se impõe. Ninguém pode exigir ao outro que o ame. Como dinâmica de bem-querer, o amor nunca amadurece sob uma situação de dominação.
A liberdade cresce em contexto de amor e o amor fortalece-se em contexto de liberdade. A liberdade é a capacidade de a pessoa se relacionar amorosamente com os outros e de interagir criativamente com as coisas e os acontecimentos.
A liberdade emerge a partir do amor, o qual facilita a emergência do melhor que existe em nós e naqueles com quem nos relacionamos.
A pessoa não nasce livre, mas com a possibilidade de o ser. É importante não confundir liberdade com livre arbítrio.
Este não é a liberdade, mas a possibilidade de a pessoa ser livre. Na verdade, o livre arbítrio é a capacidade psíquica de optar, condição para a pessoa se tornar livre.
Como capacidade psíquica de optar, o livre arbítrio pode orientar-se no sentido do bem ou do mal.
A pessoa torna-se livre na medida em que opta pelo bem. A liberdade, portanto, está para lá do livre arbítrio. De facto, Deus é infinitamente livre e, no entanto, não tem livre arbítrio, pois não pode optar pelo mal.
Não cresce como pessoa quem decide agir contra o amor. Deus não pode optar contra o amor, pois como diz a Primeira Carta de São João, “Deus é Amor” (1 Jo 4, 7).
A pessoa que se abre ao amor torna-se ponto de encontro único, original e irrepetível na Comunhão Universal da Família de Deus.
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