
Por ser relacional, a vida eterna define-se pela qualidade das nossas relações de comunhão amorosa.
Não é uma coisa que seja possuída por todos da mesma maneira. A nossa plenitude no Reino depende da nossa realização na história.
No Reino de Deus dançaremos o ritmo do amor com o jeito que tivermos treinado agora na História.
Isto quer dizer que a vida eterna, tal como a morte eterna, dependem das opções da pessoa em relação ao amor.
Graças ao mistério da Encarnação, a pessoa vai sendo divinizada na medida em que se humaniza.
No face-a-face com Deus, a pessoa humana conhece Deus com os olhos do coração, não com os olhos da cara.
Podemos dizer que a qualidade do conhecimento de Deus depende da qualidade do nosso coração.
Eis como o evangelho de São Lucas descreve este conhecimento do Filho pelo impulso amoroso do Espírito Santo:
“Nesse mesmo instante, Jesus estremeceu de alegria sob a acção do Espírito Santo e disse:
“Bendigo-te ó Pai, Senhor do Céu e da Terra, porque escondestes estas coisas aos sábios e aos inteligentes e as revelastes aos pequeninos.
Sim, Pai, porque foi esta a tua vontade e o teu agrado. Tudo me foi entregue por meu Pai. Ninguém conhece quem é o Filho senão o Pai.
Do mesmo modo ninguém conhece quem é o Pai senão Filho e aquele a quem o Filho achar por bem revelar” (Lc 10, 21-22).
A Primeira Carta de São João diz que só podemos conhecer Deus através do amor: “Caríssimos, amemo-nos uns aos outros, porque o amor vem de Deus.
Todo aquele que ama nasceu de Deus e chega ao conhecimento de Deus. O que não ama não chegou a conhecer Deus, pois Deus á amor” (1 Jo 4, 7).
Isto quer dizer que as pessoas a quem a Palavra não chegou têm a possibilidade de conhecer Deus através do amor.
É evidente que não se trata de um conhecimento conceptual, mas sim de um conhecimento existencial.
Por outras palavras, para os que não ouviram falar de Cristo, o conhecimento de Deus assenta no seu amor aos irmãos uma vez que não receberam a Palavra de Deus.
Eis as palavras da Primeira Carta de São João: “A Deus nunca ninguém o viu. Mas se nos amarmos uns aos outros, Deus está connosco e o seu amor chega à perfeição em nós” (1 Jo 4, 12).
E mais à frente, esta carta explica a razão deste conhecimento de Deus: “Deus é amor. Quem permanece no amor permanece em Deus e Deus nele” (1 Jo 4, 16).
Por ser Amor, Deus torna-se presente no coração do amor humano.Agora podemos compreender melhor a passagem do evangelho de São João onde Jesus diz a Tomé:
“Eu sou o caminho, a Verdade e a Vida. Ninguém pode ir ao Pai senão por mim” (Jo 14, 6).
Depois responde a Filipe dizendo-lhe: “Há tanto tempo que estou convosco e não me ficastes a conhecer, Filipe?
Quem me vê, vê o Pai. Como é que ainda me dizes mostra-nos o Pai” (Jo 14, 8-9). O conhecimento de Deus, portanto, não é uma mera teoria.
Calmeiro Matias
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