quarta-feira, 6 de maio de 2009

JESUS CRISTO COMO FILHO DO HOMEM-IV

IV-O FILHO DO HOMEM COMO FILHO PREEXISTENTE

E se virdes o filho do Homem subir para onde estava antes?” (Jo 6, 62). Com o evangelho de São João o título de Filho do Homem adquire a sua profundidade máxima: O Filho do Homem é o Filho preexistente de Deus.

É eterno como o Pai e é Deus com ele e o Espírito Santo. Visto a esta nova luz, o Filho do Homem torna-se o Filho de Deus encarnado:

“O Verbo era Luz verdadeira que, ao vir ao mundo, ilumina todos os homens. Ele estava no mundo e o mundo veio à existência por ele.

Mas o mundo não o reconheceu. Veio ao que era seu e os seus não o receberam. Mas aos que o receberam, a todos os que nele crêem deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus.

Estes não nasceram dos laços do sangue, nem do impulso da carne, nem da vontade do homem, mas sim de Deus.

E o Verbo encarnou e habitou no meio de nós. Nós contemplámos a sua glória, glória que possui como Filho Unigénito do Pai, cheio de Graça e de Verdade” (Jo 1, 9-14).

O Filho do Homem preexistente revela-nos as duas faces do mistério de Cristo: a face humana e a face divina.

A dimensão divina e a humana interagem de modo perfeito, formando uma união orgânica de grandeza humano-divina animada pelo Espírito Santo.

Em Jesus Cristo o humano não diminui o divino e o divino não anula o humano. Por outras palavras, em Jesus Cristo, a natureza humana, tal como a divina, realizam-se de modo perfeito em Cristo.

Deus é apenas um, apesar das pessoas do Pai e do Filho serem distintas, inconfundíveis e formarem uma unidade orgânica no Espírito Santo.

Do mesmo modo, Cristo é apenas um, apesar da sua grandeza humano-divina. Trata-se de uma unidade orgânica, isto é, relacional e interactiva animada pelo Espírito Santo.

O Pai e o Filho fazem Um, diz o evangelho de São João (Jo 10, 30).

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

sábado, 2 de maio de 2009

A PAZ DE CORAÇÃO COMO DOM E TAREFA-I

I-HUMILDADE E PAZ DE CORAÇÃO

Um dia Jesus fez a seguinte proposta aos discípulos: “Aprendei de mim que sou manso e humilde de coração” (Mt 11,29).

No sentido espiritual o coração é o núcleo mais nobre da nossa interioridade, a partir do qual brotam as opções e escolhas decisivas para a humanização da pessoa humana.

Para modelarmos um coração parecido ao de Jesus precisamos de ser guiados pelo Espírito Santo.

São Paulo diz que o Espírito Santo é o amor de Deus derramado nos nossos corações. Eis algumas atitudes e opções fundamentais para moldarmos o nosso coração de acordo com o coração de Jesus Cristo:

Não estar sempre a culpar os outros das coisas que nos correm mal.

Não é possível moldar uma coração de acordo com o de Jesus sem cultivarmos a humildade.

A humildade é a capacidade de se relacionar com as pessoas numa linha de verdade e saber situar-se socialmente de modo adequado e correcto.

Ser humilde é procurar ser verdadeiro em relação às nossas qualidades e defeitos.

Não é humilde a pessoa que se julga sempre melhor que os outros.

Santa Teresa dizia que a humildade é a verdade. A pessoa humilde é uma pessoa lúcida e sensata.

A pessoa humilde sabe ver com realismo as suas qualidades, mas também as suas limitações e defeitos.

A pessoa humilde reconhece que ninguém é bom em tudo.

É verdade que em determinado aspecto podemos ser melhores que os outros. Mas por ser sensata, a pessoa humilde compreende e aceita que haja muitas pessoas melhores do que ela em muitos outros aspectos.

A pessoa humilde sabe que precisa dos outros. Na verdade, ninguém se basta a si mesmo e ninguém é capaz de ser feliz sozinho.

Seria errado pensar que humilde é a pessoa que julga não valer nada. A pessoa humilde não se julga indispensável.

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

A PAZ DE CORAÇÃO COMO DOM E TAREFA-II

II-RELAÇÕES FRATERNAS E PAZ DE CORAÇÃO

Para termos um coração parecido com o de Jesus precisamos de cultivar a amabilidade. A amabilidade tira força à agressividade dos outros.

No momento em que alguém esteja a ser agressivo para nós, se procurarmos ser amáveis e serenos ficaremos espantados com a força da mansidão.

Para termos uma coração semelhante ao de Jesus é fundamental ouvir os outros e procurar compreender os sentimentos e ideias que eles procuram comunicar-nos.

Cultivar a lealdade em relação às outras pessoas, sobretudo sabendo guardar segredo sobre o que elas nos comunicam.

Só assim merecemos que elas nos comuniquem o mais íntimo de si. É importante saber valorizar as coisas que as outras pessoas fazem e prestar atenção às suas etapas de crescimento.

É importante termos presente que não há crescimento sem crises. Procuremos edificar a fraternidade sobre em relações baseadas assente na verdade e na autenticidade.

Para termos um coração como o de Jesus é importante tomarmos a sério as amizades. Deus também nos toma a sério e pede-nos que realizemos apenas os talentos que temos e não outros.

Lembremo-nos que as coisas boas que as outras pessoas fazem não deixam de o ser, só porque não foram realizadas por nós.

Ser atento à pessoa do outro estando dispostos a falar quando sentirmos que isso é útil e válido.
Do mesmo modo, devemos estar dispostos a calar-nos sobretudo quando o outro deseja comunicar algo.

É importante compreender e olhar com respeito a história das outras pessoas, a fim de compreender melhor as suas atitudes e comportamentos.

É importante olhar com as lentes da fé para as pessoas. Lembremo-nos de proceder de modo a que os outros dêem graças a Deus por nos terem encontrado na vida.

Na verdade os outros são um dom de Deus para nós, pois ninguém se pode realizar sozinho.

Lembremo-nos com frequência que os outros são irmãos que Deus nos dá, a fim de criarmos laços de fraternidade, condição fundamental para edificarmos a família de Deus.

Procuremos reconhecer as qualidades das outras pessoas e não girar de modo obsessivo em redor dos seus defeitos.

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

A PAZ DE CORAÇÃO COMO DOM E TAREFA-III


III-ESPÍRITO SANTO E PAZ DE CORAÇÃO

São Paulo diz que o Espírito Santo é o Amor de Deus derramado nos nossos corações (Rm 5,5).

A primeira Carta aos Coríntios diz que o Espírito Santo habita nos nossos corações como num templo (1 Cor 3, 16).

Jesus aconselhava as pessoas a procurar momentos de silêncio, a fim de poderem entrar no seu íntimo e escutar aí a voz do Espírito Santo.

Também aconselhava os discípulos a não se deixarem dominar por preocupações excessivas.
Esta maneira de proceder não resolve os nossos problemas, acrescentava Jesus:

“Quem de entre vós, com as suas preocupações, pode prolongar a duração da sua vida?” (Mt.6,25-27).

No evangelho de São Lucas ele é ainda mais explícito quando afirma: “Tende cuidado para que as vossas vidas não fiquem pesadas devido ao excesso de preocupações” (Lc.21,34).

São Paulo diz que a Paz de coração é um dos frutos do Espírito Santo (Gal 5,22). O Espírito Santo é, no nosso interior, uma presença geradora de paz e alegria, pois capacita-nos para darmos frutos de vida.

A pessoa dominada pelo stress fica empobrecida e bloqueada nas suas capacidades físicas e mentais.

Além de se sentir cansada vive frustrada por não ser capaz de se concentrar e criar. Na véspera de partir para o Pai, Jesus deixou-nos a paz interior como o grande dom do Espírito Santo:

“Deixo-vos a minha paz, a minha paz vos dou” (Jo.14,27).

São Paulo, depois de ter experimentado a riqueza da vida dinamizada pelo Espírito Santo, escreve aos Colossenses:

“Reine em vossos corações a paz de Cristo à qual fostes chamados, a fim de formardes um só corpo” (Col 3,15).

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Calmeiro Matias

A PAZ DE CORAÇÃO COMO DOM E TAREFA-IV

IV-A PAZ INTERIOR COMO TAREFA

Sempre que a Palavra de Deus encontra eco no nosso coração podemos ter a certeza de que estamos a ouvir a voz do Espírito Santo.

Segundo o ensinamento de Jesus, as coisas mais importantes acontecem no interior das pessoas.

Por isso ele aconselha os discípulos a procurarem a força do Espírito Santo no silêncio fora dos ruídos do mundo:

“Retiremo-nos para um lugar deserto, disse-lhes Jesus, e fiquemos ali por algum tempo” (Mc.6,31).

Traduzindo esta proposta de Jesus para os nossos dias tenhamos a certeza de que quinze ou vinte minutos de concentração e meditação diária são muito importantes para realizarmos a “higiene” da mente e do coração.

Deste modo encontraremos equilíbrio, sabedoria e força para sermos sal, luz e fermento no meio do mundo, como diz Jesus (Mt 5, 13-16).

Quando sentirmos o nervosismo a progredir e a agitar o nosso coração ponhamos um travão e procuremos a paz interior procurando sintonizar com o Espírito Santo que está em nós.

Jesus convidava os discípulos a pôr os problemas e dificuldades nas mãos de Deus. A Primeira Carta de São João diz que Deus é amor (1 Jo 4, 7).

Isto quer dizer que podemos ter a certeza de que a vontade de Deus a nosso respeito coincide com o que é melhor para nós.

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Calmeiro Matias

A PAZ DE CORAÇÃO COMO DOM E TAREFA-V

V-CONFIANÇA EM DEUS E PAZ DE CORAÇÃO

Através dos seus ensinamentos, Jesus convidava as pessoas a treinar a arte da confiança em Deus

Podemos ter a certeza de que Deus está connosco, por nós e para nós. As pessoas em cujo coração habite a paz de coração, tornam-se construtoras de paz junto das pessoas que se cruzam consigo.

Deste modo vão realizando na sua vida a bem-aventurança prometida aos construtores da paz:

“Bem-aventurados os construtores da paz, pois estes serão chamados filhos de Deus” (Mt 5, 9).

Apesar do ritmo acelerado em que o nosso mundo se move, nós podemos contrariar esta tendência, não nos deixando dominar pela excitação da vida diária.

É bom recordar as palavras de São Paulo na Carta aos Gálatas: “O fruto do Espírito é paz…” (Gal 5, 22).

Zacarias, o pai de São João Baptista, exulta de alegria pelo dom de seu filho e diz o seguinte:
“O Senhor guia os nossos passos no caminho da paz” (Lc.1,79).

A paz e a felicidade emergem no interior da pessoa que no seu interior sintoniza com a presença do Espírito Santo.

Nesses momentos, a pessoa faz uma experiência maravilhosa de comunhão com Deus e com a Humanidade.

Saboreia ainda a harmonia do Universo com o qual se sente em sintonia, pois este é um dom de Deus para todos nós, como diz São Paulo:

“Tudo vos pertence (…) a vida, a morte, as coisas presentes e as futuras. Tudo é vosso, mas vós sois de Cristo e Cristo é de Deus” (1Cor.3,21-23).

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

A PAZ DE CORAÇÃO COMO DOM E TAREFA-VI

VI-PAZ DE CORAÇÃO E FECUNDIDADE DE VIDA

Quando sentirmos o nervosismo a querer dominar-nos ousemos enfrentar a situação dizendo para nósmesmos:

“Para quê toda esta agitação? Não é com este nervosismo que eu vou melhorar o mundo e as minhas relações com os outros”.

Eis o que Jesus nos aconselha: Não vos preocupeis com o dia de amanhã. Basta a cada dia basta a sua própria dificuldade” (Mt 6, 34).

Na verdade, quanto mais nos deixamos dominar pelo frenesim do mundo mais limitamos as nossas capacidades de dar frutos de vida.

Ao mesmo tempo menos capazes seremos de nos manter equilibrados e poder ajudar os outros.

Se pensarmos que Deus está em nós e por nós, mais facilmente desaparecem do nosso coração os medos e mais facilmente surgirá a paz e a harmonia interior.

Jesus aconselha-nos a manter sempre uma atitude de vigilância: “Felizes os servos que o Senhor, ao chegar, encontrar vigilantes” (Lc.12,37).

A presença libertadora de Deus em nós pode ser experimentada no dia-a-dia da nossa vida.
É uma experiência que nos confirma que o Reino de Deus está a acontecer dentro de nós como paz e alegria, diz a Carta aos Romanos:

“O Reino de Deus não é uma questão de comidas e bebidas, mas sim de justiça, paz e alegria no Espírito Santo” (Rm14,17).

Jesus falou do Reino de Deus como realidade a emergir no nosso interior das pessoas: “A vinda do Reino de Deus não é observável no nosso exterior.

Não se poderá dizer: ei-lo aqui, ou ei-lo acolá, pois o Reino de Deus está dentro de ós” (Lc.17,20-21).

Isto quer dizer que a paz de coração é um sinal de que o Reino de Deus está emergir no nosso íntimo.

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

segunda-feira, 27 de abril de 2009

FINAL DA HISTÓRIA E SALVAÇÃO-I

I-O PLANO DE DEUS É UM PROJECTO DE AMOR

A fé cristã ensina-nos que a História terá um fim e o Homem será incorporado na Família de Deus.

Eis o que diz a primeira carta a Timóteo: Deus quer que todos os homens sejam salvos e cheguem ao conhecimento da verdade (1 Tim 2, 4).

No evangelho de São João, Jesus diz que ele mesmo é a porta e todo aquele que passar por esta porta entra na salvação (Jo 10, 9).

A vontade do Pai que me enviou é que eu não perca nenhum daqueles que ele me deu (Jo 6, 39).

Deus chamou-nos para uma vocação santa, não pelas nossas obras, mas em virtude do seu plano de salvação e pela graça (2 Tim 1, 8-9).

Quando chegar o final da História acontecerá a plenitude da Humanidade como um todo orgânico e interactivo.

Os eleitos, isto é, os que têm coração para comungar com Deus e os irmãos, são plenamente incorporados na comunhão da família de Deus.

A Carta aos Efésios diz que fomos eleitos em Cristo antes da criação do mundo (Ef 1, 3-4). Isto quer dizer que Deus nos talhou para comungarmos com ele.

A Segunda Carta a Timóteo diz que as Escrituras nos comunicam a Sabedoria que conduz à Salvação pela fé em Cristo (2 Tim 3, 15).

Estes textos ajudam-nos a olhar a História como um projecto com um sentido salvador. O conteúdo central do Novo Testamento é, de facto, a Boa Nova da Salvação em Cristo.

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Calmeiro Matias

FINAL DA HISTÓRIA E SALVAÇÃO-II

II-A NOVACRIAÇÃO EM CRISTO

Graças a Cristo e ao Espírito Santo que ele nos envia os seres humanos já são filhos e herdeiros de Deus Pai e co-herdeiros com o Filho de Deus (Rm 8, 14-17).

O evangelho de São João diz que Jesus não veio para julgar o mundo mas para o salvar (Jo 12, 47).

Ainda que o homem exterior se vá degradando e envelhecendo, o interior vai-se renovando diariamente pala acção do Espírito Santo (2 Cor 4, 16).

Assim como a morte veio por um homem, por um homem veio a salvação que é a vida eterna (Rm 5, 12-21).

Se alguém está em Cristo é uma nova criação. Passou o que era velho. Tudo isto nos vem de Deus Pai que, em Cristo, reconciliou a Humanidade consigo não levando mais em conta os pecados dos homens (2 Cor 5, 17-19).

Na verdade Deus destinou-nos para sermos seus filhos adoptivos em Cristo (Ef 1, 5). Com Cristo, portanto, seremos herdeiros (Ef 1, 9-11).

Este mistério esteve oculto durante milénios, mas foi-nos revelado através do seu Filho nestes tempos que são os da plenitude (Col 1, 26).

Ao chamar-nos à fé, Cristo incorporou-nos no grupo do resto fiel, o qual está livre da ira que está para vir (1 Ts 1, 10).

A nossa plenitude é a comunhão universal do Reino de Deus. Ninguém é filho de Deus de modo individual ou a título pessoal.

Somos filhos porque fazemos um todo orgânico com Cristo. Somos convidados a dizer Pai-Nosso, a fim de compreendermos que Deus é nosso Pai na medida em que formos irmãos dos outros.

É este o modo de ser irmão de Deus Filho e filho de Deus Pai.

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

FINAL DA HISTÓRIA E SALVAÇÃO-III


III-ASSUMIDOS NA COMUNHÃO FAMILIAR DE DEUS

Fomos chamados a unir-nos ao Filho, a fim de fazermos uma unidade orgânica com o Pai mediante o Espírito Santo (Jo 17, 21-23).

Vista à luz da fé, a História está cheia de sentido, pois é um projecto de amor sonhado de Deus.

Ao ressuscitar, Jesus introduziu a História na plenitude, isto é, na fase dos acabamentos. Os Apóstolos associavam o final da História com a Segunda vinda de Cristo.

São Paulo imaginava que o fim dos tempos estava para muito breve. Deus enviou o seu Filho, a fim de se tornar o primogénito de muitos irmãos e, deste modo, nos integrar na plenitude do Reino (Rm 8, 29).

E porque Cristo ressuscitado nos introduziu na Família de Deus, todos nós já podemos proclamar “Abba”, ó Pai! (Gal 4, 4-7).

As primeiras comunidades cristãs julgavam que a História estava precisamente a atingir o seu fim.

Os Apóstolos pensavam que ainda estariam vivos no dia da segunda vinda de Cristo (Lc 21, 20-30).


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Calmeiro Matias


FINAL DA HISTÓRIA E SALVAÇÃO-IV

IV-O DIA DO JUÍZO

Influenciados pela visão trágica dos apocalipses judeus, os apóstolos, após a ressurreição de Jesus, começam a associar a segunda vinda de Cristo com o dia da ira.

O dia da ira significava para o judaísmo do tempo de Jesus, o dia em que Deus enviaria os seus anjos para destruir os pecadores.

Pouco a pouco começam a associar o dia da ira com a vinda do Messias. Nesse dia apenas um pequeno resto, o chamado resto fiel, escaparia à destruição.

São Paulo interpretava a segunda vinda de Cristo na linha do dia da ira. Ele julgava que as comunidades cristãs como o pequeno resto fiel que escaparia à punição final ele diz o seguinte aos Tessalonicenses:

“Deus não nos destinou para a ira mas para a salvação em nosso Senhor Jesus Cristo (1 Ts 5, 9).

O livro do Apocalipse vê o resto fiel constituído pelos justos do Antigo Testamento. O número dos justos da Antiga Aliança é de cento e quarenta e quatro mil.

Trata-se de um múltiplo de doze que simboliza os doze patriarcas multiplicados pelos doze apóstolos.

Vem depois a multidão dos cristãos vindos do paganismo e oriundos dos diversos quadrantes da terra:

“Não danifiqueis a terra nem o mar nem as árvores até termos marcado com o selo a fronte dos servos do nosso Deus.

Ouvi depois o número dos que foram assinalados: “cento e quarenta e quatro mil de todas as tribos de Israel (…).

Depois disto apareceu uma multidão que ninguém podia contar, a qual provinha de todas as nações, povos e línguas” (Apc 7, 3-9).

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Calmeiro Matias

FINAL DA HISTÓRIA E SALVAÇÃO-V

V-O DIA DA SALVAÇÃO

Pouco a pouco, o Espírito Santo foi conduzindo as comunidades para a verdade do plano de Deus.

De modo gradual, os crentes começam a compreender que a vinda gloriosa de Jesus Cristo não será uma tragédia, mas sim a plena realização do amor salvador de Deus.

Jesus vai conferir plenitude à História realizando não a destruição dos pecadores, mas a realização do juízo de Deus, o qual é um juízo de salvação, não de condenação.

O juízo de salvação consiste em que Deus não permite que se perca nada daquilo que existe de
salvável na pessoa humana.

Por outras palavras, o juízo final de Deus não se compara com os julgamentos dos tribunais humanos, mas sim com os julgamentos dos pais, os quais são feitos pela lei do amor.

No final da História, e com o juízo final realizado segundo a lei do amor, o Reino de Deus atingirá a sua plenitude.

Nesse dia realizar-se-à a afirmação da Primeira Carta a Timóteo, a qual afirma: “A vontade de Deus é que todas as pessoas se salvem e cheguem ao pleno conhecimento da verdade” (1 Tim 2, 4).

Eis o que diz a Carta a Tito: Manifestou-se a graça de Deus para salvação de todos os homens (Tt 2, 11).

Quanto à maneira de se realizar este juízo e plenitude humana não devemos imaginar uma multidão homens e mulheres reunidos em qualquer canto da terra.

Na verdade esta plenitude final acontecerá no íntimo do coração das pessoas que estejam em comunhão com Deus.

Eis o que diz São Lucas sobre a plenitude do Reino: “O Reino de Deus não vem de modo aparatoso.

Na verdade trata-se de uma realidade que está dentro de cada um de vós (Lc 17, 20).

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Calmeiro Matias

quinta-feira, 23 de abril de 2009

ALEGORIA SOBRE O PECADO DE ADÃO-I

I-O FRACASSO DE ADÃO

Adão, na bíblia, significa a Humanidade nos seus primórdios. O Livro do Génesis diz-nos que Adão foi criado para viver em harmonia com o Criador.

Mas logo no princípio, numa bela manhã cheia de sol e aves a chilrear, aconteceu a tragédia da rotura.

Enquanto caminhavam pelo jardim, Adão e Eva deixaram-se vencer pela tentação de serem iguais a Deus.

A tentação não é pecado. Pecado é ceder às sugestões da tentação. A tentação é uma sugestão subtil que pretende convencer o Homem de que é melhor para nós fazer o contrário do que Deus nos propõe.

Podemos dizer que o pecado é sempre uma oposição ao amor. A experiência ensina-nos que opor-se ao amor não é nunca a melhor opção para a pessoa.

A pessoa humana tem sempre a possibilidade de se opor à vontade de Deus. Mas quando isto acontece, a pessoa humana está fazendo uma opção que a conduz para o caminho do malogro e do fracasso.

No interior da nossa consciência, o Espírito Santo inspira-nos e convida-nos no sentido de fazermos a vontade de Deus.

A tentação, pelo contrário, pretende fazer-nos crer que o nosso bem está em fazermos o contrário do que Deus nos propõe.

Adão deixou-se seduzir pela tentação, recusando-se a dar ouvidos às propostas de Deus.

Com seu jeito maternal de amar, o Espírito Santo vai-nos interpelando e convidando a olhar a verdade do projecto de Deus.

Com uma ternura infinita, ele sugere-nos que a vontade de Deus coincide exactamente com o que é melhor para nós.

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Calmeiro Matias

ALEGORIA SOBRE O PECADO DE ADÃO-II

II-ADÃO FACE À TENTAÇÃO

Associando a vontade de Deus com a Árvore da Vida, podemos dizer que as pessoas que optam pelo fruto da Árvore da Vida têm a vida Eterna, (cf. Gn 3, 22).

A Árvore do conhecimento do bem e do mal, pelo contrário, é a arbitrariedade que gera a morte.
Desvinculada da sabedoria a ciência humana é profundamente ambígua.

Privada da sabedoria que confere o sabor da História, do Homem, e do plano criador de Deus, a ciência humana é perigosa.

Todos conhecemos as tragédias que muitas conquistas da ciência trouxeram para a Humanidade.
Dando ouvidos à tentação, Adão preferiu o fruto da Árvore do conhecimento do bem e do mal.

Mas o ser humano muitas vezes prefere decidir-se pelo fruto da árvore proibida, optando pelo capricho revestidos com a capa da autonomia.

A tentação não é pecado. Pecado é a pessoa ceder às insinuações da tentação, pensando que o mal é bem para nós.

Quando isto acontece, a nossa mente fica baralhada e julgar que o mal é bem para nós. A tentação é uma sugestão que conduz à mentira e ao erro.

Na oração do Pai-Nosso, Jesus ensinou os discípulos a pedir a Deus que não os deixe cair na tentação.

Deus conhece muito bem o que é melhor para nós. Como é fiel e verdadeiro, o seu querer não é um capricho, mas o desejo de que sejamos pessoas realizadas e felizes.

No Livro do Génesis a serpente é apresentada como o símbolo da tentação e da mentira.

Como símbolo da mentira, a serpente tentou destruir a amizade que reinava entre Adão e Deus, servindo-se da mentira.

Eis as suas palavras: “Deus disse-vos que se comêsseis o fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal, morreríeis.

Mas isso não é verdade. Pelo contrário, se comerdes esse fruto, acabais por ser iguais a Deus”.
A tentação não passava de uma insinuação que viria a culminar no fracasso da morte.

Eva deixou-se conduzir pela mentira, comendo o fruto da morte e dando dele ao seu marido.
O pecado atinge o pecador e, além disso, faz ainda outras vítimas.

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Calmeiro Matias

ALEGORIA SOBRE O PECADO DE ADÃO-III

III-AS CONSEQUÊNCIAS DO PECADO DE ADÃO

Depois de pecar, Adão descobriu as consequências trágicas do seu pecado. Ao descobrir que estava nu, isto é, incapaz de se humanizar deu-se conta que, afinal, não podia ser Deus por si mesmo.

É verdade que Deus tinha sonhado um plano de divinização para o Homem, mas isso é um dom de Deus e não uma conquista do Homem:

“Todos os que se deixam conduzir pelo Espírito de Deus são filhos de Deus. Vós não recebestes um espírito de servidão, mas sim um Espírito de filiação que faz de vós filhos, o qual, no vosso íntimo clama: “Abba” ó Pai” (Rm 8, 14-15).

Ao aperceber-se de que estava nu, Adão sentiu-se numa situação de total malogro e fracasso sem possibilidades de se realizar e ser feliz.

Mas Deus mostrou o seu amor total a Adão e Eva, chamando-os e iniciando com eles uma nova relação de amizade.

Adão conhecia o plano de Deus para ele e, portanto, sabia o que era o melhor para ele. Mas em vez de dar ouvidos a Deus, Adão deu ouvidos à tentação, acabando por entrar no caminho do malogro e do fracasso.

Como era a cabeça da Humanidade, Adão conduziu-a para o fracasso. Mas Deus planeia logo a tarefa da restauração, prometendo a Eva o Messias libertador (Gn 3, 15).

O descendente de Eva que vencerá a serpente, ajudando a Humanidade a caminhar de acordo com a vontade de Deus.

O descendente prometido a Eva é Cristo, o qual, ao ressuscitar, nos põe em comunhão íntima com o Espírito Santo que, no nosso coração, nos fortalece e torna capazes de vencermos a tentação.

Por isso agora, como diz São Paulo, se nos deixarmos conduzir pelo Espírito de Deus somos incorporados na família de Deus (Rm 8, 14-17).

Adão e Eva compreenderam que a infidelidade à vontade de Deus deixa a pessoa incapaz de atingir a sua plena realização.

Esta experiência interpela os seres humanos a abrir o coração e a mente ao plano de Deus que, por ser infinitamente sábio, sabe o que é melhor para nós.

Ao mesmo tempo, como Deus é infinitamente bom, quer sempre o que é melhor para nós.

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

ALEGORIA SOBRE O PECADO DE ADÃO-IV

IV-ADÃO E O MISTÉRIO DA INIQUIDADE

O Livro do Génesis diz que Deus, à medida que ia fazendo surgir as obras da Criação, exclamava de contentamento, pois achava que a sua obra era boa (Gn 1, 12; 18; 21; 25; 31).

Mas logo a seguir, o Livro do Génesis, diz que Deus ficou desencantado, pois o Homem, com o seu pecado distorceu o plano criador de Deus (Gn 6, 13-22).

Mas Deus insiste e renova a sua Aliança com Noé (Gn 6, 17-18). O relato do dilúvio é um relato alegórico para dizer que o pecado destrói o Homem.

O Livro do Génesis associa a morte com o pecado de Adão: “Comerás o pão com o suor do teu rosto, até que voltes à terra de onde foste tirado porque tu és pó e ao pó voltarás” (Gn 3, 19).

É verdade que a morte como acontecimento natural não tem a ver com o pecado. Mas podemos dizer que o pecado é sempre gerador de morte, mas morte não natural.

É neste sentido que devemos entender o relato do fratricídio de Caim ao matar Abel. Também é neste sentido que devemos interpretar os homicídios, isto é, mortes não naturais que têm manchado a História de sangue humano.

Também quando matamos as possibilidades de humanização nos irmãos, estamos a matar o irmão, impedindo-o de emergir.

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

ALEGORIA SOBRE O PECADO DE ADÃO-V

V-SALVOS PELO NOVO ADÃO

“Portanto, como pela falta de um só veio a morte, para todos, assim também pela fidelidade de um só veio a vida para todos.

De facto, assim como pela desobediência de um só homem todos caíram no fracasso do pecado, assim também pela obediência de um só todos são restaurados (Rm 5, 18-19).

Deus correu o risco de criar o Homem como ser dotado de livre arbítrio, isto é, com a capacidade psíquica de escolher pelo bem ou pelo mal.

O livre arbítrio é a possibilidade de a pessoa humana se tornar livre. A liberdade é sempre um bem, mas a pessoa humana, dotada de livre arbítrio, pode recusar-se a ser livre, optando pelo mal.

A liberdade é a capacidade de se relacionar amorosamente com os outros e interagir de modo criativo com as coisas e os acontecimentos.

A liberdade humana é, portanto, o resultado de uma cadeia de opções na linha do amor. Mas o livre arbítrio é a capacidade psíquica de optar pelo bem ou pelo mal, isto é, pelo amor ou contra o amor.

Só a dinâmica do amor humaniza o ser humano, fazendo-o emergir como pessoa livre, consciente, responsável e capaz de comunhão amorosa.

Se assim não fosse, a pessoa era fatalmente um ser humanizado e, portanto, livre. Mas a verdade não é esta, pois, a pessoa não nasce livre, mas com a possibilidade de se tornar livre.

Se temos a possibilidade de nos tornarmos livres, isto quer dizer que não somos livres de modo fatal.

A liberdade é uma das dimensões principais do homem humanizado. Um ser humano profundamente desumanizado é uma pessoa muito pouco ou quase nada livre.

Com efeito, temos a possibilidade de dizer não à nossa realização se essa for a nossa preferência.
É precisamente aqui que radica a possibilidade do pecado, isto é, a possibilidade de dizermos não ao amor.

O pecado mutila a pessoa do pecador e bloqueia a humanização das vítimas das suas recusas de amor.

As pessoas não são ilhas. A Humanidade forma uma interacção de tipo orgânico, tanto para o bem como para o mal.

Com a sua capacidade de optar contra o amor, o ser humano é capaz de criar roturas graves no tecido das relações humanas.

As nossas acções, tanto as positivas como as negativas têm consequências pessoais e consequências sociais e históricas.

No sentido do bem podemos dizer que as consequências pessoais do nosso agir são a nossa realização e crescimento pessoal.

No sentido do mal são os bloqueios interiores que resultam das nossas recusas de amor. Do mesmo modo, as consequências sociais e históricas do nosso agir podem ser positivas ou negativas.

As positivas são os ritmos humanizantes que vamos inscrevendo no tecido social através do bem que fazemos.

Estes ritmos formam uma dinâmica que possibilita a marcha humanizante da sociedade. As consequências sociais e históricas de tipo negativo são os ritmos negativos das nossas recusas de amor.

Estas forças de bloqueio dificultam a marcha da humanização. A lei do amor é esta: “Ninguém é capaz de amar, antes de ter sido amado, e o mal amado ama mal, mesmo quando dá o melhor de si”.

Isto quer dizer que o sucesso de uma realização humana passa sempre pelo amor. Assim como a componente básica da nossa vida corporal é a água, a componente básica da nossa vida pessoal-espiritual são as relações de amor.

Isto faz-nos compreender a importância do amor para a realização das pessoas e das sociedades, bem como a gravidade fundamental do pecado.

Não exageramos nada se dissermos que o amor é a origem e a plenitude do Universo, pois Deus é Amor (1 Jo 4, 16).

Como obstáculo à humanização do Homem, o pecado atinge o ser humano no seu próprio coração.

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

domingo, 19 de abril de 2009

A FELICIDADE COMO DOM E TAREFA-I

I-A FELICIDADE COMO TAREFA

A felicidade tem como alicerce uma vida edificada sobre as propostas do amor. Com efeito, a Palavra de Deus amplia os horizontes da plenitude da vida e seus sentidos.

Em critérios meramente humanos, a base da felicidade parece estar no exterior, naquilo que nos acontece, no tipo de pessoas que encontramos, nos acasos do dia-a-dia ou no dinheiro que temos.

Para a fé cristã, pelo contrário, a felicidade é algo que acontece no interior da pessoa. É sobretudo um dom que Deus concede às pessoas que se abrem à presença e à acção do Espírito Santo.

Para a bíblia, a felicidade acontece no coração do ser humano que se empenha em ser fiel à Aliança de Deus.

Podemos enumerar alguns dos aspectos importantes para acontecer no nosso coração a felicidade:

A paz interior. A serenidade resultante da certeza de que Deus, pelo Espírito Santo, está permanentemente actuando no nosso íntimo.

A fraternidade e a solidariedade são pilares básicos para edificarmos a felicidade. Não podemos esquecer que os dons de Deus nos são dados em forma de possibilidades, a fim de os podermos realizar.

Por outras palavras, aceitar os dons de Deus é realizar o seu leque de possibilidades. A felicidade não é uma simples ausência de sofrimentos, de dificuldades ou problemas.

Podemos dizer que a felicidade é uma experiência de plenitude que se vai reforçando de modo gradual e progressivo a partir de dentro.

Mesmo que a partir do contexto possam surgir contrariedades, obstáculos e oposições, como Jesus sublinhou nas bem-aventuranças (Mt 5, 1-12).

A felicidade acontece sobretudo às pessoas que se esforçam por edificá-la no seu íntimo com a ajuda do Espírito Santo.

São Paulo entendeu muito bem o papel central do Espírito Santo no nosso coração, fonte de alegria e felicidade.

Foi por esta razão que disse que o Espírito Santo é o amor de Deus derramado nos nossos corações (Rm 5,5).

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Calmeiro Matias

A FELICIDADE COMO DOM E TAREFA-II

II-DEUS FAZ-NOS MUITAS PROPOSTAS DE FELICIDADE

Se olharmos para os textos bíblicos nos quais Deus nos foi indicando os caminhos de realização, descobrimos facilmente as suas propostas de felicidade.

Ao mesmo tempo podemos constatar que tomam a sério essas propostas de Deus são realmente pessoas felizes.

Transformado por uma experiência espiritual profunda, São Paulo põe de lado a sua teologia judaica, e converte-se a Cristo.

Após a sua conversão viver para ele era o Evangelho e Cristo ressuscitado como ele mesmo afirma.

O seu compromisso com o Evangelho trouxe-lhe dissabores, perseguições, dias de fome e muitos perigos.

No entanto, como ele confessa, o seu trabalho de evangelizador foi a fonte da sua felicidade:
“Sinto-me profundamente alegre no meio de todas as minhas tribulações” (2 Cor 7, 4).

Podemos concluir que São Paulo é um testemunho do que significa tomar Cristo e o Evangelho a Sério.

Por isso a sua vida, apesar dos seus sofrimentos, foi uma vida feliz. Isto quer dizer que é muito perigoso brincar com Deus. Não porque Deus se vingue, pois ele é amor.

Brincar com Deus significa entrar no caminho do fracasso, pois a vontade de Deus a nosso respeito coincide com o que é melhor para nós.

Por outras palavras, desviar-se da vontade de Deus é desviar-se do caminho da própria realização e da felicidade.

Eis o que diz a Primeira Carta de São a propósito da certeza do amor de Deus, o qual é o fundamento da nossa felicidade:

“Vede que amor tão grande o Pai nos concedeu, a ponto de nos podermos chamar filhos de Deus. E somo-lo de verdade (1 Jo 3, 1-2).

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Calmeiro Matias

A FELICIDADE COMO DOM E TAREFA-III

III-A ARTE DE EDIFICAR A FELICIDADE

Deus dá-nos o dom da felicidade em forma de possibilidades que podemos realizar ou não. Por outras palavras, os dons de Deus são-nos concedidos forma de possibilidade, a fim de os podermos aceitar ou não.

Se assim não fosse, não se tratava de dons, mas sim de imposições. As possibilidades de edificarmos a nossa felicidade concretizam-se através de uma série de atitudes que vamos concretizando na vida.

Podemos enumerar algumas dessas atitudes que são realmente importantes para nos realizarmos e sermos felizes:

Aprender a viver com aquilo que não podemos mudar. É muito importante sabermos aceitar-nos, apesar das nossas limitações.

Cultivar pensamentos construtivos e partilhar com os outros uma visão positiva da vida.
É fundamental ser honesto consigo e com os outros.

É importante enfrentar as dificuldades com confiança, procurando viver unidos a Deus, a fim de resolver as dificuldades do modo mais acertado.

É muito importante não andarmos sempre a comparar-nos com os outros. Não nos devemos deixar esmagar com situações cuja solução não está nas nossas mãos.

Não será feliz quem não aprende a partilhar com os outros o seu tempo, os seus bens e o seu saber.

É importante cultivar o sentido de humor, impedindo que os pensamentos negativos nos dominem.

Não nos devemos esquecer de cuidar de nós. Quem não gosta de si não conseguirá gostar dos outros.

Ajudemos os outros sempre que se nos ofereçam ocasiões de o fazer. Procuremos manter-nos o mais possível calmos, evitando situações de stress.

Procuremos ser moderados na comida e na bebida. Nas relações com os outros procuremos adoptar sempre uma atitude humilde e discreta.

É muito importante aprender a escutar as mensagens que os outros nos querem transmitir.

Procuremos estar sempre actualizados nos assuntos que fazem parte do nosso trabalho ou missão.

Aprendamos desenvolver a capacidade de partir de uma situação para outra. As mudanças trazem com frequência novas possibilidades de crescimento e realização pessoal.

Procuremos viver a vida com paixão. Mantenhamo-nos ocupados com coisas das quais gostamos verdadeiramente.

Respeitemos os outros como gostaríamos de ser respeitados por eles.

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

A FELICIDADE COMO DOM E TAREFA-IV

IV-A FELICIDADE E O DINHEIRO

Não queiramos ter como objectivo de vida o simples o amontoar de riquezas. Lembremo-nos de que a fonte da felicidade é o amor, não o dinheiro.

Isto quer dizer que as pessoas que têm muito dinheiro, se quiserem ser felizes, têm de pôr o dinheiro ao serviço do amor.

Procuremos aplicar os nossos bens em favor da nossa realização pessoal e da fraternidade.
Cultivemos o sentido de partilha com os mais pobres.

Se queremos realmente ser felizes, não pretendamos ter muitas coisas, pois não as poderemos usufruir nem dominar completamente.

Ter muitas coisas torna as pessoas ansiosas, preocupadas e muitas vezes desconfiadas.

Procuremos ser gratos para com os outros, aceitando os seus dons e as oportunidades de realização que eles nos oferecem.
Tanto quanto pudermos procuremos assumir compromissos sérios de realização pessoal.

Elaboremos objectivos de vida e procuremos realizá-los, numa linha de fidelidade a nós mesmos.
Não percamos de vista a meta que pretendemos alcançar.

Dentro do possível evitemos endividar-nos, procurando gerir os nossos bens de modo a bastar-nos, evitando o mais possível depender dos outros.

Não corramos riscos incontrolados, sobretudo não nos comprometamos em campos que não conhecemos e não controlamos.

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

A FELICIDADE COMO DOM E TAREFA-V

V-BEM-AVENTURANÇAS E FELICIDADE

As Bem-aventuranças não são um código moral para cumprirmos à letra. Jesus não foi um moralista.

Na verdade, as Bem-aventuranças são uma proposta para moldarmos o nosso coração segundo os critérios do Evangelho.

Estruturar o nosso interior segundo os horizontes das Bem-aventuranças é moldar o nosso coração de acordo com a felicidade, diz Jesus:

“Felizes os pobres em espírito, pois deles é o Reino dos Céus. Felizes os que choram, pois serão consolados.

Felizes os mansos, pois herdarão a Terra. Felizes os que têm fome e sede de justiça, pois serão saciados.

Felizes os misericordiosos, pois alcançarão misericórdia. Felizes os puros de coração, porque verão a Deus.

Felizes os obreiros da paz, pois serão chamados filhos de Deus. Felizes os perseguidos por causa da justiça, pois deles é o Reino dos Céus.

Felizes sereis quando vos odiarem e, mentindo, disserem toda a sorte de males contra vós por minha causa.

Alegrai-vos e exultai, pois grande será a vossa recompensa no Céu. Foi assim que perseguiram os profetas que viveram antes de vós” (Mt 5, 3-12).

As Bem-aventuranças têm mais a ver com um jeito de viver do que com actos a executar de maneira bem delimitada.

Por outras palavras, as Bem-aventuranças não são um código de normas morais, mas um ideal de vida a construir.

À medida que a pessoa procura modelar o coração e a mente segundo a proposta das Bem-aventuranças tornam-se diferentes em relação ao modo de valorizar os acontecimentos, de possuir coisas e de se relacionarem com Deus e os irmãos.

À luz das Bem-aventuranças a pessoa não chega a atingir uma profunda realização humana se não se empenhar na transformação das estruturas e das relações sociais tendo como horizonte os valores do Evangelho.

Temos de reconhecer que o mundo não consegue entender estes critérios. Eis o que diz o Livro dos Actos dos Apóstolos sobre a felicidade dos Apóstolos:

“E os apóstolos partiram da presença do Sinédrio, isto é, o conselho dos chefes, exultando, por terem sido considerados dignos de sofrer humilhações por causa de Jesus Cristo” (Act 5, 41).

São Paulo confessava-se alegre e feliz apesar das perseguições e dificuldades que sofria pelo Evangelho:

“Alegrai-vos sempre no Senhor. Repito: alegrai-vos” (Flp 4, 4). À luz das Bem-aventuranças a pessoa pode ser pobre e sentir-se rica.

Pode estar a ser perseguida pela sua fé ou pelas suas opções no sentido da paz, da partilha, da fraternidade e sentir-se muito feliz.

À luz das Bem-aventuranças a pessoa pode estar a sofrer por desejar ver certas situações alteradas e, no entanto, sentir-se intimamente feliz.

Pode estar com fome e sede de justiça e não perder a confiança em Deus nem a paz interior.

As pessoas que vão configurando a mente com o padrão das Bem-aventuranças vão moldando um coração capaz de comungar com Deus e os irmãos.

As pessoas que foram configurando a sua vida segundo a propostas das Bem-aventuranças, saboreiam a alegria e a felicidade de ter dado o melhor de si.

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

terça-feira, 14 de abril de 2009

A SALVAÇÃO COMO OPTIMIZAÇÃO DA PESSOA-I

I-O DINAMISMO DA VIDA ETERNA

O princípio dinâmico que faz emergir ávida Eterna em nós é o Amor. Isto quer dizer que Deus é a fonte e a plenitude da Vida Eterna, pois Deus é amor (1 Jo 4, 7-8).

A Divindade não é uma realidade histórica, mas faz história com o Homem. Na sua ternura infinita e difusiva, Deus quis que o Homem tivesse parte na comunhão da Santíssima Trindade que é o coração da Vida Eterna.

O Novo Testamento usa expressões muito sugestivas para falar da dádiva gratuita da vida Eterna:

“Pai, chegou a hora! Manifesta a glória do teu Filho, de modo que o Filho manifeste a tua glória, segundo o poder que lhe deste sobre toda a Humanidade, a fim de ele dar a vida eterna a todos os que lhe entregaste.

Esta é a vida eterna: Que te conheçam, Pai Santo, como único Deus verdadeiro e a Jesus Cristo a quem enviaste” (Jo 17 1-3).

A vida eterna é o grande dom dos últimos tempos que Deus oferece gratuitamente em Cristo.
Eis as palavras de São Paulo:

“O salário do pecado é a morte, mas a vida eterna é o dom gratuito que vem de Deus por Cristo, Senhor nosso” (Rm 6, 23).

Na Carta a Tito São Paulo diz que Deus o chamou a ser apóstolo para ajudar a fé dos eleitos de Deus, a fim de conhecerem o dom da vida eterna:

“Paulo, servo de Deus e apóstolo de Jesus Cristo, em ordem à fé dos eleitos de Deus e ao conhecimento da verdade.

Assim fica fortalecida a esperança na vida eterna, prometida desde os tempos antigos pelo Deus que não mente.

Este mistério tem sido manifestado pela pregação da qual fui incumbido por mandato de Deus, nosso Salvador” (Tt 1, 1-3).

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Calmeiro Matias

A SALVAÇÃO COMO OPTIMIZAÇÃO DA PESSOA-II

II-A VIDA ETERNA COMO CONVÍVIO COM DEUS

São Paulo acrescenta que a vida eterna é um dom gratuito que Deus nos proporciona mediante a acção do Espírito Santo:

“Mas quando se manifestou a bondade de Deus, nosso Salvador, e o seu amor para com a Humanidade, ele salvou-nos.

Esta salvação não é devida às obras de justiça que tivéssemos praticado, mas sim à sua misericórdia, através de um novo nascimento mediante o Espírito Santo, que ele derramou abundantemente sobre nós por Jesus Cristo nosso Salvador.

Deste modo, uma vez justificados pela sua graça, vamo-nos tornando herdeiros da vida eterna que já vivemos na esperança” (Tt 3, 4-7).

A vida eterna acontece no coração das pessoas: Como ternura maternal de Deus, o Espírito Santo dinamiza o coração das pessoas e anima as relações de comunhão entre elas e Deus.

O livro do Apocalipse faz uma descrição muito bonita esta comunhão de Deus com a Humanidade, realçando sobretudo a vida plena graças à presença amorosa de Deus que a todos preenche:

“Vi então um Novo Céu e uma Nova Terra, pois o primeiro céu e a primeira terra tinham desaparecido e o mar já não existia.

E vi descer do céu, de junto de Deus, a cidade santa, a nova Jerusalém, já preparada, qual noiva adornada para o seu esposo.

E ouvi uma voz potente que vinha do trono e dizia:

“Esta é a morada de deus entre os homens. Ele habitará com os seres humanos e estes serão o seu povo.

Deus estará com eles e será o seu Deus. Ele enxugará todas as lágrimas dos seus olhos. Não haverá mais morte, nem luto, nem pranto, nem dor, pois as primeiras coisas passaram”.

Então, o que estava sentado no trono disse: “Eu renovo todas as coisas!” E acrescentou: “Escreve, porque estas palavras são dignas de fé, pois são verdadeiras”.

“É verdade: Eu sou o Alfa e o Ómega, o Princípio e o Fim! Ao que tiver sede eu lhe darei a beber gratuitamente da nascente da Água da Vida.

O que vencer receberá estas coisas como herança. Eu serei o seu Deus e ele será o meu filho!” (Apc 21, 1-7).

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Calmeiro Matias

A SALVAÇÃO COMO OPTIMIZAÇÃO DA PESSOA-III

III-A VIDA ETERNA COMO REALIDADE COMUNITÁRIA

A vida eterna é uma realidade que se vive em união orgânica. Isto que dizer que não é algo que alguém possa possuir de modo isolado.

Emerge no coração da pessoa à medida que esta se vai humanizando. Por outras palavras, Deus assume e diviniza a pessoa humana na medida em que esta se humaniza.

Humanizar-se é emergir como interioridade espiritual capaz de interacção amorosa. O evangelho de João diz que a Encarnação é o princípio da vida eterna:

“Mas as que o receberam, aos que crêem nele, o Verbo deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus.

Estes não nasceram dos laços do sangue. Também não nasceram de um impulso da carne nem da vontade do homem, mas sim de Deus.

E o Verbo fez-se carne e habitou entre nós. Nós vimos a sua glória, essa glória que ele possui como Filho unigénito do Pai, cheio de Graça e Verdade” (Jo 1, 12-14).

Isto significa que a vida eterna é algo que já está em marcha na vida presente. Viver a vida eterna, diz a Primeira Carta de São João, é viver o amor aos irmãos, o único caminho que conduz à comunhão com Deus:

“Nós sabemos que passámos da morte para a vida, porque amamos os irmãos. Quem não ama permanece na morte.

Todo o que tem ódio ao seu irmão é um homicida e vós bem sabeis que nenhum homicida tem dentro de si a vida eterna” (1 Jo 3, 14-15).

Depois acrescenta que a vida eterna é realmente um dom que Deus nos concede e não algo que nós possamos ter isoladamente.

A Primeira Carta de São João diz que Deus nos concede ávida eterna através de Cristo: “ É este o nosso testemunho: Deus deu-nos a vida eterna, e esta vida está no seu Filho.

Quem tem o Filho tem a vida, quem não tem o filho não tem a vida” (1 Jo 5, 11-12).

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias