domingo, 11 de maio de 2008

ROSTO COMUNITÁRIO DE DEUS E SALVAÇÃO-III

III-ACOLHIDOS COMO FAMÍLIA

Graças ao dom do Espírito Santo que nos vem de Cristo ressuscitado, o ser humano já pode entrar no diálogo da Santíssima Trindade.

Podemos dizer que orar no Espírito santo é entrar no diálogo familiar com Deus: filhos que dialogam com Deus Pai e irmãos que dialogam com o filho eterna de Deus.

Quando acontece no Espírito Santo, a nossa comunicação com Deus passa-se ao nível da comunhão familiar humano-divina.

O Pai revela-se-nos como um Pai bondoso que nos ama incondicionalmente e, portanto, está sempre disposto a perdoar.

É no Espírito Santo que o Filho se comunica connosco e nos revela o Seu coração de irmão solidário, companheiro fiel, disposto a partilhar e a dar uma mão para apoiar e ajudar.

Ao Encarnar, o Filho de Deus deu provas de ser um irmão leal, generoso e sempre disposto a dar o melhor de si.

É um irmão sempre atento, embora de modo discreto, sincero e fiel. O Espírito Santo é o amor maternal de Deus. São Paulo diz que ele é o amor de Deus derramado nos nossos corações.

Com seu jeito maternal de amar, o Espírito Santo introduz-nos na comunhão da Família Divina.
Na verdade é sempre através da ternura maternal que as pessoas são introduzidas na comunhão familiar.

São Paulo diz que todos os que são conduzidos pelo Espírito Santo são filhos e herdeiros de Deus Pai e irmãos e co-herdeiros do Filho de Deus (Rm 8, 14-17).

Depois acrescenta de Jesus Cristo é o primogénito dos muitos irmãos (Rm 8, 29). O Espírito Santo é o sangue de Deus a circular no nosso íntimo, alimentando e fortalecendo a vida divina em nós.

Ele é o Consolador que nos fortalece e consagra para anunciarmos o Evangelho aos irmãos.
Perante as perseguições ele liberta-nos do medo e inspira-nos o que devemos dizer para testemunharmos a nossa fé nos momentos de aflição (Mt 10, 20).

É o Espírito Santo que faz cair dos nossos olhos as escamas que nos impedem de ver com nitidez o mistério de Deus e a salvação que ele nos oferece em Cristo.

Depois de estas escamas caírem dos nossos olhos, podemos ser apóstolos de Cristo, tal como aconteceu com São Paulo logo que as escamas caíram dos seus olhos (Act 9, 18).

O rosto do nosso Deus é trinitário. A essência de Deus é as relações comunitárias. As pessoas divinas não são meros elementos de adorno de uma natureza divina abstracta.

Pelo contrário, a natureza divina, tal como a humana, concretiza-se em pessoas.Por outras palavras, a natureza divina realiza-se de modo único, original e irrepetível em cada uma das pessoas divinas.

Do mesmo modo, a natureza humana está a emergir de modo único, original e irrepetível no concreto de cada pessoa humana.

A Criação leva consigo as impressões digitais da Santíssima Trindade, isto é, o selo das relações.
Desde o átomo ao sistema solar, da galáxia à totalidade do Universo, tudo tem a marca das relações.

Mas é nas pessoas humanas que as relações podem tornar-se semelhantes às relações entre as pessoas divinas, isto é, relações de amor e comunhão.

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

sexta-feira, 9 de maio de 2008

MISTÉRIO DE DEUS E REVELAÇÃO-I

I-A REVELAÇÃO COMO DOM DE DEUS

Só por si, os seres humanos são incapazes de saber quem é Deus. De facto, ninguém pode ir ao Céu para desvendar o mistério de Deus e qual o seu jeito de ser.

Se o Homem tenta conhecer a realidade de Deus utilizando apenas as suas capacidades humanas, apenas consegue criar um deus à sua imagem e semelhança.

Mas Deus não é uma realidade criada à imagem do Homem. Este é que é alguém criado à imagem de Deus.

No entanto, bem sabemos como é importante para a Humanidade conhecer Deus e o seu plano salvador.

Este conhecimento capacita-nos para saborearmos o sentido mais profundo da realidade e da nossa própria vida.

O conhecimento do mistério de Deus e o seu plano salvador em favor do Homem, ajuda os seres humanos a possuírem um sentido mais pleno e profundo da vida e da meta para a qual estamos a caminhar.

Por outras palavras, conhecendo o significado da sua existência, dentro de um plano global de Amor e Salvação, as pessoas humanas têm razões para se comprometer com a construção da vida.

Foi esta a razão pela qual Deus tomou a iniciativa de se revelar na História. Coube ao Espírito Santo a missão histórica de revelar o rosto de Deus à Humanidade.

Além da missão personalizante, o Espírito Santo tem ainda a missão reveladora e a missão divinizante na marcha da História da Humanidade.

Na verdade, é sempre pelo Espírito Santo que Deus se comunica, tanto no interior das relações da Santíssima Trindade, como para o exterior, isto é, em relação à Humanidade a acontecer na História.

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

MISTÉRIO DE DEUS E REVELAÇÃO-II

II-POVO DE DEUS E REVELAÇÃO

A revelação de Deus à Humanidade começou a acontecer dentro do Povo Bíblico. Este povo foi não apenas o alfobre onde emergiu e cresceu a Palavra de Deus, como também o regaço onde o Messias foi acolhido.

Mas o Povo Bíblico era uma mediação limitada, pois estava encerrado nas coordenadas limitadas de uma raça, uma língua, uma cultura e uma nação com fronteiras bastante estreitas.

Este povo, alimentava o sonho imperialista de dominar sobre os outros povos, pretendendo possuir um domínio universal sobre os outros povos.

Além disso, tinha a pretensão de ser o único povo amado de Deus. Todos estes aspectos limitavam enormemente as possibilidades de o Povo Bíblico ser realmente o medianeiro universal da revelação de Deus.

Por esta razão que Jesus Cristo, começa a anunciar o Reino de Deus, o qual implica a realização do plano salvador de Deus em favor de todos os homens.

Através de Jesus Cristo, Deus assina com a humanidade uma Nova e Eterna Aliança, tal como muitos profetas já tinham anunciado.

O Povo da Nova Aliança é o Novo Povo de Deus constituído com gentes de todas as raças, línguas, povos constituído com gentes de todas as raças, línguas, culturas, povos e nações.

O Povo da Nova Aliança recebe de Cristo o Evangelho da Salvação Universal e a missão de o Anunciar a todos os povos:

“Aproximando-se deles, Jesus disse-lhes: “Foi-me dado todo o poder no Céu e na Terra. Ide, pois por todo o mundo e fazei discípulos de todos os povos, baptizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a cumprir tudo quanto vos tenho mandado.
Eu estarei convosco até ao fim dos tempos” (Mt 28, 18-20).

Pelo facto de ser composto por gentes de todos os povos raças, línguas e nações, no Novo povo de Deus é uma mediação para o Espírito Santo anunciar o Evangelho no interior de todos os povos e em todas as línguas.

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

MISTÉRIO DE DEUS E REVELAÇÃO-III

III-A REVELAÇÃO COMO PROCESSO HISTÓRICO

O Deus da Revelação diz-se de modo gradual e progressivo. Por outras palavras, o rosto de Deus foi-se definindo de modo surpreendente, transcendendo tudo o que a razão e as religiões tinham dito.

As religiões tinham criado uma série imagens de Deus, as quais não eram mais que rostos do próprio Homem.

De modo gradual e progressivo, Deus foi-se revelando, ao ponto de se revelar como um Deus que é comunhão amorosa de três pessoas.

Movido pelo seu amor incondicional, Deus decidiu criar o Homem à sua imagem e semelhança e sonhou logo com o mistério da Encarnação, a fim de o Homem poder ser incorporado na Família de Deus.

A dinâmica da Encarnação acontece como uma união orgânica entre a interioridade divina do filho Eterno de Deus e a interioridade humana de Jesus de Nazaré, o Filho de Maria.

Como Jesus é homem connosco ele é a cepa da videira da qual nós somos os ramos (Jo 15, 1-7).
Como o Humano e o Divino em Jesus Cristo fazem uma união de grandeza humano-divina, a Humanidade, unida a Jesus, fica unida com ele ao mistério da Santíssima Trindade.

São Paulo diz que todos os que são movidos pelo Espírito Santo são incorporados na comunhão familiar divina, como filhos e herdeiros de Deus Pai e co-herdeiros do Filho de Deus (Rm 8, 14-17).

Esta incorporação do Homem na Família de Deus é um dom. O modo concreto de aceitarmos este dom é vivermos as propostas do amor a Deus e aos irmãos.

O mistério de um Deus que é comunhão familiar, juntamente com os mistérios da Encarnação e da divinização do Homem, constitui o coração da revelação de Deus.

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

MISTÉRIO DE DEUS E REVELAÇÃO-IV

IV-A PLENITUDE DIVINA DO HUMANO

Podemos dizer que Deus, à medida que Deus se revela ao Homem lhe revela também o sentido mais profundo da sua realidade de ser em construção, bem como a plenitude da comunhão humano-divina.

Na verdade, à luz da revelação a Humanidade está a caminhar para Deus. Graças ao mistério da Encarnação já podemos dizer que será eternamente mais divino quem mais se humanizar nesta sua marcha histórica.

A pessoa que mais se humanizar-se é emergir como pessoa mediante relações de amor convergindo, ao mesmo tempo, para a Comunhão Universal cujo coração é a comunhão da Santíssima Trindade.

Pela revelação sabemos que, no princípio, era o amor concretizado na comunhão familiar de três pessoas.

Este Deus Comunhão colocou toda a sua bondade e ternura no projecto da Criação. Graças ao dom da revelação nós sabemos que não estamos sós.

Por si só, o Homem nunca podia chegar a esta compreensão profunda do mistério de Deus, do Homem e do sentido da História.

Com efeito, a Palavra de Deus, apesar de não ser irracional, transcende a simples razão humana.
Podemos dizer que a revelação está para a razão, como os binóculos para os olhos: optimizam as suas possibilidades de visão.

O Deus da revelação é também o Deus da Aliança de amor e cooperação. Mas o Homem pode recusar-se a agir segundo as propostas que lhe são feitas pelo Deus da aliança.

Levamos em nós a serpente que nos pretende fazer acreditar que as propostas de Deus não são boas para nós.

Por outras palavras, os seres humanos não nascem fieis. A fidelidade é uma qualidade que se adquire de modo progressivo.

A infidelidade, pelo contrário, revela-se com muita frequência nas nossas atitudes de cobardia e recusa às propostas do amor.

Na verdade a infidelidade humana manifestou-se logo nos primórdios da História Humana.
Deus gosta do Homem livre, consciente, responsável e capaz de fraternidade.

O Deus que ressuscitou Jesus não é indiferente ao nosso sofrimento. Quando alguém sofre, Deus começa a despertar o no coração das pessoas sentimento de solidariedade, a fim de serem mediação do seu amor libertador.

Deus nunca se alia aos que oprimem ou machucam os irmãos. É o Deus que chamou Moisés para libertar o seu povo da opressão que o estava a machucar.

A história da libertação do Egipto pretende ser um sinal revelador da presença libertadora de Deus junto dos que são oprimidos.

A revelação ensina-nos que Deus não é indiferente ao que acontece ao Homem. Mas ao mesmo tempo ensina-nos que Deus nunca nos substitui. Está connosco mas não está em nosso lugar.

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

quinta-feira, 8 de maio de 2008

AO CRIAR O HOMEM, DEUS SENTIU TERNURA-I


I-TERNURA ESPECIAL DE DEUS POR NÓS

O Livro do Génesis, no seu relato sobre a criação, põe em realce a ternura especial com que Deus decide criar o Homem.

Eis as suas palavras: “Façamos o Homem à nossa imagem e à nossa semelhança, a fim de dominar sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu, sobre os animais domésticos e sobre todos os répteis que rastejam pela terra.

Deus criou o Homem à sua imagem, criou-o à imagem de Deus. Ele os criou varão e mulher” (Gn 1, 26-27).

Depois acrescenta: “O Senhor Deus formou o Homem do pó da Terra e insuflou-lhe pelas narinas o sopro da vida” (Gn 2, 7).

A bíblia faz questão de sublinhar que Deus, no momento da criação do Homem, age de modo diferente do modo como actuou em relação à criação dos animais.

Deus prepara uma intervenção diferente daquela que realizou em relação a todas as outras criaturas.

O hálito de Deus, isto é, o Espírito Santo, é princípio modelador da interioridade humana, a qual tem densidade espiritual e estrutura-se como ser pessoal, livre, consciente, responsável e capaz de comunhão amorosa.

O Homem sonhado por Deus é, verdadeiramente imagem e semelhança de Deus.

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

AO CRIAR O HOMEM, DEUS SENTIU TERNURA-II

II-O SALTO DA VIDA ESPIRITUAL

O Homem exterior, vem do barro. Isto quer dizer que o homem não é um anjo caído do céu, mas um ser que surge da terra através de um processo evolutivo.

É isto que significa o processo do barro a amassar-se. Podemos dizer que através da marcha evolutiva, o barro orgânico foi-se configurando, até dar o salto da hominização.

O barro ficou amassado quando a complexidade cerebral atinge a especificidade humana. Por outras palavras, quando a marcha evolutiva atingiu a complexidade neurológica humana, o barro está amassado.

Neste momento já pode acontecer a comunicação do hálito da vida, isto é, o Espírito Santo cuja missão é provocar o impulso da humanização.

Com o seu jeito maternal de amar, o Espírito Santo é o grande protagonista da epopeia da humanização.

Graças ao hálito da vida, o barro torna-se barro com coração, isto é, uma pessoa capaz de amar.
Na verdade o ser humano, movido pela dinâmica do Espírito Santo, é capaz de eleger os outros como alvo de bem-querer, agindo de modo a facilitar a sua realização e felicidade.

Na verdade, quando fazemos o bem já estamos a responder aos apelos que, no íntimo da nossa consciência, o Espírito Santo nos vai dirigindo.

É assim a intervenção especial de Deus na criação do Homem. É este o sopro divino no barro amassado.

É verdade que a pessoa não nasce consciente. Mas à medida que a consciência forma torna-se o altifalante do Espírito Santo.

Isto significa que a pessoa que age em harmonia com a sua consciência, está a agir em harmonia com os valores que lhe foram transmitidos e a ser fiel à voz do Espírito Santo.

É neste face a face interior com Deus e os outros que o ser humano se vai humanizando através da dinâmica das relações.

Como sabemos, ninguém se realiza sozinho. Começámos por ser o que os outros fizeram de nós. Mas isto não é o mais importante.

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

AO CRIAR O HOMEM, DEUS SENTIU TERNURA-III

III-PAPEL ESPECIAL DO ESPÍRITO SANTO

O decisivo na marcha da nossa humanização é o que fazemos com os talentos que recebemos dos outros.

Isto não pode ser feito sem a acção do Espírito Santo no nosso coração. Por outras palavras, sempre que nos decidimos a agir numa linha de fidelidade ao amor às propostas do amor estamos a dialogar no nosso íntimo com Deus e os irmãos.

É aqui que radica o fundamento da nossa responsabilidade, pois ninguém se pode realizar sozinho.

Mas também é verdade que ninguém nos pode substituir na tarefa maravilhosa da nossa humanização.

A lei da humanização é: “emergência pessoal mediante relações de amor e convergência para a comunhão universal.

A intervenção especial de Deus na criação do Homem é, no fundo, aquilo a que podemos chamar a acção personalizante do Espírito Santo.

Sempre que o ser humano age de acordo com os apelos que o Espírito Santo faz no seu coração está a emergir como pessoa e, portanto, a convergir mais plenamente para a comunhão universal.

Emergir como pessoa significa, portanto, crescer em densidade espiritual e em capacidade de interagir amorosamente com os outros.

Como sabemos, a plenitude da pessoa não está em si. É esta a razão pela qual a pessoa humana, quanto mais emerge, mais converge para a sua plenitude que é a comunhão com Deus e os outros.

Emergir como pessoa, portanto, significa crescer como interioridade espiritual e capacidade de comunhão.

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

AO CRIAR O HOMEM, DEUS SENTIU TERNURA-IV

IV-O DOM DA DIVINIZAÇÃO

A marcha da humanização culmina, pois, na plenitude da divinização, ou seja, na comunhão familiar da Santíssima Trindade.

No princípio, ainda antes do Universo ter iniciado a sua marcha criadora, já existia uma família de três pessoas infinitamente perfeitas.

De facto, Deus é pessoas. A Divindade é um mistério de relações. A Primeira Carta de São João diz que Deus é amor (1 Jo 4, 7).


A História do Universo indica-nos que a génese criadora caminhou em direcção à vida pessoal que se estrutura como interioridade espiritual livre, consciente, responsável e capaz de comunhão amorosa.

Isto quer dizer a génese criadora está a marchar em direcção ao Criador que é, como nos diz a nossa fé, uma comunhão de três pessoas.

Agora, Criador e Criação já podem estabelecer uma Aliança de Amor. A humanização das pessoas acontece através de uma vida a construir-se numa linha de fidelidade ao amor.

A divinização acontece mediante a incorporação dos seres humanos na comunhão familiar da Santíssima Trindade.

Isto já pode acontecer porque o divino se enxertou no humano pelo mistério da Encarnação.
Eis o que a este propósito diz o evangelho de São João: “Aos que o acolheram, aos que acreditaram nele, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus.

Estes não nasceram por vontade da carne ou pelos impulsos do Homem, mas por vontade de Deus. E o Verbo Encarnou e habitou entre nós” (Jo 1, 12-14).

Deus criou-nos para que nos criemos. Na verdade, como diz o evangelho de São João, nascemos para renascer (Jo 3,6).

Humanizar-se é uma tarefa que temos de realizar e da qual ninguém nos pode substituir.
Mas também é verdade que ninguém se pode humanizar sozinho.

Dos outros recebemos os talentos ou possibilidades de realização. De Deus recebemos o sopro primordial, isto é, a presença personalizante do Espírito Santo.

A plenitude da epopeia da humanização acontece pela divinização ou seja, pela incorporação na família de Deus.

Podemos dizer que partilhará mais densamente da comunhão divina quem mais se humanizar agora.

Na verdade, a densidade da nossa comunhão divina depende da capacidade de amar que adquirirmos agora na História.

Na Comunhão Universal do Reino de Deus todas as pessoas dançam o ritmo do amor, mas cada qual com o jeito que tiver adquirido enquanto se realizou na História.

Por outras palavras, a plenitude da pessoa acontece na reciprocidade da comunhão.

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

terça-feira, 6 de maio de 2008

BÍBLIA E ESPIRITUALIDADE DE CRISTO-I

I-A ALEGRIA ESPIRITUAL DE CRISTO

Os evangelhos acentuam que a fonte da alegria de Jesus era o Espírito Santo. Jesus exultava de alegria sempre que se apercebia da acção do Espírito Santo em si e nas pessoas às quais anunciava o plano salvador de Deus.

Para Jesus, a presença do Espírito Santo nas pessoas era o sinal da salvação a acontecer no coração das pessoas.

Podemos dizer que Jesus sentia em si a mesma alegria que as pessoas sentiam ao aperceberem-se da acção libertadora de Deus a acontecer na sua vida (Mt 2, 10; Lc 1, 14; 1, 18; Jo 3, 29).
Esta alegria era fruto da acção do Espírito Santo (Lc 10, 21;Act 13, 52;Ga 5, 2).

Partindo da experiência de Jesus, o Novo Testamento reconhece que a alegria no Espírito Santo é uma das dimensões básicas da espiritualidade cristã, até mesmo nos momentos de perseguição (1 Tes 5, 16; Mt 5, 12; Lc 6, 23; Act 5, 41; 2 Cor 7, 4; Heb 10, 34;).

As comunidades cristãs são um espaço privilegiado para emergir no coração dos fieis esta alegria (Act 11, 23; Rm 15, 32; 2 Cor 2, 3).

O Espírito Santo mostrou a João Baptista o dia do Messias. Ao aperceber-se desse dia, João exultou de alegria (Jo 8, 56).

No templo, o velho Simeão exultou de alegria ao reconhecer, pelo Espírito Santo o Messias de Deus (Lc 2, 25-32).

Jesus é o noivo cujos amigos exultam de alegria (Lc 5, 34). O Céu e a Terra exultam de alegria sempre que um pecador se converte (15, 7-10).

Os discípulos devem alegrar-se pelo facto de Jesus partir, pois isto é condição para que o Espírito Santo venha (Jo 16, 7).

Em Comunhão convosco
Calmeiro Matias

BÍBLIA E ESPIRITUALIDADE DE CRISTO-II

II-EIS COMO JESUS DESCOBRIU A SUA MISSÃO

Em Jesus de Nazaré, o Humano e o Divino encontram-se organicamente ligados e interactivos.
Graças ao facto de Jesus ser em tudo igual a nós, nós fazemos uma unidade orgânica com ele.

Somos membros de um corpo cuja cabeça é o Senhor ressuscitado, diz a Primeira Carta aos Coríntios (1 Cor 10, 17; 12, 27; 12, 13).

A nossa união com o Cristo é idêntica à dos ramos da videira com a cepa da qual eles recebem a seiva vital.

Apenas seremos ramos fecundos na medida que estivermos unidos à cepa (Jo 15, 1-7). O Espírito Santo é a seiva que circula da cepa para os ramos, tornando-os fecundos.

Utilizando outra imagem muito querida do evangelho de São João, diríamos que o Espírito Santo é a Água Viva que nos vem de Jesus.

A Água Viva é, naturalmente, o Espírito Santo (Jo 4, 14; 7, 37-39). Graças ao Espírito Santo que ele nos comunica, somos filhos e herdeiros de Deus Pai, co-herdeiros com Jesus Cristo (Rm 8, 14-17).

Foi este o medianeiro através do qual Deus nos reconciliou, não levando mais em conta os nossos pecados (2 Cor 5, 17-19).

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

BÍBLIA E ESPIRITUALIDADE DE CRISTO-III

III-ELE É O UNGIDO DE DEUS

Jesus tinha consciência de ter sido ungido com o Espírito Santo para anunciar o Evangelho e libertar as pessoas de tudo o que as oprime e impede de atingir a plenitude da salvação.

Actuava como alguém que sabia estar a fazer a vontade de Deus (Lc 4, 18-21). Tinha consciência de ser o medianeiro da Nova Aliança, como disse aos apóstolos no momento da instituição da Eucaristia (Mc 14, 24; Lc 22, 20).

Também a Carta aos Hebreus diz que ele é o medianeiro da Nova e Eterna Aliança, o sumo-sacerdote que está permanentemente em funções junto de Deus (Heb 9, 15; 12, 24).

A Primeira Carta a Timóteo confirma a visão da Carta aos Hebreus, dizendo que existe um só medianeiro entre Deus e o Homem, Jesus Cristo, homem (1 Tim 2, 5).

Na verdade, se Jesus não fosse homem nós não estávamos salvos, pois não podíamos ser assumidos organicamente na comunhão familiar de Deus.

Por isso ele é o Pontífice da Nova e Eterna Aliança (Heb 5, 5-10; 7, 21). O Antigo Testamento é o testemunho de um Povo que se sentia em marcha para a plenitude dos tempos.

O Povo Bíblico suspirava pela chegada dos tempos messiânicos. A vinda do Messias significava para este povo a chegada do Shalom, isto é, o conjunto das bênçãos e dons prometidos por Deus.

O profeta Isaías diz que o Messias é o Emanuel, isto é, o Deus connosco (Is 7, 14).

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

BÍBLIA E ESPIRITUALIDADE DE CRISTO-IV

IV-SERÁ UM REI CRIADOR DE PAZ E JUSTIÇA

Como filho prometido a David, o Messias será um rei. Mas a sua missão, diz o profeta Zacarias, não será fazer guerra, mas estabelecer uma paz universal. Do metal das espadas ele forjará arados (Zac 9, 9).

O profeta Ezequiel, durante o Exílio, vê os membros do povo de Deus vagueando de um lado para o outro como ovelhas sem pastor.

Deus vai suscitar, acrescenta ele, um pastor da casa de David, o qual conduzirá as ovelhas ao aprisco, protegendo o rebanho de todos os males (Ez 34, 11.31).

Deus vai restaurar o Seu Reino o qual será governado por um filho de David (Ez 37, 16-27).
Jerusalém, conduzida pelo Rei Messias, vai converter-se na capital mundial da sabedoria, diz o profeta Isaías.

Os povos virão a Jerusalém em busca da Sabedoria, deixando, em troca, as suas riquezas (Is 60, 1-6).

Daniel procura consolar o povo martirizado pelos selêucidas, anunciando-lhes a entronização do Filho do Homem, isto é, o Messias Rei.

Ser-lhe-á atribuído um reino como com alcance universal (Dan 7, 9-14). O Novo Testamento reconhece em Jesus o Messias anunciado pelos profetas.

Ele é o Bom Pastor anunciado por Ezequiel (Mt 25, 31.36; Lc 15, 1-7; Jo 10, 1-16). É o Novo Adão, fiel a Deus, corrigindo e reparando a infidelidade do primeiro Adão (Rm 5, 12-21; 1 Cor 15, 20-22; Ef 3, 14-18).

Ele é o filho prometido a David (Mt 1, 18-24;Lc 1, 32-33). Ele é o novo maná que dá a vida eterna aos que o comem (Mt 4, 1-4; Jo 6, 14-15; 52-58).

É o Novo templo de Deus, isto é, a mediação do encontro de Deus com o Homem (Mt 21, 12-17; Jo 2, 21-22).

Ele é o Homem Novo, o rei da Nova Criação (Jo 20, 24-28; Act 10, 36; Rm 10, 12). Adão fechou-nos as portas do Paraíso, privando-nos do acesso à Árvore da Vida (Gn 3, 24).

Jesus reabre as portas do Paraíso no momento da sua morte e ressurreição como ele disse ao Bom Ladrão (Lc 23, 43).

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

BÍBLIA E ESPIRITUALIDADE DE CRISTO-V


V-CRISTO É O REI DA VIDA ETERNA

Por outras palavras, graças à ressurreição de Jesus, a Humanidade fica de novo com acesso à Árvore da Vida.

Ao ressuscitar, Jesus demonstrou ser o Pão da Vida do qual o maná fora apenas um símbolo (Jo 6, 50-52).

Ele é também a Árvore da Vida que nos dá o fruto da vida eterna, isto é, o Espírito Santo (Jo 6, 62-63).

Ele é a fonte da Água Viva que faz emergir uma nascente de Vida eterna no nosso íntimo (Jo 4, 14; 7, 37-39).

É este também o sentido do sinal da água convertida em vinho na festa das bodas de Caná da Galileia.

A água das abluções judaicas agora é substituída pelo vinho da Nova e Eterna Aliança, isto é, o Espírito Santo (Jo 2, 6-10).

Como já afirmámos acima, as Escrituras, vivificadas pelo Espírito Santo, foram fortalecendo a espiritualidade de Jesus Cristo, proporcionando-lhe os critérios certos para realizar a sua missão messiânica.

A vida de Jesus Cristo, portanto, movia-se numa dinâmica muito especial: a fidelidade à Palavra e o amor incondicional a Deus e aos irmãos.

Ele conseguiu esta meta graças ao facto de ser totalmente fiel ao Espírito Santo, princípio vivificante deste amor.

Ao mesmo tempo que convidava Jesus para viver numa linha de fidelidade a Deus Pai, o Espírito conduzia-o para um empenhamento libertador em relação aos irmãos.

Segundo Lucas, o Espírito consagrou Jesus para anunciar a Boa Nova aos pobres, a libertação aos cativos e o ano da graça ou da fraternidade incondicional (Lc 4, 18-21).

Jesus tinha consciência da presença do Espírito a actuar em si, tal como Isaías o anunciara: (cf. Is 61, 1-3).

Numa passagem muito bonita, o profeta disse que ele tinha a plenitude do Espírito, simbolizada pelos sete dons:

“Brotará um rebento do tronco de Jessé (pai de David) e um renovo brotará das suas raízes.
Sobre ele repousará o Espírito do Senhor: Espírito de Sabedoria e entendimento.

Espírito de Conselho e fortaleza. Espírito de ciência e temos do Senhor. Não julgará pelas aparências nem pelo que ouviu dizer.

Julgará os pobres com justiça e os humildes da terra com equidade. Ferirá os tiranos com os decretos da sua boca e os pérfidos com o sopro dos seus lábios” (Is 11, 1-5.

Os relatos sobre o baptismo de Jesus sublinham esta presença do Espírito na vida de Jesus.
Jesus tinha consciência da acção do Espírito Santo nas suas atitudes e opções (Mc 1, 9-12;Mt 3, 13-17;Lc 3, 21-22).

Os Actos dos Apóstolos dizem que Jesus, após o baptismo passou a vida a fazer o bem e a libertar as pessoas oprimidas que se cruzavam na sua vida (Act 10, 37-42).

Aplicando a Jesus as palavras do evangelho de São João, podemos dizer que a sua vida foi um verdadeiro culto em Espírito e Verdade (Jo 4, 20-21).

Como tomava Deus a sério, falava de modo familiar com o Pai e procurava agir sempre de acordo com a Sua vontade.

Ensina os discípulos a orar ao seu jeito, dirigindo-se a Deus chamando-o Pai-Nosso (Mt 6, 5-13).
Gastou a sua vida com um só objectivo: ser fiel à missão que Deus lhe confiou e incorporar a
Humanidade na Família de Deus.

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

segunda-feira, 5 de maio de 2008

O SEU NOME ERA JESUS DE NAZARÉ-I

I-NASCEU ENTRE OS POBRES

Nasceu entre os pobres e viveu a condição da gente simples da Galileia. A sua grande paixão era conduzir a Humanidade para a comunhão da Família de Deus.

Contra o que era costume no seu meio, tratava Yahvé por Abba, isto é, Papá.Ensinava as pessoas a falar com Deus como um filho fala com seu pai, dizendo: Pai-Nosso que estais no Céu.

Era corajoso e punha-se sempre do lado dos marginalizados e dos oprimidos pelos sistemas injustos.

Tomava partido pelos que não eram capazes de se defender, tornando-se a voz dos que não tinham força para defender os seus direitos.

Deixava mais felizes os que tinham a sorte de comunicar com ele em Profundidade. Nunca ninguém ficou mais pobre pelo facto de o ter encontrado.

Defendia a partilha dos bens como caminho seguro para se chegar à abundância. Se abrirmos o coração à fraternidade e seguirmos o caminho da partilha, ensinava ele, os bens da terra chegarão para todos e ainda vai sobrar.

Foi isto que ele quis ensinar com o milagre dos três pães e dos dois peixes partilhados, os quais chegaram para alimentar uma multidão.

Os três pães chegaram para todos e ainda sobraram vários cestos cheios de pedaços.

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

O SEU NOME ERA JESUS DE NAZARÉ-II


II-DESEJA EDIFICAR A FAMÍLIA DE DEUS

Sentia-se bem entre os simples e os que tinham um coração capaz de acolher os outros.
Apreciava muito a companhia dos pobres, pois estes têm uma grande capacidade de partilhar.

Jamais defendeu a marginalização dos pecadores, apesar de se opor sempre ao pecado. Na verdade, o seu sonho era banir o pecado da História Humana, pois este é a fonte da violência e do ódio e das guerras que atormentam as sociedades e os povos.

Apesar de se opor ao pecado nunca defendeu a morte dos pecadores, como faziam os sacerdotes e os fariseus do seu tempo.

Foi esta a razão pela qual ele tomou partido pela mulher adúltera, apesar de ser contra o adultério.

A destruição do pecado, segundo a sua maneira de entender, acontece no íntimo do coração humano pela acção do Espírito Santo.

Na verdade, só o Espírito Santo é capaz de renovar os nossos corações, fazendo-nos passar do egoísmo para o amor fraterno.

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

O SEU NOME ERA JESUS DE NAZARÉ-III

III-DEFENDIA OS OPRIMIDOS

Dirigindo-se aos sacerdotes e aos doutores da Lei, um dia disse-lhes que eles pretendiam dominar o povo simples impondo-lhes normas e preceitos que não passam de invenções humanas.

Os que o escutavam com atenção encontravam sempre razões novas para viver. Não fazia publicidade dos seus gestos de generosidade, pois ele amava sem fazer alarde.

A Palavra de Deus era o grande amor da sua vida e exultava de alegria no Espírito Santo quando sentia que as pessoas compreendiam e acolhiam a sua mensagem.

Os detentores do poder e das riquezas não queriam que ele vivesse, pois a sua mensagem minava os sistemas caducos e as estruturas opressivas da sociedade em que vivia.

Como é costume nestes casos, os poderosos começaram a deturpar a sua mensagem e a verdade da Palavra de Deus, a fim de justificarem os seus planos para destruir a vida dos profetas.

O seu nome era Jesus de Nazaré. Denunciava o pecado, pois este mutila o Homem. Mas não sentia ódio pelos pecadores.

Foi por esta razão que no momento da sua morte, pediu a Deus que perdoasse o pecado dos seus assassinos.

Justificava o seu modo de actuar dizendo ser essa a vontade de Deus. O meu alimento, dizia ele, é fazer a vontade do Pai que me enviou.

Numa noite fria e escura os seus inimigos invadiram a sua casa, deixando-a vazia. Fizeram-no desaparecer da companhia dos que o amavam. Mas Deus tomou partido por ele, ressuscitando-o.

De facto, Deus não permite que as pessoas que gastam a vida pelas causas do amor, acabem no vazio do cemitério.

Na verdade, o amor não pode terminar na morte, pois Deus é amor.

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Calmeiro Matias

O SEU NOME ERA JESUS DE NAZARÉ-IV

IV-TEVE A SORTE DOS GRANDES PROFETAS

Teve a sorte dos profetas, isto é, foi morto pelos inimigos da verdade e do bem. Apesar de morrer rodeado de inimigos o seu coração estava tranquilo, pois tinha a certeza de que Deus ia restaurar a sua vida.

Eis a razão pela qual ele passou a vida a fazer bem a toda a gente e a pregar que a meta da nossa vida é a comunhão universal da Família de Deus.

Ele tinha a certeza de que nenhum homem pode destruir o projecto de amor que Deus sonhou para a Humanidade.

Foi para conduzir a Humanidade para esta meta feliz que ele viveu e morreu. No início da sua missão, o Espírito Santo consagrou-o, a fim de ele ter a força necessária para ser fiel até ao fim.

Eis a razão pela qual ele se sentia segura e tinha força para enfrentar as forças negativas que tentam desumanizar as pessoas e as sociedades.

Tinha a missão de inverter a dinâmica destrutiva do pecado de Adão. Com a sua infidelidade ao plano de Deus, Adão colocou a Humanidade no caminho do fracasso.

Jesus de Nazaré, com a sua fidelidade incondicional à vontade de Deus, colocou-nos no caminho que leva a fraternidade universal e à nossa incorporação na festa da Família Divina.

Ele é o Novo Adão, pois coube-lhe a missão de libertar o Homem das distorções operadas pelo Antigo Adão.

Eis as palavras de São Paulo a este respeito: “Assim como pela falta de um só veio a condenação e a morte, assim também, pela vida justa de um só veio para todos a Graça que dá a vida” (Rm 5, 18).

Levou o amor até à sua densidade máxima, dando a sua vida por todos nós, a fim de fazer de nós irmãos seus e filhos do seu Pai do Céu.

O seu nome era Jesus de Nazaré. Ensinava as pessoas a amarem-se umas às outras, a fim de se realizarem e serem felizes.

Ensinou aos seus discípulos que a profundidade máxima do amor se atinge quando uma pessoa dá a vida por alguém.

Eis as palavras que ele usou para fazer do amor o seu único mandamento: “É este o meu mandamento: que vos ameis uns aos outros como eu vos amei. Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida pelos seus amigos” (15, 12-13).

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Calmeiro Matias

O SEU NOME ERA JESUS DE NAZARÉ-V

V- A SUA VIDA, AGORA, CIRCULA POR TODOS

Ao morrer por nós, partilhou totalmente o seu ser, ao ponto de a sua vida se tornar um património comungável por todos os seres humanos.

Ao ressuscitar difundiu por nós o sangue de Deus, isto é, o Espírito Santo que é o Sangue da Nova e Eterna Aliança.

Por outras palavras, como se deu totalmente, a sua vida deixou de ser apenas sua. Eis a razão pela qual, ao ressuscitar, difundiu por todos o Espírito Santo, essa Água Viva que gera vida eterna no nosso íntimo.

Após a sua ressurreição ficámos organicamente unidos a ele. Por isso ele nos transmite a semente da vida Nova, isto é, o Espírito Santo (1 Jo 3, 9).

Ele é, diz o evangelho de São João, a cepa da videira cujos ramos somos nós (Jo 15, 1-8). Uma vez ressuscitado tornou-se o coração da Comunhão Universal que une de modo definitivo o Homem com Deus.

Os seus inimigos, pensaram destruir a sua morada e, deste modo, bani-lo do nosso meio. Na verdade, forçaram a as portas da sua habitação terrena matando-o.

Mas Deus restaurou-o, fazendo dele a coluna que sustenta o edifício da Nova Humanidade. Após a sua ressurreição ficou mais unido a nós do que antes, pois o ponto de encontro e comunhão com ele passou a ser o nosso coração.

Como um pão que se reparte para alimentar a vida dos outros, assim foi a sua vida. Por isso nos deixou a Eucaristia, onde se dá a todos na linguagem do pão partilhado.

Como tomava Deus e o Homem a sério, reuniu as condições perfeitas para ser o nosso Salvador e o condutor da caminhada que conduz ao nascimento do Homem Novo.

Ele é, como diz São Paulo, a cabeça da Nova Criação reconciliada com Deus (2 Cor 5, 17-19). unidos a toda a Humanidade nós queremos proclamar o grande dom da salvação e a nossa entrada na Família de Deus graças à doação de Jesus Cristo!

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Calmeiro Matias

sexta-feira, 2 de maio de 2008

MISTÉRIOS DA NOSSA VIDA PSÍQUICA-I

I-A EMERGÊNCIA DA NOSSA VIDA PSÍQUICA

Não somos ilhas em relação às pessoas que nos rodeiam. Apenas no podemos construir como pessoas através de relações e comunhão fraterna.

Por outras palavras, o nosso psiquismo estrutura-se em relações e de modo histórico. Eis a razão pela qual o ser humano, para se dizer, tem de contar uma história.

A nossa inteligência, tal como a vontade, não são faculdades isoladas das demais capacidades e do contexto social em que se desenvolveram.

A história das nossas vivências emocionais condiciona ou possibilita a nossa capacidade de entender e de escolher.

Começamos por ser o que os outros fizeram de nós. Mas o mais importante é o modo como nos realizamos com o que recebemos dos demais.

Na verdade, estamos chamados a construirmo-nos de modo livre, consciente e responsável, a partir dos talentos que recebemos dos outros.

Por isso cada pessoa é única, original e irrepetível. Podemos dizer que a pessoa humana é um ser alicerçado na sua unicidade, mas talhado para o encontro e a reciprocidade amorosa.

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Calmeiro Matias

MISTÉRIOS DA NOSSA VIDA PSÍQUICA-II

II-PSIQUISMO E VIDA ESPIRITUAL HUMANA

O ser humano está a construir-se como pessoa, condição essencial para entrar em comunhão com os outros seres humanos e com o próprio Deus que é uma comunidade de três pessoas.

A complexidade do psiquismo humano é resultado da complexidade do nosso cérebro. Ao contrário do animal, a pessoa humana não nasce totalmente programada ou determinada pela hereditariedade.

O cão, tirado de bebé do meio dos outros cães, torna-se perfeitamente cão, desde que convenientemente cuidado.

O bebé humano, se for tirado do meio dos outros seres humanos, mesmo que pudesse sobreviver, não se humaniza.

Isto deve-se ao facto de não termos instintos rigorosos como os animais. Os instintos são uma imposição da espécie sobre os indivíduos.

O psiquismo humano estrutura-se em dinâmica de relações e como processo histórico. Eis a razão pela qual o ser humano valoriza tanto as celebrações dos acontecimentos históricos.

O animal, sobretudo enquanto é jovem, gosta de brincar. Mas não é capaz de celebrar. Celebrar implica inserir-se dentro de um processo histórico com um passado (memória), com o presente (actualização do sentido) e com implicações para projectar o futuro.

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Calmeiro Matias

MISTÉRIOS DA NOSSA VIDA PSÍQUICA-III


III-A IMPORTÂNCIA DA NOSSA HISTÓRIA PESSOAL

Tudo o que de significativo nos aconteceu está registado no nosso cérebro. É por esta razão que o cérebro é a matriz do nosso psiquismo.

Há pessoas que não gostam de si, simplesmente porque ao longo da sua história os outros não deram provas de gostar delas.

Há muitos seres humanos que não acreditam nas suas capacidades porque os outros não mostraram acreditar nas suas aptidões e qualidades.

Há pessoas que se julgam sempre menos que os outros, pois os pais tinham o hábito de as comparar com os colegas, fazendo-lhes crer que estes colegas valiam mais que elas.

Somos seres talhados para a reciprocidade. Não somos capazes de gostar de nós se os outros nunca nos deram provas suficientes de amor e bem-querer.

As pessoas não são ilhas. Nem as pessoas humanas nem as divinas. É por isso que Deus, sendo uma comunhão de três pessoas é um só Deus.

Na verdade, a plenitude não está na pessoa, mas na interacção relacional e na reciprocidade amorosa.

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Calmeiro Matias



MISTÉRIOS DA NOSSA VIDA PSÍQUICA-IV

IV-AFECTIVIDADE E CAPACIDADES HUMANAS

As faculdades humanas, tais como inteligência, a vontade ou a capacidade de amar não vieram de fora para dentro do nosso corpo.

Pelo contrário as nossas faculdades emergem no nosso íntimo e sempre em contexto de relações. São possibilitadas ou condicionadas pelo contexto afectivo.

A inteligência é a faculdade que nos proporciona o acesso à verdade.Mas a inteligência não é uma faculdade teórica que entrou no nosso cérebro.

Por outras palavras, a inteligência não é apenas uma questão de conceitos abstracto, pois inclui também uma dimensão afectiva.

Do mesmo modo a nossa vontade é fortalecida ou enfraquecida pelo contexto afectivo. Podemos dizer que o mal amado tem muito mais dificuldade em agir de modo inteligente e decidido do que o bem-amado.

A conduz, orienta, mobiliza, modera e coordena as nossas energias em função de um objectivo.
Graças à vontade somos seres éticos, isto é, capazes de optar pelo bem ou pelo mal.

Mas também isto depende do modo como fomos aceites e amados ao longo da nossa infância e adolescência.

As nossas faculdades não agem de modo isolado. Pelo contrário, interagem entre si, fazendo da nossa vida psíquica um todo unido de modo orgânico.

Assim, por exemplo, a nossa inteligência está capacitada para compreender e hierarquizar os valores.

Por seu lado a vontade tem a capacidade de hierarquizar a multiplicidade de elementos que interagem na nossa vida psíquica.

Como vemos, a inteligência e a vontade não funcionam isoladas em relação à totalidade da pessoa e da sua história concreta.

É por esta razão que as pessoas que foram magoadas e marcadas negativamente estão mais enfraquecidas nas capacidades de interpretar e reagir aos acontecimentos de modo adequado.

A sua vontade está enfraquecida para gerir os seus comportamentos de acordo com os valores.
As feridas que a nossa história nos provocou limitam a nossa actividade inteligente, embora possa dar génios.

Na verdade, as feridas que a nossa história nos provocou condicionam a nossa capacidade de decidir, optar e executar no dia-a-dia da vida.

O animal é conduzido pelos instintos. Não tem uma vontade que o capacite para se organizar segundo um objectivo pré-elaborado.

É esta a razão pela qual ele não pode atingir uma vida com nível de realização livre, consciente e responsável. Se chegasse aqui, era uma pessoa!

O ser humano conseguiu dar este salto de qualidade graças à complexidade muito superior do seu cérebro.

A nossa herança genética condiciona-nos, mas não nos incapacita de optar e decidir. Do mesmo modo as sociedades exercem pressão sobre nós, mas não ao ponto de nos tirarem a possibilidade de fazermos projectos únicos, originais e diferentes.

Ao libertar-nos da estrutura rígida dos instintos o nosso cérebro proporcionou-nos o livre arbítrio, isto é, a capacidade psíquica de optarmos pelo bem ou pelo mal.

Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

MISTÉRIOS DA NOSSA VIDA PSÍQUICA-V

V-A CAMINHO DA COMUNHÃO UNIVERSAL

A vocação básica da pessoa humana é o chamamento a realizar os talentos que recebemos dos outros.

Os talentos são possibilidades de realização pessoal, a qual só pode acontecer em contexto de relações de amor.

A nossa realização coincide com a resposta que damos a este chamamento básico. Em relação à nossa humanização começamos por ser o que recebemos dos outros.

Não escolhemos nada. Não escolhemos a raça, a língua, a cor da pele ou o século em que queríamos viver. Fomos chamados à existência com um leque de possibilidades que podemos realizar ou não.

Ainda antes de nos habitarmos, isto é, ainda antes de sermos conscientes, já estamos habitados pelos outros.

A nossa consciência começa a estruturar-se com o feixe de valores que os outros foram inscrevendo em nós através da educação.

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Calmeiro Matias

MISTÉRIOS DA NOSSA VIDA PSÍQUICA-VI

VI-FOMOS CRIADOS PARA NOS CRIARMOS

Como seres dotados de livre arbítrio somos chamados a responder aos possíveis que recebemos dos outros, realizando-nos de acordo com estes valores.

À luz da fé cristã, a meta que nos aguarda no final deste processo de realização histórica é a Comunhão Universal do Reino de Deus.

Esta tarefa só pode ser atingida através do amor, essa dinâmica de bem-querer que tem como origem a pessoa e como meta a comunhão.

De facto, amar é eleger o outro como alvo de bem-querer, aceitando-o, apesar de ser diferente, valorizá-lo e agir de modo a facilitar a sua realização pessoal.

Agindo deste modo estamos a humanizar-nos e a facilitar a humanização daqueles que realmente se encontram connosco.

A vida pessoal humana pertence à cúpula personalizada da Criação. Deus criou-nos para que nos criemos. Somos responsáveis pela nossa realização.

A humanização do ser humano é uma tarefa que ninguém pode realizar por ele. Podemos dizer com toda a verdade quem no Homem, a Criação tornou-se consciente, livre e responsável.

Em nós e através de nós a Criação já dialoga com Deus e é capaz de viver uma aliança de amor.
A meta para a comunhão estamos a caminhar é a incorporação na Família divina do Pai, Com o Filho no Espírito Santo.

Utilizando a linguagem simbólica do Livro do Génesis, podemos afirmar que a novidade do cérebro humano significa que o barro ficou amassado.

Deus já pode introduzir no interior do barro o hálito da vida divina, esse impulso primordial que possibilita a marcha da humanização (cf. Gn 2, 7).

Com efeito, a lei da humanização é:
"Emergência pessoal mediante relações de amor e convergência para a Comunhão Universal".

Esta arte supõe opções e escolhas com o sentido do amor, que por vezes implicam grande sofrimento.

O Homem Novo, isto é, o Homem capaz de comunhão amorosa, não nasce sem que o homem velho, isto é, o homem egoísta vá morrendo.

Na medida em que o ser humano se humaniza, cresce como pessoa e, portanto, transcende o próprio Universo.

Na verdade, o Universo não é uma pessoa livre, consciente, responsável e capaz de comunhão amorosa.

Só as pessoas em contexto de relações e comunhão amorosa são imagens perfeitas de Deus. É verdade que as pessoas humanas não são iguais às divinas, mas são-lhe proporcionais, pois já podem entrar em comunhão com elas.

Em Comunhão convosco
Calmeiro Matias